Poucos brasileiros sabem, mas o lanche de pão francês, rosbife e queijo derretido não nasceu em Bauru. A cidade do interior paulista virou nome de receita por causa de um estudante, e hoje coleciona outros títulos além do gastronômico.
O apelido de um estudante virou patrimônio cultural
Casimiro Pinto Neto era bauruense e estudava Direito no Largo de São Francisco, na capital. Em 1937, pediu ao chapeiro do Ponto Chic um lanche diferente: pão francês sem miolo, queijo derretido em banho-maria, rosbife e tomate. Os colegas gritavam “me vê um do Bauru”, em referência ao apelido dele, e o nome pegou.
A cidade oficializou a receita pela Lei Municipal 4.314, de 1998, e desde 2018 o lanche é Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo. Em 2024, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) também o registrou no Livro de Saberes. Quem quiser provar a versão certificada tem endereço garantido no Bar Skinão, no centro.

De maior entroncamento ferroviário do Brasil a polo universitário
A história recente da cidade começa nos trilhos. Em 1905 chegou a Estrada de Ferro Sorocabana, em 1906 a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil partiu daqui rumo ao Mato Grosso, e em 1910 a Companhia Paulista completou o encontro das três linhas. Segundo registros da Biblioteca do IBGE, Bauru chegou a ser considerada o maior entroncamento ferroviário do país.
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Esse trânsito atraiu imigrantes japoneses, italianos e nordestinos, e a cidade cresceu para cima da linha. Hoje abriga campi da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP), além da tradicional Faculdade de Odontologia de Bauru. Segundo o IBGE Cidades, o município tinha 379.146 habitantes em 2022, o que o coloca entre os 20 mais populosos de São Paulo.

O que fazer em Bauru além de comer o sanduíche original
A cidade combina parques urbanos, museus e o legado ferroviário em atrações a poucos minutos umas das outras. A entrada é gratuita ou barata na maior parte delas.
- Jardim Botânico Municipal: 321 hectares de cerrado preservado, com trilha ecológica, orquidário e coleção de bromélias. Aberto de segunda a domingo.
- Zoológico Municipal: fica na SP-225 e abriga centenas de animais de dezenas de espécies, com foco em conservação e educação ambiental.
- Parque Vitória Régia: cartão-postal na Avenida Nações Unidas, com concha acústica em formato da planta que dá nome ao lugar.
- Estação Ferroviária de Bauru: prédio de 1939 que centralizou as três ferrovias e hoje abriga a Casa da Cultura Hip-Hop, cena forte na cidade.
- Museu Ferroviário Regional: locomotivas a vapor, vagões restaurados e o acervo que conta a expansão do oeste paulista.
- Catedral do Divino Espírito Santo: templo do início do século XX no coração do centro.
Quem quer conhecer Bauru, em São Paulo, vai curtir este vídeo do canal Dikas da Kika • Passeios e Viagens, que conta com mais de 9 mil visualizações e apresenta 5 atrações imperdíveis, incluindo o Jardim Botânico, o Zoológico e a oportunidade de experimentar o autêntico sanduíche Bauru no Esquinão:
Um hospital do SUS que virou referência mundial
O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) nasceu em 1967 dentro da USP Bauru, depois de um estudo que identificou fissura labiopalatina em 1 a cada 650 crianças da cidade. De lá para cá, já atendeu mais de 128 mil pacientes de todos os estados, gratuitamente pelo SUS.
Em 2021, a organização internacional Smile Train escolheu o Centrinho como Centro de Liderança em Fissuras Labiopalatinas, ao lado de instituições no México, Chile, Índia, Gana, Vietnã e Filipinas. O hospital funciona como modelo de treinamento para outros países e recebe pacientes que viajam semanas para chegar até aqui.
Como é o clima em Bauru ao longo do ano?
A cidade tem clima tropical de altitude, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. Julho é o mês mais seco e agosto costuma ter picos de baixa umidade do ar.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bauru?
A cidade fica a 326 km da capital paulista, cerca de 4 horas pela Rodovia Marechal Rondon (SP-300) ou pelo Sistema Castelo-Marechal. Há voos diários no Aeroporto Estadual Moussa Nakhl Tobias, que conecta Bauru a Campinas e São Paulo. Ônibus interestaduais chegam ao Terminal Rodoviário no centro, onde fica a estátua do “Bauruzinho”.
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Vá além do sanduíche
Bauru é mais do que a receita que carrega seu nome: guarda um dos maiores museus ferroviários do país, um hospital que virou referência mundial e uma cena cultural que mistura hip-hop, cerrado e churros de sabores improváveis.
Você precisa conhecer Bauru e provar o sanduíche na cidade que abraçou o nome, mesmo tendo visto o lanche nascer a 326 km dali.











