Poucas cidades brasileiras conseguem juntar em um único endereço a única filial internacional de uma instituição russa fundada há mais de 240 anos, o maior festival de dança do planeta segundo o Guinness e um dos maiores polos industriais do país. No norte de Santa Catarina, a 130 km de Curitiba, Joinville guarda esse conjunto. A cidade tem cerca de 664 mil habitantes, é a maior do estado catarinense e abriga a única Escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia.
Como o Bolshoi de Moscou chegou ao sul do Brasil?
A resposta está em uma decisão histórica. Segundo o site oficial da Escola Bolshoi no Brasil, foi a primeira vez em 224 anos que a casa-mãe da instituição russa, fundada em 1776, cedeu seu método de ensino para outro país. A escola brasileira foi inaugurada em 15 de março de 2000 e ocupa espaço no Centreventos Cau Hansen, no centro de Joinville. A vinda foi articulada pelo então prefeito Luiz Henrique da Silveira em parceria com o bailarino russo Vladimir Vasiliev.
A escola segue rigorosamente o método Vaganova, o mesmo aplicado em Moscou. A formação é gratuita e leva oito anos, com direito a uniformes, sapatilhas, alimentação e assistência médica para todos os alunos. Em 25 anos de história, a instituição formou cerca de 480 bailarinos, muitos deles contratados por companhias na Rússia, na Inglaterra e nos Estados Unidos.

O que torna o Festival de Dança único no planeta?
A resposta está em números certificados. Segundo o Guinness World Records, o Festival de Dança de Joinville é o maior do mundo em número de participantes. O evento nasceu em 1983, dentro de um teatro local, e recebeu a chancela do Guinness em 2005.
Cada edição reúne mais de 7 mil bailarinos diretos e público superior a 230 mil pessoas ao longo de doze dias. São cerca de 170 horas de espetáculos distribuídas por palcos espalhados pela cidade, sempre em julho. Foi justamente esse reconhecimento que levou o Bolshoi de Moscou a escolher Joinville para sua única filial no exterior no ano 2000. Em 2016, a Lei Federal 13.314 oficializou a cidade como Capital Nacional da Dança.

Como Joinville nasceu de um dote real?
A história começa em um casamento europeu. Em 1843, a princesa Francisca Carolina de Bragança, irmã de Dom Pedro II, casou-se com o príncipe francês François Ferdinand de Orléans, o Príncipe de Joinville. O dote incluía 25 léguas quadradas de terras no norte catarinense, que o casal jamais visitou. Parte da área foi vendida à Sociedade Colonizadora de Hamburgo.
Em 9 de março de 1851, a barca Colon desembarcou os primeiros 118 colonos alemães, suíços e noruegueses às margens do Rio Cachoeira, fundando a Colônia Dona Francisca. O nome Joinville homenageia justamente o título do príncipe. A cidade cresceu com traçado europeu, palmeiras imperiais e arquitetura enxaimel. Na primeira metade do século XX, tornou-se um dos maiores centros fabris do país e ganhou o apelido de Manchester Catarinense.
Quais são as principais atrações turísticas?
Joinville distribui atrações entre o centro histórico, os morros e a Baía da Babitonga, um dos maiores estuários de Santa Catarina. Confira os principais programas:
- Escola do Teatro Bolshoi: visitas guiadas mostram as salas de aula, o ateliê de figurinos e os estúdios de balé.
- Museu Nacional de Imigração e Colonização: instalado no Palácio dos Príncipes, casarão de 1870 tombado pelo IPHAN desde 1939, com mais de 5 mil peças.
- Alameda Brustlein: corredor de palmeiras imperiais plantadas em 1873, apelidada de Rua das Palmeiras.
- Mirante da Serra Dona Francisca: a 750 m de altitude, com vista panorâmica que alcança a Baía da Babitonga.
- Mirante do Morro da Boa Vista: a 250 metros de altitude, com vista de 360 graus da cidade.
- Museu Arqueológico de Sambaqui: guarda vestígios de povos que habitaram a região entre 2 mil e 6 mil anos atrás.
- Estrada Bonita: no distrito de Pirabeiraba, com tradição rural alemã em meio à Mata Atlântica.
Este vídeo do canal Num Pulo, com 105 mil visualizações, apresenta um guia completo sobre Joinville (Santa Catarina), destacando os museus históricos, as charmosas cafeterias, o turismo na Baía de Babitonga, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e os belos parques floridos da cidade.
Como é o clima em Joinville ao longo do ano?
Joinville tem clima subtropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos amenos e secos. Veja abaixo a divisão por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Joinville?
De Curitiba, o trajeto é de cerca de 130 km, com aproximadamente 2 horas de carro pela BR-101. De Florianópolis, são cerca de 180 km, também pela BR-101, com 2h30 de viagem. A cidade tem aeroporto próprio, o Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, com voos regulares para as principais capitais brasileiras. Ônibus interestaduais fazem a ligação diária com o Sul e Sudeste.
A cidade catarinense onde a força industrial se equilibra com o balé
Joinville combina em pouco espaço a única filial internacional do Bolshoi, o maior festival de dança do mundo em número de participantes, uma tradição alemã de mais de 170 anos e um dos maiores polos industriais do país. Poucos lugares no Brasil conseguem oferecer essa combinação de patrimônio cultural, arquitetura europeia e economia pujante.











