A Shanghai Tower não gira apenas para criar uma silhueta diferente. Sua fachada curva completa uma torção de 120 graus enquanto sobe, alterando o fluxo do vento e reduzindo as forças que chegam ao núcleo, às supercolunas e às fundações.
Em que estágio está a Shanghai Tower e como ela enfrenta o vento?
Concluída em 2015, a Shanghai Tower possui 632 metros e 128 andares acima do solo. O edifício de uso misto permanece em operação, reunindo escritórios, hotel, áreas comerciais, jardins internos e espaços de observação.
Xangai pode receber ventos intensos associados a tufões. Por isso, o projeto foi testado em túnel de vento antes da construção. Os ensaios ajudaram a ajustar a curvatura, o estreitamento progressivo e a rotação da envoltória externa.

Como uma torção de 120 graus reduz as cargas do vento?
Fachadas retas e repetitivas podem favorecer a formação ordenada de vórtices, redemoinhos que se desprendem alternadamente e fazem o edifício oscilar. A superfície curva e variável da torre dificulta que esse padrão permaneça estável ao longo de toda a altura.
Três decisões geométricas atuam em conjunto:
Quais elementos conduzem as forças até as fundações?
A fachada externa não sustenta sozinha o arranha-céu. As cargas verticais e laterais seguem por um sistema composto de concreto e aço, dimensionado para trabalhar como uma estrutura integrada.
- Um grande núcleo de concreto ocupa a região central.
- Supercolunas periféricas conduzem cargas verticais ao solo.
- Treliças de outrigger conectam núcleo e supercolunas.
- Anéis estruturais distribuem forças ao redor dos pavimentos.
- Lajes funcionam como diafragmas horizontais entre os elementos.
- Mais de mil estacas perfuradas transferem cargas às camadas profundas.
- Um amortecedor de massa reduz movimentos percebidos nos andares altos.

Como a fachada dupla participa do funcionamento da torre?
A Shanghai Tower possui uma fachada interna que fecha os espaços ocupados e uma segunda pele transparente que envolve o edifício. Entre elas surgem átrios ventilados, jardins e áreas de circulação organizados em nove zonas verticais.
Essa camada externa define a espiral e recebe diretamente o vento, enquanto a fachada interna mantém plantas mais regulares. O vazio intermediário também funciona como zona térmica, reduzindo trocas com o exterior e protegendo parte dos ambientes das variações climáticas.
Quais números resumem a engenharia da Shanghai Tower?
Segundo a engenharia apresentada pela Thornton Tomasetti, o refinamento aerodinâmico reduziu em 24% as cargas de vento em comparação com um edifício retangular da mesma altura. Isso permitiu uma estrutura mais leve e menor consumo de materiais.
Os principais indicadores são:
| Elemento | Dado | Papel no projeto |
|---|---|---|
| Altura arquitetônica Da entrada ao topo | 632 metros | Escala superalta |
| Pavimentos Acima do solo | 128 andares | Uso vertical |
| Rotação da fachada Da base ao topo | 120 graus | Controle aerodinâmico |
| Redução da carga de vento Comparação com forma retangular | 24% | Estrutura mais leve |
| Fundações profundas Estacas perfuradas | 1.079 estacas | Transferência de cargas |
Como sensores e amortecimento mantêm a torre sob observação?
Um sistema com mais de 400 sensores foi projetado para acompanhar inclinação, aceleração, deslocamentos, deformações, temperatura e efeitos do vento durante a construção e a operação. Os dados permitem comparar o comportamento real com os modelos usados pelos engenheiros.
A Shanghai Tower mostra que a forma de um arranha-céu pode participar diretamente de sua resistência. A torção reduz parte da força antes que ela alcance a estrutura, enquanto núcleo, supercolunas, amortecedor e monitoramento administram os movimentos que continuam atuando sobre o edifício.











