As maiores empresas brasileiras distribuíram US$ 4,4 bilhões em dividendos no segundo trimestre, crescimento de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson. O resultado foi puxado principalmente pela JBS, que quase triplicou o valor entregue aos acionistas em relação a 2025, de US$ 0,35 para US$ 1 o dividendo por ação.
Entre as dez ações brasileiras que mais distribuíram dividendos, além da JBS a lista também inclui Petrobras, considerando as ações ordinárias e preferenciais; Vivo; Bradesco, nas duas classes de ações; Banco do Brasil; Rede D’Or São Luiz; B3; e Sabesp.
O desempenho brasileiro coloca o país como o maior pagador de dividendos da América Latina no período, respondendo por 38% do total distribuído na região. O pagamento de dividendos do Brasil superou o da América Latina, de 1,7%, para US$ 11,7 bilhões, e do mercado global, de 7,3%, para US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre.
Entre os 45 países acompanhados pelo índice, o Brasil ficou na 26ª posição, empatado com a Bélgica.
Dividendos globais ultrapassam US$ 700 bilhões
No conjunto das 1.500 companhias analisadas pelo índice, os pagamentos globais de dividendos alcançaram US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre. O crescimento subjacente — métrica que desconsidera efeitos como calendário de pagamentos — foi de 7,3%. Já a alta nominal ficou em 3,2%, refletindo principalmente diferenças no calendário das distribuições.
O setor financeiro permaneceu como a principal fonte de dividendos no mundo. As companhias financeiras distribuíram US$ 239,7 bilhões no segundo trimestre, crescimento subjacente de 8,1%.
O levantamento aponta que os bancos vêm levando seus pagamentos de dividendos para níveis historicamente mais próximos do padrão após anos de recuperação e utilizando cada vez mais as recompras para distribuir capital excedente.
No Reino Unido, o movimento foi ainda mais intenso. As empresas integrantes do índice distribuíram US$ 39,5 bilhões em dividendos, alta de 14,6%, impulsionada pelos bancos.
Europa concentra pagamentos, mas consumo pressiona montadoras
A Europa, excluindo o Reino Unido, foi a região que mais distribuiu dividendos no segundo trimestre, com US$ 242,3 bilhões. O volume está relacionado à concentração sazonal dos pagamentos europeus nessa época do ano.
O crescimento, entretanto, foi de 3,2%, abaixo do avanço registrado no Reino Unido, no Japão e na América do Norte.
O levantamento também aponta sinais de enfraquecimento do consumo em partes do mercado europeu, especialmente entre os fabricantes de automóveis. A demanda mais fraca se combina ao aumento da concorrência dos fabricantes chineses de veículos elétricos, criando um desafio estrutural para as montadoras europeias.
América Latina tem crescimento modesto, liderada por Brasil e México
As empresas latino-americanas distribuíram aproximadamente US$ 11,5 bilhões em dividendos no segundo trimestre de 2026, crescimento subjacente de 1,7% sobre o mesmo período de 2025. O Brasil respondeu por US$ 4,4 bilhões desse total, com crescimento subjacente de 12,8%.
O México aparece em seguida, com US$ 3,4 bilhões, mas registrou queda subjacente de aproximadamente 0,8%. O Grupo México SAB foi o principal responsável pelo resultado, após elevar o dividendo por ação de MXN 1,20 para MXN 1,65 na comparação anual.
No Chile, os pagamentos chegaram a aproximadamente US$ 1,1 bilhão, com a maior contribuição vindo do Banco Santander Chile.
A Colômbia distribuiu cerca de US$ 0,3 bilhão, ante US$ 1 bilhão no ano anterior. A redução ocorreu devido ao Grupo Cibest, que retomou uma estrutura de pagamentos trimestrais após ter adotado, em 2025, uma distribuição anual única acompanhada de um dividendo extraordinário.
Recompra global de ações avança com retorno das empresas de tecnologia
As recompras de ações também avançaram de forma significativa. As empresas analisadas recompraram US$ 572 bilhões em ações no segundo trimestre, alta de 26,8% em relação ao ano anterior.
O setor de tecnologia passou à frente do financeiro e se tornou a principal fonte de recompras de ações no mundo, com US$ 121,1 bilhões no segundo trimestre.
Segundo a Janus Henderson, a rentabilidade das principais empresas de tecnologia tem permitido combinar retornos aos acionistas com a expansão dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, incluindo data centers e capacidade de computação.
O setor também apresentou o maior crescimento subjacente dos dividendos entre os segmentos analisados. A expansão foi de 23,5%, com pagamentos de US$ 70,5 bilhões.
Nas recompras, o Brasil também liderou a região, com US$ 1,1 bilhão em ações adquiridas pelas empresas. O México ficou em segundo lugar, com US$ 0,4 bilhão.
Perspectiva é de crescimento de dividendos e recompras em 2026
Para o cenário de 2026, a Janus Henderson projeta crescimento global dos dividendos entre 5% e 6%. Para as recompras de ações, a estimativa é de avanço entre 7% e 8%.
Segundo o levantamento, as perspectivas para os dividendos continuam apoiadas pela capacidade de geração de lucros e caixa das empresas, especialmente nos setores financeiro e de tecnologia.
Os dividendos também permanecem relativamente protegidos, considerando que as companhias, de modo geral, atribuem importância à manutenção de distribuições regulares mesmo quando as condições econômicas se tornam mais desafiadoras.
Jane Shoemake, líder de CPM de Ações para a EMEA na Janus Henderson, afirma que as empresas estão mudando a maneira de administrar a devolução de capital aos acionistas. A executiva também relaciona esse comportamento ao setor financeiro.
“Essa mesma distinção ajuda a explicar o que estamos observando no setor financeiro. Os bancos passaram anos reconstruindo suas bases de dividendos e agora estão utilizando cada vez mais as recompras de ações para devolver capital excedente sem se comprometerem com pagamentos permanentemente mais altos. De forma mais ampla, este está se tornando um mercado muito mais seletivo, no qual lucros sólidos ainda sustentam os retornos aos acionistas, mas a origem desse crescimento depende das forças estruturais e competitivas enfrentadas por cada setor”, conclui.











