A economia chinesa cresceu menos que o esperado, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 4,3% no segundo trimestre. Segundo a leitura de bancos e consultorias, a perda de força não representa, necessariamente, uma deterioração mais intensa da atividade na China.
O mercado já projetava uma desaceleração em relação ao trimestre anterior (5%), mas para a faixa de 4,6%. Na comparação com os três meses anteriores, o PIB avançou 0,9%, desacelerando em relação ao crescimento de 1,3% observado entre janeiro e março.
O dado impactou as bolsas da China continental, com o índice Xangai Composto recuando 0,29%, enquanto o Shenzhen Composto caiu 0,68%.
ING espera novos estímulos da China
Para o ING, a perda de ritmo da economia aumenta a probabilidade de o governo chinês adotar novas medidas para sustentar o crescimento nos próximos meses.
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Segundo o banco holandês, o principal foco do mercado passa a ser a reunião do Politburo, órgão responsável pelas principais decisões econômicas e políticas da China, prevista para o fim deste mês.
A instituição espera uma flexibilização moderada da política fiscal, com iniciativas voltadas para estimular o consumo das famílias e acelerar investimentos em infraestrutura por meio da emissão de títulos especiais dos governos locais.
O banco também avalia que o governo central pode ampliar as transferências fiscais, mas pondera que o tamanho dos estímulos pode ficar abaixo das expectativas do mercado.
Mesmo assim, o ING mantém a projeção de crescimento entre 4,5% e 5% para a economia chinesa em 2026. Segundo a instituição, sem novas medidas de apoio, a tendência é de desaceleração gradual da atividade.
Capital Economics vê mudança na leitura oficial
A Capital Economics tem uma interpretação diferente para os números divulgados. Segundo a consultoria, a desaceleração do PIB pode refletir uma maior disposição das autoridades chinesas em divulgar dados mais próximos da realidade econômica, e não necessariamente uma piora recente da atividade.
Na avaliação da consultoria, a meta oficial de crescimento, definida pelo Congresso Nacional do Povo em março, deu maior margem para que o governo reconhecesse um ritmo menor de expansão.
Por isso, a Capital Economics considera que os números não devem ser interpretados como sinal de uma desaceleração abrupta.
A consultoria destaca que os indicadores de atividade de junho sugerem que a economia ganhou algum impulso no fim do trimestre, especialmente na produção industrial e nas vendas no varejo, que vieram acima das expectativas.
Consumo ainda inspira cautela
Apesar da melhora dos indicadores de junho, a Capital Economics afirma que o consumo das famílias segue em ritmo moderado.
Em sua análise, a consultoria observa que os dados de vendas no varejo continuam distorcidos pela redução dos incentivos do programa de troca de bens de consumo, o que limita seu uso como principal indicador da demanda doméstica.











