A safra de milho no Brasil deve atingir 144,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo estimativa atualizada da Agroconsult após o encerramento do Rally da Safra. O volume supera a projeção anterior (140,5 milhões) divulgada no início da Etapa Milho, em 7 de maio.
Apesar da revisão para cima, as projeções permanecem abaixo das 152,3 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. A área total cultivada é estimada em 22,6 milhões de hectares.
A segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional, deve somar 115,8 milhões de toneladas, ante 125,3 milhões de toneladas na temporada passada. Essa projeção também foi revisada para cima em relação aos 112 milhões de toneladas estimados no início da Etapa Milho, refletindo os resultados observados durante o Rally da Safra, que percorreu mais de 104 mil quilômetros entre janeiro e junho, na maior edição da história.
Mesmo com a revisão positiva, a produção foi limitada por uma combinação de clima irregular, calendário de plantio mais apertado, custos elevados e preços menos favoráveis, fatores que afetaram o desempenho das lavouras e a rentabilidade dos produtores.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, avalia que a produção brasileira continua expressiva, mas é importante diferenciar volume produzido de resultado econômico. “Nessa safra, o produtor enfrentou uma combinação de custos elevados e preços pressionados, o que reduz a rentabilidade da atividade”, esclareceu.
Segundo ele, o ambiente geopolítico e macroeconômico também traz desafios em relação a como conduzir a agricultura no Brasil.
Esse cenário reúne fatores distintos. O crescimento do consumo doméstico para produção de ração animal e etanol mantém a demanda interna aquecida. Por outro lado, a perspectiva de uma grande safra nos Estados Unidos e na Argentina amplia a concorrência no mercado internacional e aumenta a pressão sobre as exportações brasileiras de milho.
Regiões tiveram desempenhos distintos durante a safra de milho
O Rally da Safra identificou três grupos de desempenho ao longo da temporada. O primeiro reúne o Médio Norte e Oeste de Mato Grosso, Sul de Mato Grosso do Sul, Oeste do Paraná e Sul de São Paulo, regiões que registraram as melhores condições produtivas. Nesses locais, os produtores conseguiram realizar o plantio dentro da janela considerada de menor risco, alcançando os melhores resultados de produtividade.
O segundo grupo engloba Maranhão, Piauí, Tocantins, Norte do Paraná, Sudoeste de São Paulo e parte do Leste de Mato Grosso. Embora tenham contado com condições de plantio consideradas razoavelmente favoráveis, os atrasos e o prolongamento do ciclo fizeram com que parte dos produtores reduzisse a área cultivada ou assumisse riscos maiores durante a safra.
O grupo mais afetado foi formado por Goiás, Sudeste de Mato Grosso, Norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Nessas regiões, o plantio ocorreu fora da janela considerada ideal, provocando redução de área e perdas relevantes de produtividade em razão da interrupção antecipada das chuvas entre abril e maio.
Mato Grosso lidera produtividade, enquanto Goiás registra maior queda
Entre os estados monitorados, Mato Grosso apresentou o melhor desempenho, com produtividade média de 130 sacas por hectare, recuo de 1,4% em relação à safra passada.
Segundo o levantamento, o Médio Norte e o Oeste do estado se destacaram por realizarem o plantio dentro do período adequado, favorecendo maior população de plantas, maior número e melhor tamanho de espigas. Com isso, essas regiões devem produzir em nível semelhante ao registrado no ciclo anterior.
Já as regiões Leste e Sudeste de Mato Grosso enfrentaram atrasos na semeadura, o que resultou em produtividade inferior.
Na ponta oposta, Goiás registrou um dos maiores impactos da temporada, com produtividade média de 83 sacas por hectare, volume que representa uma queda de 34,6% em comparação com a safra anterior.
Em Mato Grosso do Sul, a produtividade média foi de 99,3 sacas por hectare, beneficiada pelo bom desempenho do Sul do estado; enquanto no Paraná, a média alcançou 97,9 sacas por hectare, com destaque para a região Oeste, e em Minas Gerais, a produtividade caiu 22,2%, enquanto no MAPITO a retração foi de 14,9% frente ao ciclo anterior.

Área plantada ficou estável, mas estados tiveram movimentos distintos
A área nacional destinada ao milho de segunda safra foi estimada em 18,2 milhões de hectares, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Apesar da estabilidade no total nacional, houve mudanças importantes entre os estados, refletindo os riscos associados ao calendário de plantio.
Levantamento realizado pelo Rally da Safra com imagens de satélite do CropData aponta aumento de 2% da área cultivada em Mato Grosso, 5,2% em Mato Grosso do Sul, 4,2% no Paraná e 10,3% em Rondônia. Em sentido contrário, houve redução de 5,9% em Goiás, 4,7% em Minas Gerais e 9,1% na região do MAPITO.
A expedição avalia que a temporada foi marcada por chuvas excessivas em março, que atrasaram a implantação das lavouras, seguidas por períodos de seca em abril e maio em importantes áreas produtoras do Centro-Oeste. Algumas regiões voltaram a registrar precipitações em junho, mas a recuperação não foi suficiente para compensar integralmente as perdas já consolidadas.
Na produtividade das lavouras tardias, Mato Grosso manteve os melhores resultados, com 121 sacas por hectare na safra 2025/26, mesmo patamar observado na temporada anterior e acima das 101 sacas registradas em 2023/24. Goiás apresentou a maior deterioração, com produtividade de 70 sacas por hectare, ante 113 sacas em 2024/25 e 88 sacas em 2023/24.
Mato Grosso do Sul alcançou 96 sacas por hectare, abaixo das 100 sacas do ciclo anterior, mas superior às 60 sacas de 2023/24. No Paraná, a produtividade ficou em 93 sacas por hectare, ligeiramente inferior às 95 sacas da temporada passada e acima das 65 sacas registradas há dois ciclos.
Produtores monitoram risco climático na safra de milho
A colheita segue em andamento em áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul. Nesses estados, os produtores continuam acompanhando o risco de frio sobre lavouras que ainda estão na fase de enchimento de grãos.
Segundo o levantamento, embora o potencial de perdas seja limitado neste estágio da safra, as condições climáticas permanecem no radar dos produtores até a conclusão da colheita.
Mesmo nesse período, ainda há risco de geada para regiões do Paraná e granizo em São Paulo, oferecendo perigo às regiões mais tardias, mas a maior parte do risco já passou, informa Debastiani.
Pragas também acendem alerta
O levantamento do Rally da Safra indica que as lavouras de ciclo médio e tardio apresentaram desempenho positivo na maior parte das regiões monitoradas, com exceção de Goiás. O estudo também identificou boa população de espigas por hectare e o maior número de grãos por hectare da série histórica nas áreas avaliadas, novamente com Goiás como exceção.
O monitoramento também mostrou que o manejo fitossanitário foi eficiente ao longo da safra. Mesmo com o aumento da presença da lagarta-do-cartucho e da lagarta-da-espiga, o controle das pragas foi considerado satisfatório nas lavouras avaliadas.
Os dados apontam ainda aumento da incidência dessas pragas entre as safras 2024/25 e 2025/26. No Oeste de Mato Grosso, a presença passou de 44% para 56% das áreas monitoradas. No Sudeste do estado, avançou de 35% para 59%. Em Goiás, a ocorrência foi ainda mais elevada, subindo de 34% para 74% das lavouras.












