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Fictor, que tentou comprar Banco Master, admite atraso em dividendos e fala em problema de liquidez

Redação Por Redação
14/jan/2026
Em Empresas e ações, Notícias
Imagem: Divulgação

Imagem: Divulgação

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A Fictor Invest, que ganhou visibilidade no mercado ao tentar adquirir o Banco Master no fim de 2025, é alvo de reclamações de investidores por atrasos no pagamento de dividendos e em pedidos de resgate.

Em comunicado aos clientes nesta terça-feira (13), a empresa reconheceu dificuldades de caixa e informou que a situação deve ser regularizada até 12 de fevereiro.

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A Fictor afirmou estar atravessando “um momento atípico na história da companhia”, que resultou em um “desafio temporário de liquidez e de timing operacional”. Segundo a empresa, o atraso não decorre de insolvência nem de falta de compromisso com investidores.

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Os pagamentos em atraso estão relacionados às Sociedades em Conta de Participação (SCPs). Esse modelo, previsto no Código Civil, permite que investidores aportem recursos em projetos específicos e participem dos resultados da companhia. Diferentemente dos fundos tradicionais, as SCPs não são reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Fictor muda estratégia de captação em meio ao atraso de pagamentos

Desde 2021, a Fictor captou cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de SCPs. Segundo apuração do Neofeed, o grupo abriu ao menos 12 dessas estruturas, que somaram R$ 1,673 bilhão em capital social.

No fim de 2025, a empresa mudou a estratégia de captação e passou a arrecadar recursos para um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Nesse tipo de fundo, os investidores compram cotas lastreadas em recebíveis, como contratos e duplicatas.

No FIDC da Fictor, os retornos-alvo variam de 1,4% a 1,8% ao mês, dependendo do valor aplicado. O aporte mínimo é de R$ 30 mil. Para a faixa de retorno de 1,8% ao mês, o investimento mínimo exigido é de R$ 5 milhões.

Reclamações contra a Fictor aumentam em janeiro

Na plataforma Reclame Aqui, o volume de reclamações contra a Fictor aumentou de forma relevante. Entre julho e dezembro do ano passado, a empresa recebeu 12 reclamações. Apenas em janeiro de 2026, o número chegou a 39, um aumento de 225%, segundo levantamento da Folha.

A maioria das reclamações envolve atrasos no pagamento de dividendos. Um investidor relatou ao jornal ter sido obrigado a recorrer a empréstimos pessoais para honrar compromissos após deixar de receber valores que, segundo ele, eram tradicionalmente pagos no dia 10 de cada mês.

“Até 10 de dezembro, os pagamentos ocorreram normalmente. No entanto, em janeiro, o pagamento previsto para o dia 10 foi adiado para o dia 12. Depois, recebi nova promessa para o dia 13, também descumprida. Fui informado de que o pagamento seria realizado no dia 15”, relatou.

Outro investidor afirmou que possui quatro contratos com a Fictor, todos com pagamento de dividendos previsto para o dia 10. Segundo ele, as previsões de pagamento para os dias 12 e 13 de janeiro não foram cumpridas. “Diante do não pagamento, registro que a empresa não cumpriu o que está previsto em contrato”, disse.

Em relato ao Money Times, um investidor afirmou ter aplicado R$ 190 mil na Fictor em 2024, com promessa de retorno de 1,42% ao mês em dividendos. O pedido de resgate foi feito com expectativa de pagamento em dezembro, mas o valor não foi creditado. Segundo ele, além do resgate, os dividendos também passaram a atrasar.

Em resposta, a assessoria de imprensa da Fictor informou que os resgates de investimentos estruturados como SCPs seguem prazo de 60 dias (D+60). Dessa forma, valores esperados em dezembro se referem a solicitações feitas em outubro, antes de a empresa anunciar a intenção de compra do Banco Master.

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Próximos passos para lidar com atrasos nos pagamentos

Para enfrentar o desafio de liquidez, a Fictor informou ter iniciado a liquidação de operações e de ativos estratégicos. Segundo a empresa, as medidas já estão em andamento e não se limitam a diretrizes teóricas.

A companhia reiterou que deve anunciar, nos próximos dias, a entrada de um investidor relevante no grupo. De acordo com a Fictor, o movimento marcaria o início de uma nova etapa de fortalecimento financeiro e crescimento.

Tentativa de comprar o Banco Master e outras frustrações

Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor anunciou um acordo para adquirir o Banco Master por R$ 3 bilhões. A operação foi divulgada às vésperas da liquidação da instituição pelo Banco Central (BC) e da prisão de Daniel Vorcaro, então presidente do banco.

Na ocasião, a holding afirmou que a aquisição envolveria um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos, que, segundo a empresa, seriam responsáveis por mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão. O comunicado não detalhou quem seriam esses investidores. O Banco Central liquidou o Banco Master no dia seguinte ao anúncio.

Segundo nota assinada por Rafael Góis à época, a operação representaria a entrada da Fictor no mercado financeiro brasileiro: “Seguimos alinhados às melhores práticas de governança, com foco na distribuição de produtos sólidos e desenhados para responder com precisão às demandas do mercado nacional”, afirmou.

Antes disso, o grupo já havia feito uma oferta para adquirir o banco Porto Real, de pequeno porte, no Rio de Janeiro. A transação foi vetada pelo Banco Central. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast. O processo corre sob sigilo, e a motivação do veto não foi divulgada.

Um comunicado do Banco Central de julho do ano passado informou que os interessados em assumir o controle do banco eram a LPGR Participações S.A., como controladora direta, e Luiz Phillippe Gomes Rubini, como controlador final.

Operações financeiras e tecnologia

No início de 2024, o grupo criou a FictorPay, empresa de pagamentos e serviços financeiros. A operação inclui maquininhas de cartão para lojistas e um cartão de crédito com bandeira.

Como não possuía licenças do Banco Central para operar diretamente como instituição financeira ou empresa de pagamentos, a Fictor firmou parcerias com o Banco Genial, a startup Aarin (adquirida pelo Bradesco) e a Orbitall, responsável pelo processamento das operações do cartão.

No fim de 2025, a FictorPay foi alvo de um ataque cibernético que teve como foco o sistema Pix.

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Estrutura e negócios do grupo Fictor

Fundada em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores: financeiro, de infraestrutura, energia, alimentos e mercado imobiliário. Os principais sócios são Rafael Góis, Rafael Paixão e Phillippe Rubini.

O grupo afirma ter mais de 6 mil funcionários e um portfólio com mais de 30 empresas no Brasil, Estados Unidos e Europa.

Desde 2021, tem participado da consolidação do setor de frigoríficos no País por meio da Fictor Alimentos (FICT3), listada na B3 por meio de um IPO reverso. Em 2024, a Fictor e a Aqwa Capital adquiriram a Atom Empreendimentos e Participações, que foi rebatizada de Fictor Alimentos.

O Monitor do Mercado entrou em contato com a holding para obter informações sobre o processo de pagamento e o problema de liquidez, mas até o momento da publicação dessa matéria, a Fictor não havia se manifestado.

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