O Ibovespa, o dólar estadunidense e as taxas DI operam em alta no mercado financeiro brasileiro nesta sexta-feira (28). Após queda desde a abertura, o Ibovespa passou a subir com a melhora das bolsas norte-americanas e com a disparada das ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional.
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4 tinham ganho de 1,11% e 1,20%. Os papéis da Vale (VALE3) também viraram para alta e subiam 0,86%.
Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, disse que a virada na Bolsa se deu após indicadores nos Estados Unidos. “O movimento veio depois do ISM de atividade industrial de Chicago-subiu 48,6 pontos em abril, depois de 43,8 pts em março- e melhorou ainda mais com os dados de Michigan [índice de confiança do consumidor de Michigan/Reuters]-subiram para 63,5 pontos em abril, após 62,0 pontos em março. O ISM de Chicago veio acima das expectativas, por mais que seja contracionista”.
O dólar segue em alta desde a abertura do pregão. Na última sessão do mês e em dia de definição da PTAX, o mercado tenta um melhor posicionamento e acompanha uma agenda cheia, tanto aqui como no exterior. O cenário externo volátil também corrobora essa alta.
Na manhã de hoje foram divulgados dados que mexeram com os mercados doméstico e global. Por aqui, a taxa de desocupação da população brasileira foi estimada em 8,8% no trimestre móvel encerrado em março, ficando 0,9 ponto percentual acima ante o trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o melhor resultado para o período desde 2015 (8%). O resultado ficou um pouco abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro, de +8,9%, conforme o Termômetro CMA.
Segundo a economista Paloma Lopes, da Valor Investimentos, um dos fatores que limitam a alta do dólar é que o mercado sabe que o aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) está tendo efeito, porém, não está tão forte como se esperava. “Também teve a situação o IBC-BR que apontou uma forte alta, no acumulado já chegou em 3,08%- além da rolagem da dívida do Banco Central de até 16 mil contratos de swap cambial.”
Embora os dados norte- americanos tendam a puxar as taxas para baixo, os dados domésticos prevalecem, segundo o economista da Blue Line Asset, Flávio Serrano.
O desemprego mais baixo do que o esperado, aliado aos dados do Caged de ontem, mostram um mercado de trabalho ainda resiliente, reduzindo a chance de corte [da Selic] no curto prazo, ele explica. “Com os núcleos de inflação ainda elevados e mercado de trabalho mais resiliente, o BC deve seguir com discurso conservador na semana que vem.”
Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, considera que os dados gerais parecem positivos, o que pode ter acalmado o mercado. “Parece que o mercado está vendo que, no caso de uma possível recessão, seria branda – dado que atividade [econômica, o IBC-Br] não está desacelerando tão intensamente”, opina.
O movimento da bolsa reflete esse alívio. “A abertura dos juros é justificada pela postura que o Fed terá que tomar, de manter os juros em patamar elevado por mais tempo”, conclui.
Camila Brunelli / Agência CMA
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