A safra de algodão no Brasil deve atingir 4,2 milhões de toneladas de pluma, volume 1,5% inferior ao da temporada 2024/25, segundo projeção da Agroconsult, organizadora do Rally da Safra, cuja etapa dedicada ao algodão começa nesta segunda-feira (27).
A redução da produção é atribuída principalmente ao recuo de 4,1% na área plantada, estimada em 2,12 milhões de hectares. Apesar desse fator, a consultoria prevê um desempenho mais eficiente das lavouras, com produtividade média de 318 arrobas de algodão em caroço por hectare, que deve compensar parte da perda de produção.
A colheita brasileira abastecerá o mercado internacional entre agosto de 2026 e julho de 2027, período em que a Agroconsult projeta um déficit global de aproximadamente 600 mil toneladas de algodão.
Segundo Heloísa Melo, sócia-diretora da Agroconsult e coordenadora técnica da etapa do Rally da Safra, a expectativa de menor oferta mundial está ligada à redução da produção nos principais países exportadores e produtores, como Austrália, Estados Unidos e, possivelmente, China e Índia.
De acordo com a especialista, fatores climáticos reforçam esse cenário. Na Índia, os efeitos do El Niño provocaram atrasos no plantio e no regime de monções, enquanto nos Estados Unidos há preocupações com as condições das lavouras.
A combinação desses fatores deve manter o mercado global em déficit ao longo da temporada e, na avaliação da consultoria, dar sustentação aos preços internacionais da fibra durante todo o ciclo 2026/27.
Mato Grosso deve produzir menos algodão, apesar do ganho de produtividade
Maior produtor de algodão do País, Mato Grosso concentra a maior parte da redução da área cultivada. As estimativas preliminares indicam queda de 6,5% na área plantada em relação à safra passada. Com isso, a produção de pluma no estado deve recuar 5,6%, para cerca de 2,9 milhões de toneladas.
Apesar da redução no volume colhido, a produtividade deve avançar para 318 arrobas de algodão em caroço por hectare, acima das 315 arrobas registradas na temporada anterior.
As projeções também mostram que a região Médio Norte ampliou significativamente as lavouras e consolidou-se como a maior região produtora de algodão tanto de Mato Grosso quanto do Brasil. A expectativa é de bom desempenho das lavouras em praticamente todo o estado, com exceção da região Leste, onde a irregularidade das chuvas durante o desenvolvimento da cultura pode limitar os resultados.
Bahia mantém área estável
Na Bahia, a área destinada ao algodão deve permanecer praticamente inalterada, em 425 mil hectares, considerando áreas de sequeiro e irrigadas.
Segundo a Agroconsult, a diminuição das áreas cultivadas em sequeiro será compensada pelo crescimento das lavouras irrigadas, que seguem ganhando espaço no estado.
Segundo Heloísa Melo, “este é o novo normal da Bahia, com uma nova curva de calendário de plantio: a área irrigada já representa quase metade de toda área plantada do estado, o que justifica o plantio mais ‘atrasado’ desse ciclo”.
A produção baiana deve alcançar 882 mil toneladas de pluma, alta de 10,6% em relação à safra anterior. A produtividade média é estimada em 335 arrobas de algodão em caroço por hectare.
Segundo a coordenadora técnica, os primeiros resultados da colheita indicam potencial para um desempenho ainda melhor.











