As ações da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, e da TIM (TIMS3) operam em forte queda de 7% cada nesta terça-feira (28), após a divulgação do balanço do segundo trimestre. Apesar da reação negativa do mercado, o BTG Pactual manteve recomendação de compra para as duas empresas e apontou a Telefônica como o principal destaque do setor de telecomunicações.
Na avaliação do banco, os balanços reforçam a capacidade das operadoras de ampliar receitas e preservar margens operacionais, mesmo em um ambiente mais competitivo.
A Telefônica Brasil encerrou o período com lucro líquido de R$ 1,573 bilhão, alta de 17% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pelo crescimento da receita nos segmentos móvel e fixo, além do controle das despesas operacionais.
A receita líquida avançou 7,6%, para R$ 15,757 bilhões, enquanto o Ebitda — indicador que mede a geração operacional de caixa antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização — cresceu 10,9%, para R$ 6,581 bilhões.
Vivo se destaca entre as concorrentes
Para os analistas Carlos Sequeira, Osni Carfi e Bruno Ferreira, do BTG Pactual, a companhia apresentou a combinação entre aceleração da receita de serviços e expansão das margens, o que reforça sua posição no setor.
Segundo o banco, a Vivo foi a única grande operadora brasileira que não apresentou desaceleração no crescimento da receita de serviços móveis durante o trimestre.
O BTG também destacou o desempenho da operação de telefonia fixa, com crescimento da receita de fibra óptica e dos serviços de tecnologia da informação e conectividade. Apesar da recomendação de compra, o banco manteve preço-alvo de R$ 31 para as ações.
Expansão do pós-pago impulsiona resultados da Vivo
A receita de serviços móveis da Telefônica cresceu 6,6%, alcançando R$ 10,183 bilhões. O desempenho foi sustentado principalmente pelos planos pós-pagos, cuja receita avançou 7,9%, apoiada pelo aumento da base de clientes e pela migração para planos de maior valor agregado.
Na telefonia fixa, a receita cresceu 6%, para R$ 4,527 bilhões. A empresa ampliou sua cobertura de fibra óptica para 32 milhões de domicílios e alcançou 8,2 milhões de clientes conectados.
Os investimentos somaram R$ 2,589 bilhões no trimestre, direcionados principalmente à expansão da rede 5G.
TIM (TIMS3) cresce, mas mercado reage negativamente
A queda de 7% dos papéis TIMS3 foi classificada pelo presidente da companhia, Alberto Griselli, como um movimento que reflete mais as expectativas para o setor do que os resultados divulgados pela empresa.
No segundo trimestre, a TIM registrou lucro líquido normalizado — que exclui efeitos considerados não recorrentes — de R$ 1,036 bilhão, alta de 6,2% na comparação anual. Sem ajustes, o lucro foi de R$ 970 milhões, praticamente estável em relação ao ano anterior.
A receita líquida cresceu 5,5%, para R$ 6,965 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 7%, atingindo R$ 3,586 bilhões.
A expansão foi sustentada principalmente pela evolução da receita móvel pós-paga, pelo crescimento da operação de banda larga por fibra e pela consolidação da empresa de tecnologia V8 Tech.
BTG vê ponto de entrada após queda das ações TIMS3
Apesar da reação negativa do mercado, o BTG reiterou recomendação de compra para a TIM, com preço-alvo de R$ 22 em 12 meses. Segundo o banco, o Ebitda veio ligeiramente acima das expectativas, enquanto a receita ficou um pouco abaixo das projeções.
O banco também destacou que a companhia continua apresentando crescimento da base de clientes pós-pagos, controle da taxa de cancelamento (churn) e expansão da operação de fibra óptica.
Após a queda superior a 20% desde o pico registrado neste ano, o BTG avalia que as ações passaram a negociar com um rendimento estimado de dividendos de 10,5% para 2026 e uma geração de caixa livre próxima de 12%, fatores que, segundo a instituição, tornam o papel mais atrativo.











