O comércio exterior brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenho acima das expectativas do mercado, mas, na avaliação da Fundação Getulio Vargas (FGV), o segundo semestre deve ser marcado por maior incerteza em meio aos riscos relacionados às tensões geopolíticas e tarifas.
Segundo o relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quarta-feira (15), o conflito no Oriente Médio e o desfecho da investigação americana da Seção 301 sobre o Brasil podem afetar preços internacionais, cadeias globais de suprimentos e o desempenho das exportações brasileiras.
“O primeiro semestre foi mais favorável do que o esperado, mas o ambiente para os próximos meses tornou-se mais desafiador”, resume a análise da FGV.
A China foi a principal responsável pelo aumento do superávit comercial brasileiro no primeiro semestre, com o saldo ficando em US$ 7,6 bilhões. Na sequência estão:
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- União Europeia contribuiu com aumento de US$ 3,1 bilhões.
- Nos Estados Unidos, o déficit comercial passou de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhão.
- Na Argentina, o superávit recuou US$ 2,1 bilhões na comparação anual.
Superávit supera projeções
A balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 42,4 bilhões entre janeiro e junho, resultado US$ 12,2 bilhões superior ao registrado no mesmo período de 2025. Em junho, o saldo positivo alcançou US$ 9,8 bilhões, alta de US$ 3,9 bilhões em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O desempenho levou à revisão das projeções para o ano. Segundo a FGV, o Relatório Focus do Banco Central elevou a estimativa de superávit de US$ 66 bilhões, em janeiro, para US$ 76,2 bilhões em julho. Já a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revisou sua projeção de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões.
Já o valor exportado aumentou 14,4% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025. Nesse intervalo, o volume embarcado cresceu 4,2%, enquanto os preços avançaram 6,6%. Em junho, o ritmo foi ainda maior: o valor exportado subiu 24,9%, com alta de 8,3% no volume e de 15,4% nos preços.
As importações cresceram em ritmo menor. Entre janeiro e junho, o valor importado avançou 5,1%, resultado da alta de 4,6% nos preços e de apenas 0,3% no volume.
Conflito no Irã impulsionou preços
De acordo com a FGV, a melhora do saldo comercial foi favorecida pelo avanço dos preços das exportações acima do observado nas importações. Em junho, os chamados termos de troca — indicador que compara os preços das exportações com os das importações — registraram alta de 5,1% na comparação anual.
Segundo a fundação, esse movimento reflete principalmente os efeitos do conflito entre Irã e Estados Unidos, que afetou rotas de transporte, elevou os custos logísticos e pressionou os preços do comércio internacional.
No Brasil, o impacto foi mais intenso sobre os preços das exportações do que sobre os das importações.
Commodities seguem liderando
O aumento do volume exportado foi liderado pelas commodities, como minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas, que registraram crescimento de 5,1% no semestre. Em junho, além do avanço do volume, os preços das commodities exportadas superaram os das demais mercadorias.
Nas importações, a FGV chamou atenção para a forte alta dos preços das commodities. Em junho, os preços dos fertilizantes subiram 26,1%, enquanto o volume importado caiu 20,1%. No caso do óleo combustível, os preços avançaram 54,5%, enquanto o volume importado recuou 29,7%.











