A Eneva (ENEV3) concluiu na última sexta-feira (25), a aquisição de três usinas termelétricas controladas pelo BTG Pactual, localizadas no Espírito Santo: Linhares, Tevisa e Povoação.
Com essa operação, a capacidade de geração de energia da companhia aumenta em 14%, passando de 6,3 gigawatts (GW) para 7,2 GW em operação e em construção. A transação também torna a Eneva a maior geradora de energia termelétrica do Brasil.
Na manhã desta segunda-feira (28), as ações da Eneva (ENEV3) caíam 2,04%, negociadas a R$ 13,38.
Impacto para o mercado
A compra das usinas termelétricas é parte da estratégia de expansão da Eneva, visando melhorar sua estrutura de capital, o que pode gerar efeitos positivos no médio e longo prazo.
Segundo o CEO da Eneva, Lino Cançado, os novos ativos trazem sinergias operacionais e ajudam a reduzir a alavancagem — relação entre dívida e capital próprio — da companhia. A redução da alavancagem, por sua vez, abre espaço no balanço para novos investimentos, indicando possíveis futuras aquisições ou expansões.
O aumento da capacidade de geração também pode tornar a Eneva mais competitiva em leilões de energia, o que é relevante em um setor tão regulado e dependente de contratos de longo prazo com o governo.
Crescimento do Ebitda
Com essa aquisição, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Eneva deve aumentar 46%, passando de R$ 4,1 bilhões para R$ 6 bilhões, segundo dados estimados dos últimos 12 meses, com base no desempenho do segundo trimestre de 2024.
Esse incremento é um indicador importante de geração de caixa operacional, o que pode impactar diretamente a distribuição de dividendos e o valor das ações da companhia.
Detalhes das usinas adquiridas
As usinas adquiridas possuem diferentes capacidades e fontes de combustível, sendo todas localizadas no Espírito Santo:
- Linhares (ES): a Usina Termelétrica Luiz Oscar Rodrigues de Melo (UTE LORM), com capacidade de 240 MW, utiliza gás natural como combustível e recentemente fechou contrato de fornecimento de gás com a própria Eneva, no primeiro acordo desse tipo entre agentes privados.
Ativo foi adquirido pelas ações ordinárias de emissão da Linhares Brasil Energia Participações, por R$ 640,2 milhões e as debêntures da segunda emissão da Linhares Geração por R$ 214,8 milhões. - Tevisa (ES): com duas unidades, a UTE Viana (óleo) e UTE Viana 1 (gás natural), com capacidades de 175 MW e 37 MW, respectivamente. Ambas estão operacionais e foram contratadas em leilões de energia.
Operação ocorrerá mediante a emissão, em favor do BTG Pactual como acionista único de BTGP, de 119.322.767 novas ações ordinárias da Eneva. - Povoação Energia (ES): localizada em Linhares, tem capacidade de 75 MW e também utiliza gás natural como combustível.
Oferta pública de ações
A operação faz parte de um movimento maior da Eneva, que incluiu uma oferta pública de ações (follow-on) no valor de R$ 3,2 bilhões, anunciada em julho.
Na mesma ocasião, a empresa divulgou a compra da Geradora de Energia do Maranhão S.A. (Gera Maranhão), aquisição que ainda está em andamento e será concluída em breve.
O follow-on permitiu à Eneva captar recursos para financiar suas aquisições, fortalecendo seu caixa e melhorando sua estrutura de capital. Esse tipo de emissão de ações, onde uma empresa que já está no mercado realiza uma nova oferta, dilui a participação dos acionistas atuais, mas pode trazer retorno positivo ao aumentar os recursos disponíveis para investimentos.
*Com informações da agência de notícias CMA











