A safra de milho 2025/26 no Brasil dá sinais de que ficará abaixo do desempenho histórico registrado no ciclo anterior. O avanço irregular das chuvas, somado ao atraso no plantio da segunda safra em importantes regiões produtoras, começou a comprometer o potencial das lavouras e acendeu um alerta no mercado agrícola sobre o tamanho da próxima colheita.
O levantamento prévio da Agroconsult indica piora nas condições produtivas em parte do cinturão agrícola do país, especialmente em Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
A estimativa aponta para uma produção de 112,1 milhões de toneladas na segunda safra de milho, volume abaixo do recorde de 123,9 milhões de toneladas colhido em 2024/25. Considerando todas as safras, a produção nacional deve atingir 140,5 milhões de toneladas, frente aos 151 milhões de toneladas do ciclo anterior.
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A consultoria, organizadora do Rally da Safra, que começa os trabalhos de campo a partir desta segunda-feira (11), aponta que, apesar do cenário mais apertado em algumas regiões, ainda há espaço para ajustes nas estimativas, dependendo das condições climáticas nas próximas semanas.
“O comportamento das chuvas em maio será decisivo para consolidar o potencial das lavouras, e as avaliações de campo tornam-se essenciais para aprofundar as análises e ajustar nossos números até o final de junho, quando encerraremos a etapa milho”, explica André Debastiani, coordenador da expedição.
Maior contraste está relacionado ao calendário de plantio
Segundo a Agroconsult, o primeiro grande contraste da safra atual está relacionado ao calendário de plantio. Em várias regiões, o excesso de chuvas entre fevereiro e março prolongou o ciclo da soja e atrasou sua colheita, reduzindo o ritmo de implantação da segunda safra de milho.
Goiás aparece entre os casos mais críticos. No estado, 46% das lavouras foram plantadas fora da janela considerada ideal, em um calendário classificado como de alto risco climático.
Por outro lado, o Oeste e o Médio-Norte de Mato Grosso registraram situação mais favorável, com cerca de 95% das áreas implantadas dentro da janela ideal e considerada de baixo risco.
Abril seco agravou cenário das lavouras
Outro fator de pressão identificado pela Agroconsult foi o comportamento do clima durante o mês de abril. Em algumas regiões produtoras, o período sem chuvas chegou a durar até 30 dias.
De acordo com a consultoria, as regiões que tiveram plantio realizado em janelas mais arriscadas coincidiram com aquelas que registraram os menores volumes de precipitação.
Esse cenário contribuiu para a redução da produtividade média estimada no levantamento pré-Rally. A projeção passou de 114,4 sacas por hectare na safra passada para 101,9 sacas nesta temporada.
Com exceção de São Paulo, todos os principais estados produtores devem apresentar produtividade menor na comparação com 2024/25.
Segundo a Agroconsult, o recuo não está relacionado apenas às adversidades climáticas deste ano, mas também ao fato de a safra anterior ter sido uma das mais produtivas da história.
Potencial da safra de milho varia entre estados
Os dados preliminares mostram deterioração mais intensa em alguns estados do Centro-Oeste e Sudeste. Em Goiás, apenas 39% das lavouras ainda apresentam alto potencial produtivo garantido, abaixo dos 62% observados no mesmo período da safra passada. No Mato Grosso do Sul, o índice caiu de 53% para 39%.
Em Minas Gerais, a situação também piorou. Apenas 25% das áreas mantêm elevado potencial produtivo assegurado, ante 46% registrados no ciclo anterior.
Já Mato Grosso segue em condição mais favorável. Segundo a Agroconsult, aproximadamente 80% das lavouras do estado ainda sustentam elevado potencial de produtividade.
Goiás lidera perdas na produtividade de milho
Entre os principais produtores, Goiás deve registrar a maior queda de rendimento por hectare. A estimativa atual aponta produtividade de 90 sacas por hectare, contra 127 sacas no ciclo passado.
No Mato Grosso do Sul, a projeção caiu de 102 para 90,5 sacas por hectare. Já no Paraná, a expectativa recuou de 104,5 para 92,5 sacas.
Mato Grosso também deve apresentar redução, embora siga como destaque positivo nacional. A estimativa atual indica produtividade de 123 sacas por hectare, abaixo das 131,9 sacas registradas na safra 2024/25. Os números ainda passarão por validação das equipes em campo do Rally da Safra.
Área plantada cresce em parte dos estados
A área destinada ao milho segunda safra também apresenta comportamentos distintos entre os estados. Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul devem registrar expansão próxima de 4% na área cultivada. Em sentido contrário, Goiás e Minas Gerais devem apresentar retração em torno de 5%.
A estimativa total da área plantada da segunda safra é de 18,3 milhões de hectares, que representa um avanço de 1,5% sobre o ciclo anterior.
Segundo Debastiani, o crescimento poderia ter sido maior, mas o atraso no calendário agrícola levou muitos produtores a reverem o planejamento de semeadura para evitar exposição a riscos climáticos mais elevados.
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Rally da Safra inicia etapa de campo
A expedição técnica do Rally da Safra inicia os trabalhos de campo nesta segunda-feira (11) e seguirá até 23 de junho. As equipes devem percorrer cinco estados para avaliar as condições da segunda safra de milho, observando fatores como clima, janela de plantio e nível de investimento realizado nas lavouras.
Na primeira etapa do projeto em 2025, voltada à soja, o Rally da Safra avaliou mais de 1,7 mil lavouras durante as fases de desenvolvimento e colheita em 14 estados.
Segundo a Agroconsult, as áreas analisadas representam 97% da área de produção de soja do país e 72% da área cultivada com milho no Brasil.











