Poucas capitais brasileiras têm uma origem tão precisa quanto Natal. O nome vem literalmente da data de sua fundação, em 25 de dezembro de 1599, quando os colonizadores portugueses concluíram o povoado às margens do Rio Potengi. A curiosidade não é isolada. A cidade também tem o Forte dos Reis Magos, iniciado no Dia de Reis (6 de janeiro de 1598), em formato de estrela de cinco pontas erguido com pedras calcárias e óleo de baleia.
Da fortaleza estrelada de 1598 à Conferência do Potengi de 1943
A história de Natal começa antes mesmo da fundação oficial. Em 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis pelo calendário católico, tropas portuguesas comandadas pelo Capitão-mor Manuel de Mascarenhas Homem iniciaram a construção da Fortaleza da Barra do Rio Grande na foz do Rio Potengi. A ordem partia do rei Felipe II da Espanha, durante o período da Dinastia Filipina, e o objetivo era expulsar os corsários franceses aliados aos indígenas potiguares que contrabandeavam pau-brasil na região. A cidade só foi oficialmente fundada em 25 de dezembro de 1599, ganhando o nome que celebra a data. A fortaleza foi renomeada Forte dos Reis Magos em homenagem ao dia do início da construção.
O forte foi invadido pelos holandeses em 1633, que o rebatizaram de Kastell Keulen, e retomado pelos portugueses em 1654. Segundo divulgação do portal oficial do Memorial da Câmara Municipal de Natal, o marco inicial da cidade preserva canhões originais, alojamentos e uma capela com poço de água doce. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1949, ostenta uma planta poligonal irregular erguida em alvenaria de pedra e cal. Séculos depois, na Segunda Guerra Mundial, a cidade voltou a fazer história. Sua posição de ponto mais próximo do continente africano transformou Natal na base militar aliada mais estratégica do Atlântico Sul. Em janeiro de 1943, o presidente americano Franklin Roosevelt e o presidente brasileiro Getúlio Vargas se reuniram na cidade na chamada Conferência do Potengi.

Ponta Negra, Morro do Careca e o cartão-postal da Cidade do Sol
A Praia de Ponta Negra, a 15 km do centro histórico, é o principal cartão-postal turístico de Natal. Com 4 km de orla, concentra hotéis, pousadas, resorts, bares, restaurantes e a vida noturna mais movimentada da capital potiguar. No canto direito da praia, o famoso Morro do Careca ergue-se com 107 metros de altura, formando uma duna que virou símbolo da cidade e do Rio Grande do Norte. A visitação ao morro está fechada há décadas para preservação, hoje reconhecido como Monumento Ambiental, mas a paisagem pode ser contemplada de perto pelos frequentadores da praia. O acesso ao mar é tranquilo e o pôr do sol na orla virou tradição diária dos moradores locais.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
Além de Ponta Negra, o roteiro urbano inclui o Parque das Dunas, primeira área de preservação ambiental do Rio Grande do Norte, criado em 1977. O Farol de Mãe Luíza, a Praia dos Artistas, a Praia do Meio e a Praia do Forte completam o litoral urbano. No entorno, os passeios se estendem para Genipabu, com dunas móveis de até 50 metros de altura percorridas em buggys com opção com ou sem emoção, lagoas de água doce e dromedários. Ao norte, os Parrachos de Maracajaú oferecem 13 km² de arrecifes de coral a 7 km da costa. Ao sul, a Praia da Pipa, com suas falésias e golfinhos, virou destino inseparável de qualquer roteiro pela cidade.

O Maior Cajueiro do Mundo entrou no Guinness Book em 1994
Uma das atrações mais curiosas da região está a 15 km ao sul de Ponta Negra, em Pirangi do Norte, município de Parnamirim. Trata-se do Maior Cajueiro do Mundo, registrado no Guinness Book desde 1994. A árvore-recorde ocupa uma área de 8.500 m² de copa, o equivalente a 70 cajueiros normais, e produz de 70 a 80 mil cajus por safra, que somam cerca de 2,5 toneladas. Segundo informações históricas locais, o cajueiro foi plantado em 1888 no terreno de um pescador. Uma anomalia genética faz com que seus galhos cresçam para baixo até tocar o solo, onde criam raízes e formam novos troncos que se espalham indefinidamente. A árvore continua a crescer.
A visitação é feita por passarelas elevadas de madeira construídas por cima da copa. O passeio dura cerca de 30 minutos e inclui um mirante que oferece a dimensão real do fenômeno, além de uma feira de artesanato local e paradas para provar suco de caju fresco. A árvore foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Rio Grande do Norte em 2015. É uma das Sete Maravilhas do Rio Grande do Norte ao lado do Forte dos Reis Magos, do Morro do Careca e outras atrações naturais. Também curiosa é a origem do gentílico local: os habitantes são chamados potiguares, palavra tupi-guarani que significa comedor de camarão, referência à fartura de frutos do mar que sempre marcou a costa potiguar.
Este vídeo do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, com 299 mil visualizações, oferece um roteiro detalhado e prático para quem pretende visitar Natal (RN), um destino que se destaca pelo sol, belas praias e excelente gastronomia.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Natal tem clima tropical quente e semiúmido, com brisas constantes do Atlântico que amenizam a sensação térmica. As temperaturas variam pouco durante o ano, com médias entre 21°C nas madrugadas de julho e 32°C nas tardes de janeiro. As chuvas se concentram entre abril e julho, com médias mensais que ultrapassam 142 mm em julho. A estação seca vai de setembro a fevereiro, com dias ensolarados e menor volume de chuvas. Os cerca de 300 dias de sol por ano justificam o apelido de Cidade do Sol. A temperatura do mar mantém-se entre 26°C e 28°C durante o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Para chegar a Natal, o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, fica a 26 km do centro e recebe voos diretos das principais capitais brasileiras. De Recife são 300 km pela BR-101. De Fortaleza são 530 km. Dentro da capital, buggys, aplicativos de transporte e táxis conectam os principais bairros turísticos.
Leia também: A única igreja de Lina Bo Bardi no interior do Brasil está em uma das maiores cidades mineiras
Cruze a BR-101 e conheça a cidade que virou o próprio dia de Natal
Natal guarda um pedaço raro do Nordeste brasileiro, onde 426 anos de história convivem com o Forte dos Reis Magos em formato de estrela erguido no Dia de Reis, o Maior Cajueiro do Mundo registrado no Guinness Book desde 1994 e o legado do Trampolim da Vitória na Segunda Guerra Mundial. Poucos destinos combinam a origem de nome tão literal (fundada em pleno dia de Natal de 1599), 300 dias de sol por ano, dunas móveis em Genipabu de até 50 metros e a hospitalidade dos potiguares, os comedores de camarão em tupi-guarani.











