A Azul (AZUL54) informou na manhã desta quarta-feira (21) que credores e stakeholders concordaram em realizar um aporte adicional de US$ 100 milhões para apoiar a saída antecipada da companhia do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11.
De acordo com a companhia, o novo aporte se soma a outros recursos já previstos para viabilizar a antecipação da saída do processo.
Entre esses valores estão a garantia firme de subscrição de US$ 650 milhões no contexto da oferta pública de saída do processo e os US$ 200 milhões a serem investidos por investidores estratégicos.
Com isso, o volume total de recursos passa a ser de US$ 950 milhões, ante os US$ 850 milhões inicialmente considerados no plano.
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Segundo a companhia, a atualização do plano permitirá que a empresa saia do processo “significativamente mais saudável, com menor endividamento total, menores passivos de arrendamento e pagamentos de arrendamento de aeronaves, bem como uma alavancagem consideravelmente inferior”.
Azul também anuncia nova oferta pública de ações
A companhia informou também que realizará uma nova oferta pública de ações com o objetivo de captar até US$ 950 milhões. As ações serão emitidas com desconto de 30% em relação ao valor da empresa definido no plano do Chapter 11.
A operação faz parte da estratégia de capitalização prevista no processo de reestruturação financeira e está vinculada à saída do procedimento de recuperação judicial nos Estados Unidos.
Julio Moretti, fundador e CEO da NEOT, plataforma especializada em dados e inteligência analítica para processos de recuperação judicial e insolvência, avalia que esse novo aporte resolve o problema imediato de caixa (cash flow burn), comum em empresas aéreas, e permite que a Azul cumpra as cláusulas do Plano de Recuperação Judicial de forma acelerada.
Moreti ressalta que a antecipação da saída da recuperação também evita custos com administradores judiciais, perícias, taxas e, principalmente, o “custo de reputação”, que afeta o crédito com fornecedores.
“No mercado, isso significa recuperar o full rating de crédito mais rapidamente e reduzir o spread das taxas de juros em futuras captações”, explica.
Plano de recuperação
O plano atualizado mantém a estimativa de uma alavancagem líquida pro forma de 2,5 vezes em relação ao Ebitda na saída do processo de reestruturação.
Também é prevista uma liquidez disponível ajustada de US$ 811 milhões no momento da saída do Chapter 11.
Para 2029, a empresa projeta uma alavancagem líquida de 1 vez e liquidez disponível de cerca de US$ 1,96 bilhão.
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Moreti, avalia que no Direito da Insolvência, o tempo é o maior inimigo do valor dos ativos e que “o fato de os credores da Azul estarem dispostos a aportar capital indica que eles preferem o sucesso da companhia a uma liquidação fragmentada.”
O executivo avalia o anúncio como uma notícia positiva não apenas para a companhia, mas para todo o mercado, considerando que a antecipação da saída da recuperação judicial coloca a Azul em um “cenário de ouro”, marcando uma posição de vanguarda na reestruturação do setor aéreo.”


