A Brava Energia (BRAV3) apresentou resultados do segundo trimestre em linha com as expectativas do mercado, segundo análise do BTG Pactual, apesar de o lucro líquido cair 16,9% na comparação anual, para R$ 871 milhões.
O banco afirma que a companhia reforçou sua capacidade de geração de caixa, enquanto a conclusão da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Ecopetrol marca uma nova etapa para a petroleira.
Mesmo com a avaliação positiva, as ações da Brava recuam 3,60% nesta quinta-feira (6) após a divulgação do balanço, figurando entre as maiores quedas do Ibovespa nesta manhã, atrás apenas de Smart Fit (-7,72%) e Vamos (-3,61%). O BTG segue recomendando compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 23.
BTG destaca avanço do EBITDA
Na avaliação dos analistas do BTG Pactual, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu aproximadamente US$ 353 milhões, alta de 14% em relação ao trimestre anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção, margens mais elevadas no refino e preços mais altos do petróleo.
A produção e os volumes comercializados cresceram cerca de 8% na comparação trimestral. No segmento de exploração e produção, o Ebitda ajustado avançou de US$ 312 milhões para US$ 331 milhões. Já a área de refino elevou o indicador de US$ 12 milhões para US$ 39 milhões.
Por outro lado, o custo de extração aumentou de US$ 14,2 para US$ 16,3 por barril equivalente de petróleo (boe), refletindo maior participação dos ativos offshore, que possuem custos superiores aos campos terrestres.
Fluxo de caixa ficou próximo do equilíbrio
O BTG afirma que o fluxo de caixa ficou praticamente no ponto de equilíbrio no trimestre, influenciado por dois fatores principais:
- investimentos elevados na campanha offshore de Atlanta e Papa-Terra;
- impacto negativo de aproximadamente US$ 167 milhões relacionado aos contratos de hedge.
Segundo os analistas, desconsiderando efeitos extraordinários, a Brava teria gerado cerca de US$ 117 milhões em fluxo de caixa, equivalente a aproximadamente 5% do valor de mercado da companhia.
A dívida líquida permaneceu próxima de US$ 1,7 bilhão, enquanto a alavancagem financeira subiu de 1,8 vez para 2 vezes o Ebitda, reflexo principalmente do impacto dos instrumentos de proteção.
Atualmente, cerca de 44% da produção prevista para os próximos 12 meses está protegida por operações de hedge, com piso próximo de US$ 65 por barril. Na avaliação do banco, essa estratégia reduz riscos durante a fase de investimentos mais intensivos nos ativos de Atlanta e Papa-Terra.
Produção de julho permanece elevada
A Brava também divulgou os dados operacionais de julho. A produção ficou próxima de 83 mil barris por dia, queda de cerca de 2% em relação a junho, principalmente devido à redução temporária da produção em Parque das Conchas e Papa-Terra.
O desempenho foi parcialmente compensado pelo aumento da produção em Atlanta.
O BTG ressalta, entretanto, que agosto deverá apresentar produção menor por causa da parada programada de manutenção em Papa-Terra, necessária para preparar a plataforma para a entrada de dois novos poços prevista para o quarto trimestre.
Ecopetrol conclui OPA e assumirá controle
Nesta quarta-feira (5), também foi concluída a Oferta Pública de Aquisição (OPA) realizada pela colombiana Ecopetrol. No leilão, a estatal adquiriu 116,1 milhões de ações ordinárias, equivalentes a aproximadamente 25% do capital social da Brava, pagando R$ 23 por ação.
A operação movimentou cerca de R$ 2,67 bilhões. Após a liquidação financeira, prevista para 17 de agosto, a Ecopetrol passará a deter 51% do capital social da Brava Energia, assumindo oficialmente o controle da companhia.
Para o BTG Pactual, a Brava segue se consolidando como uma empresa geradora de caixa. O banco, no entanto, afirma que o mercado ainda aguarda definições sobre a estratégia que será adotada pela Ecopetrol após a conclusão da aquisição do controle da petroleira brasileira.











