As emissões de debêntures incentivadas despencaram em agosto para R$ 170 milhões e atingiram o menor patamar mensal desde janeiro de 2019, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Dados divulgados nesta segunda-feira (28) mostram que no acumulado anual, as emissões chegaram a R$ 72,8 bilhões, queda de 25,2% em comparação aos R$ 97,3 bilhões no ano passado. A desaceleração ganhou força depois dos volumes registrados no início do ano. Em março, por exemplo, as captações atingiram R$ 21,5 bilhões.
Em relação a rentabilidade, o IDA-IPCA Infraestrutura, índice da Anbima que acompanha este movimento nas debêntures incentivadas, registrou uma alta de 1,26% em agosto. No acumulado de 2026, o indicador registra ganho de 3,74%.
Emissões de debêntures perdem ritmo, mas investidores seguem negociando
A diferença entre os mercado primário (títulos emitidos pela primeira vez) e secundário (compra e venda) é o principal destaque dos dados da Anbima. Em agosto, o mercado secundário movimentou R$ 28,3 bilhões em debêntures incentivadas.
No acumulado de 2026, o volume chegou a R$ 276 bilhões, alta de 22,3% sobre o mesmo período de 2025. O contraste indica que, apesar da queda nas novas ofertas, os papéis continuam sendo negociados pelos investidores.
Mesmo com a redução do volume total, o setor de energia elétrica permaneceu na liderança entre os segmentos que captaram recursos com debêntures incentivadas. Entre janeiro e agosto, foram R$ 39,8 bilhões, equivalentes a cerca de 55% de todas as emissões do período.
Na sequência aparecem transporte e logística, com R$ 9 bilhões; saneamento, com R$ 6,3 bilhões; assistência médica, com R$ 4,7 bilhões; e tecnologia da informação e telecomunicações, com R$ 3,7 bilhões.
As debêntures incentivadas são títulos de dívida usados para financiar projetos de infraestrutura e contam com benefícios tributários para investidores, conforme as regras aplicáveis a cada emissão.
Eleições entram no radar das novas emissões
Para Erika Lacreta, gerente executiva de mercado de capitais da Anbima, a redução nas emissões ao longo de 2026 pode ter relação com as incertezas trazidas pela proximidade das eleições. “Tudo indica um movimento pontual por conta das incertezas trazidas com a proximidade das eleições”, disse.
A executiva também chama atenção para a diferença entre a captação e a negociação dos papéis. “Ainda assim, o mercado secundário segue bastante aquecido, com volumes de negociação que mostram o interesse dos investidores por esses ativos e sua relevância para o financiamento de projetos de infraestrutura”, afirma.
A avaliação, portanto, é que a menor oferta de novas debêntures não eliminou a atividade de negociação dos títulos já disponíveis no mercado.










