A 313 km de São Paulo, no nordeste paulista, uma cidade construída sobre a terra roxa reuniu no mesmo território o auge do café mundial no início do século XX e o cinturão de microcervejarias mais premiado do Brasil hoje. Ribeirão Preto foi fundada em 19 de junho de 1856 e apelidada de Pequena Paris nas três primeiras décadas do século passado, quando o café produzido na região abastecia a Europa e financiava mansões, cabarés e casas de ópera. Um século depois, a cidade trocou o protagonismo: em pesquisa da Booking.com com 47 mil pessoas em 28 países, foi eleita a maior referência global em cerveja artesanal, à frente de Munique e Bruxelas.
De patrimônio de São Sebastião em 1856 à Capital Mundial do Café
A história começou por volta de 1811, quando famílias mineiras chegaram à região praticando agricultura de subsistência. Já estabelecidas como fazendeiras, doaram terras para formar o patrimônio de São Sebastião e cumprir as exigências da Lei da Terra. Segundo o portal oficial da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, em 19 de junho de 1856 foram lavradas as escrituras que oficializam a fundação da cidade. O plantio de café começou em 1870 e ganhou escala industrial em 1883.
Em 1900, Ribeirão Preto era conhecida como Capital Mundial do Café. O maior produtor do mundo era Francisco Schmidt, dono da Fazenda Monte Alegre, com 14 milhões de pés cafeeiros e 700 mil sacas produzidas por ano no auge. A fazenda foi o primeiro local da cidade a receber luz elétrica e, em 1940, foi desapropriada pelo governo para fins educacionais. Nas três primeiras décadas do século XX, a riqueza do café rendeu o apelido de Pequena Paris. As famílias se vestiam à moda francesa, e a arquitetura do Palácio Rio Branco, sede da Prefeitura, foi inspirada em palacetes dos subúrbios da capital francesa. O bairro Campos Elíseos homenageia a Avenida Champs-Élysées. A quebra da bolsa de Nova York em 1929 encerrou o ciclo.

Chope Pinguim desde 1936 e a segunda cervejaria artesanal do Brasil
Antes da crise do café, a cidade já tinha começado a se industrializar. Em 1910, foi instalada a Companhia Cervejaria Paulista, seguida pela Companhia Antártica em 1911, que também construiu o Teatro Pedro II. A fábrica inaugurou a Choperia Pinguim em 1936, frequentada pela elite do café e ainda em funcionamento no calçadão do centro histórico. Suas mesas e cadeiras em formato de pinguim viraram marca registrada da cidade. O chope de Ribeirão Preto ficou nacionalmente famoso por usar a água pura do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do planeta.
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A tradição cervejeira se reinventou nos anos 1990. Em 1996, foi fundada a Cervejaria Colorado, a segunda cervejaria artesanal do Brasil, que hoje oferece tour pela fábrica e bar próprio. A Colorado abriu caminho para o cinturão de mais de 25 cervejarias artesanais premiadas que operam em Ribeirão Preto e região, todas usando a mesma água do Aquífero Guarani que consagrou o chope Pinguim. Foi essa combinação de qualidade e volume que rendeu à cidade o reconhecimento global da Booking.com.

O que fazer entre o Quarteirão Paulista e o Bosque Fábio Barreto
Ribeirão Preto guarda o casario da era do café no centro histórico e distribui parques, museus e cervejarias por toda a área urbana. Reserve pelo menos três dias para o essencial.
- Quarteirão Paulista (Praça XV de Novembro): conjunto arquitetônico da era do café, coração histórico da cidade.
- Choperia Pinguim: em funcionamento desde 1936, no calçadão central, com mesas em formato de pinguim.
- Teatro Pedro II: construído pela Antártica nos anos 1920 e restaurado nos anos 1990, palco de temporada operística.
- Museu do Café Francisco Schmidt: instalado no casarão do maior produtor mundial de café da virada do século.
- Cervejaria Colorado: segunda cervejaria artesanal do Brasil, com tour pela fábrica e bar no local.
- Bosque e Zoológico Fábio Barreto: espécies nativas e exóticas em trilhas ecológicas.
- Parque Doutor Luiz Carlos Raya: um dos principais parques urbanos, com lago artificial e pista de caminhada.
Quem deseja explorar uma região menos conhecida do estado do Rio de Janeiro, mas repleta de paisagens naturais e cultura, vai curtir este vídeo selecionado do canal Vivendo Fora da Caixa, onde a apresentadora explora Resende (RJ), revelando um roteiro que inclui o Ecoparque (um parque urbano recente), a vizinha Penedo (famosa por suas decorações de Natal) e as deslumbrantes cachoeiras da Serrinha do Lambari, com ótimas dicas de hospedagem e gastronomia.
Agrishow, USP e o polo de saúde da terapia CAR-T Cell
A cidade é sede da Agrishow, a maior feira de agronegócio da América Latina, que reúne fabricantes de máquinas, tecnologia e insumos de todo o mundo. O evento anual é o motor turístico do calendário e movimenta hotéis, restaurantes e o comércio local. Segundo a Prefeitura de Ribeirão Preto, a cidade é oficialmente reconhecida como Capital Nacional do Agronegócio, e a região metropolitana é referência mundial no setor sucroalcooleiro.
Ribeirão Preto também é um dos principais polos universitários e de saúde do país. Abriga a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital das Clínicas, referência nacional em transplantes de órgãos e tratamentos de alta complexidade. Em 2023, o Ministério da Saúde confirmou repasse de R$ 100 milhões para pesquisa da terapia celular CAR-T Cell na Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Instituto Butantan. A cidade tem mais de 230 startups e sedia o SUPERA Parque Tecnológico, resultado de convênio entre a Prefeitura, o Governo do Estado e a USP.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Ribeirão Preto tem clima tropical úmido com verões quentes e chuvosos e invernos secos. A altitude média de 546 metros e o sol praticamente diário durante o ano rendem o apelido de Califórnia Brasileira, cunhado nos anos 1980 pelo jornalista Ricardo Kotscho em reportagem no Jornal do Brasil. Entre junho e setembro, a umidade cai bastante e exige hidratação constante.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Ribeirão Preto
De São Paulo são 313 km pela Rodovia Anhanguera (SP-330), cerca de três horas e meia de carro. A SP-322 (Rodovia Attílio Balbo) conecta a cidade a Franca e ao Triângulo Mineiro. O Aeroporto Estadual de Ribeirão Preto Leite Lopes recebe voos diretos de São Paulo (Congonhas e Guarulhos), Campinas, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e outros destinos. De Brasília são 708 km. Linhas rodoviárias regulares conectam Ribeirão a todo o interior paulista e ao sul de Minas Gerais. Dentro da cidade, aplicativos de transporte cobrem toda a área urbana.
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Cruze a Anhanguera e conheça a Califórnia Brasileira
Ribeirão Preto guarda um pedaço raro do interior paulista, onde a riqueza da Pequena Paris convive com o cinturão de microcervejarias mais premiado do Brasil e um dos maiores polos de saúde do país. Poucos destinos combinam a segunda cervejaria artesanal do Brasil, referência global à frente de Munique e Bruxelas, a maior feira de agronegócio da América Latina e um dos hospitais universitários mais avançados do Sudeste.











