O armazenamento de carbono em reservatórios esgotados pode dar uma nova função a campos de petróleo e gás. O CO₂ capturado é comprimido, transportado e injetado em rochas porosas profundas, abaixo de camadas impermeáveis que limitam seu retorno à superfície.
Em que estágio está o armazenamento de carbono em reservatórios esgotados?
A captura e armazenamento de carbono já alcançou escala industrial em determinados projetos. A injeção subterrânea também aproveita décadas de experiência com recuperação avançada de petróleo, embora a expansão para armazenamento dedicado ainda dependa de licenciamento e infraestrutura.
Campos esgotados no mar e em terra estão sendo avaliados ou convertidos em diferentes países. Cada reservatório precisa demonstrar capacidade, injetividade, integridade dos poços e presença de uma camada selante antes de receber grandes volumes de CO₂.

Como um antigo campo de petróleo consegue prender o CO₂?
O reservatório não corresponde a uma grande caverna vazia. O petróleo e o gás ocupavam poros microscópicos entre grãos de rocha, normalmente cobertos por uma formação pouco permeável chamada rocha selante.
Três mecanismos ajudam a conter o carbono:
Quais etapas são necessárias antes de reutilizar os poços?
O histórico de produção fornece mapas, perfis sísmicos, medições de pressão e amostras das rochas. Esses dados ajudam a reduzir incertezas, mas não dispensam novas análises, pois equipamentos antigos podem ter sido construídos para condições diferentes.
- Mapear a extensão e a espessura do reservatório.
- Verificar permeabilidade, porosidade e capacidade disponível.
- Inspecionar poços antigos, revestimentos e cimento.
- Modelar o deslocamento subterrâneo do CO₂.
- Definir limites seguros para a pressão de injeção.
- Adaptar plataformas, válvulas, tubulações e compressores.
- Planejar monitoramento durante e após o encerramento.

Como o carbono capturado chega ao campo esgotado?
O CO₂ é separado de gases industriais, desidratado e comprimido. Em seguida, pode viajar por dutos ou navios até uma instalação de injeção. Em profundidades geralmente superiores a 800 metros, ele assume uma condição densa que permite armazenar mais massa em menor volume.
Pressão, temperatura, composição do gás e movimentação subterrânea são acompanhadas por sensores, levantamentos sísmicos e modelos digitais. O vídeo a seguir apresenta como o carbono pode ser transportado e colocado em formações que antes produziram hidrocarbonetos.
O que o projeto Porthos mostra sobre a reutilização desses campos?
O projeto Porthos está convertendo a plataforma P18-A e poços ligados a antigos campos de gás sob o Mar do Norte. O sistema receberá CO₂ de indústrias instaladas no Porto de Roterdã.
Os principais indicadores são:
| Indicador | Dado | Situação |
|---|---|---|
| Profundidade Abaixo do Mar do Norte | 3 a 4 quilômetros | Reservatório selado |
| Capacidade total Campos P18 | Cerca de 37 milhões de toneladas | Capacidade contratada |
| Injeção anual Operação planejada | 2,5 milhões de toneladas | Durante 15 anos |
| Infraestrutura Plataforma e poços existentes | P18-A e quatro poços | Em conversão |
| Início esperado Cronograma revisado em 2026 | Segundo semestre de 2027 | Em construção |
Por que reutilizar um campo conhecido não elimina os riscos?
Poços antigos podem se tornar caminhos de vazamento quando cimento, revestimentos ou tampões estão degradados. A elevação excessiva da pressão também pode movimentar fluidos, afetar falhas geológicas ou ultrapassar os limites considerados seguros para a rocha selante.
O armazenamento de carbono em reservatórios esgotados aproveita conhecimento, infraestrutura e espaço subterrâneo já explorado, mas exige controle por décadas. Sua contribuição climática depende de captura eficiente, energia de baixo carbono, armazenamento verificado e redução paralela das emissões industriais.
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