As units do Santander Brasil (SANB11) lideram as perdas do Ibovespa nesta terça-feira (29), após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que desapontou em relação ao lucro e rentabilidade e ao aumento das despesas com provisões para perdas com crédito.
Por volta das 12h37, os papéis recuavam 6,61%, cotados a R$ 25,84. Na mínima do dia, chegaram a cair 7,01%, o maior recuo intradiário desde outubro de 2022, também após um balanço trimestral.
O Santander informou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,014 bilhões entre abril e junho, queda de 17,6% na comparação anual e retração de 20,4% frente ao primeiro trimestre. O lucro gerencial recorrente exclui efeitos relacionados ao ágio de aquisições, permitindo uma comparação mais próxima da operação do banco.
Outro indicador acompanhado pelo mercado, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), caiu para 12,5%, ante 16,4% um ano antes e 16% no trimestre anterior. O índice mede quanto o banco gera de lucro em relação ao patrimônio dos acionistas.
Provisões maiores pressionam resultado da Santander
Um dos principais fatores que afetaram o desempenho foi o aumento das despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD), reserva que os bancos constituem para cobrir possíveis perdas com clientes inadimplentes.
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,3%, estável em relação ao trimestre anterior, mas acima dos 2,6% registrados um ano antes. Segundo o Santander, o avanço reflete a adoção de critérios mais conservadores para reconhecimento de perdas em parte das carteiras de varejo.
Entre pessoas físicas, a inadimplência subiu de 4% para 5,1% em 12 meses. Já entre empresas, o indicador passou de 1,2% para 1,6%, com destaque para pequenas e médias empresas.
Apesar disso, a inadimplência de curto prazo, que considera atrasos entre 15 e 90 dias, permaneceu praticamente estável em 3,3%, reflexo, segundo o banco, de uma política mais seletiva na concessão de crédito.
Margem financeira recua mesmo com expansão do crédito
A carteira de crédito ampliada cresceu 5,8% em relação ao segundo trimestre de 2025, alcançando R$ 714,8 bilhões.
O crescimento foi puxado principalmente pelo financiamento ao consumo, cuja carteira avançou 15,3% em 12 meses, além da expansão do crédito para empresas. O crédito para pequenas e médias empresas cresceu 11,5%, enquanto o destinado às grandes companhias aumentou 6,8%.
Em contrapartida, a carteira de pessoas físicas ficou praticamente estável, enquanto o crédito consignado recuou 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Mesmo com a expansão do crédito, a margem financeira — diferença entre o que o banco recebe com empréstimos e o que paga para captar recursos — caiu 0,4% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 15,3 bilhões.
Segundo o Santander, a margem com clientes foi afetada pela menor participação do segmento de baixa renda na carteira de crédito.
Mercado vê pressões sobre receitas do Santander
O Citi classificou o segundo trimestre como fraco, destacando o aumento das provisões para perdas e a menor rentabilidade. Segundo o banco norte-americano, o Santander continua alterando o perfil da carteira de crédito, ampliando a participação de financiamento ao consumo, cartões e pequenas e médias empresas, enquanto reduz exposição a produtos de maior risco no varejo.
Além disso, a instituição adotou uma política mais conservadora para reconhecer perdas em determinadas carteiras sem garantia, antecipando baixas contábeis.
Na avaliação do Citi, essa estratégia tende a pressionar os indicadores de rentabilidade no curto prazo, embora o custo do risco deva diminuir gradualmente nos próximos trimestres.
O Itaú BBA também avaliou o resultado de forma negativa. Segundo os analistas, a combinação entre receitas mais fracas e aumento das provisões reduziu a margem financeira ajustada ao risco, indicador que mostra quanto o banco efetivamente ganha após descontar o custo das perdas esperadas com crédito.
O banco destacou que a estratégia de reduzir riscos por meio da mudança no perfil da carteira ajuda a melhorar a qualidade dos ativos, mas também reduz os spreads — diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e o custo de captação.
O BBA manteve recomendação neutra para as units do Santander, com preço-alvo de R$ 32.
Solidez de capital permanece acima do mínimo regulatório
Apesar da piora nos indicadores de rentabilidade, o Santander encerrou o trimestre com índice de Basileia de 15,3%, acima do mínimo regulatório de 10,5%.
O índice de Basileia mede a capacidade de um banco absorver perdas sem comprometer sua operação. Quanto maior o indicador, maior tende a ser a capacidade da instituição de enfrentar períodos de estresse financeiro.
No segundo trimestre, os ativos totais do Santander chegaram a R$ 1,285 trilhão, alta de 5% em 12 meses, enquanto o patrimônio líquido alcançou R$ 98 bilhões, crescimento de 6% na mesma comparação.











