As ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíram cerca de 6% nesta terça-feira (6), após o J.P. Morgan rebaixar a recomendação dos papéis para underweight, equivalente à venda. O banco também definiu preço-alvo de R$ 23, o que representa um potencial de queda de 12,64% em relação ao fechamento anterior.
A baixa colocou o Banco do Brasil entre os destaques negativos da sessão, em um dia de realização de lucros após o rali eleitoral observado na segunda-feira (5).
O J.P. Morgan revisou sua cobertura do setor financeiro depois da forte alta dos ativos brasileiros. Na sessão anterior, a maior parte das ações subiu entre 15% e 30% em relação ao fechamento da sexta-feira (2), enquanto o ETF EWZ, que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, avançou cerca de 12,5%.
Nesta quarta-feira (7), porém, os papéis iniciaram o dia em leve queda de 0,24%, cotados a R$ 24,58.
Inadimplência do agronegócio pesa sobre Banco do Brasil
Um dos principais motivos para o rebaixamento do Banco do Brasil é a expectativa de piora da inadimplência do agronegócio a partir de julho e agosto. O J.P. Morgan afirma que uma eventual recuperação da ação pode levar alguns anos.
O banco trabalha com uma faixa de negociação entre 0,7 e 0,8 vez o preço sobre valor patrimonial (P/BV). O relatório também aponta que um real mais forte tende a não favorecer o Banco do Brasil e mantém o risco relacionado ao El Niño como fator de atenção.
J.P. Morgan reduz custo de capital das ações
Na revisão das instituições financeiras, o J.P. Morgan reduziu em cerca de 150 pontos-base sua estimativa de custo de capital próprio para praticamente todo o setor. As novas estimativas ficaram na faixa de 13% a 15%, acompanhando o movimento da curva de juros de dez anos no Brasil.
O banco observa que o Banco do Brasil subiu cerca de 20% em dólar desde a sexta-feira (2), mas teve desempenho inferior ao de empresas mais ligadas ao mercado de capitais. Para o J.P. Morgan, essa diferença sugere menor apetite dos investidores pelo papel.
A instituição também avalia que a ampla franquia de depósitos, a elevada liquidez e o baixo custo de captação do Banco do Brasil tendem a gerar menos benefícios com uma eventual queda da Selic.










