Uma investigação da Polícia Federal (PF) indica que o Grupo Fictor e células da facção criminosa Comando Vermelho (CV) utilizaram uma mesma estrutura para aplicar fraudes contra bancos e realizar lavagem de dinheiro. O modelo era baseado na criação de empresas fictícias, movimentações financeiras simuladas e cooptação de funcionários de instituições financeiras, aponta publicação do G1.
A apuração faz parte da Operação Fallax, deflagrada nesta quarta-feira (25) em três estados. O esquema investigado pode ter provocado prejuízos que ultrapassam R$ 500 milhões.
Entre os alvos da operação está Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, que teve mandados de busca.
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Segundo sua defesa, apenas um telefone celular foi apreendido durante a diligência.
“Foi realizada hoje diligência de busca e apreensão na residência de Rafael Góis, CEO da Fictor, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal. Apenas o seu celular foi apreendido. Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos”, diz a nota.
Fictor atuava como núcleo financeiro do esquema
De acordo com a Polícia Federal, o Grupo Fictor teria estruturado um modelo sofisticado de fraude e atuava como núcleo financeiro do esquema utilizado para a prática de fraudes.
A investigação aponta que o grupo ajudava a estruturar empresas de fachada, fornecia recursos para sustentar simulações de fluxo de caixa e operava mecanismos usados para induzir instituições financeiras a erro.
Esse sistema envolvia abertura em grande escala de companhias fictícias, uso de “laranjas” (pessoas que emprestam dados pessoais para registrar empresas ou contas), manipulação de documentos contábeis e criação de movimentações financeiras artificiais, como foi revelado pelo Monitor do Mercado na última sexta-feira (20).
O objetivo era criar aparência de atividade econômica regular. Segundo os investigadores, essa atuação contribuiu para profissionalizar o modelo, aumentando a capacidade de execução das fraudes.
Estrutura também era usada para lavar dinheiro do tráfico
A PF afirma que células do Comando Vermelho passaram a utilizar a mesma estrutura para inserir no sistema financeiro recursos provenientes do tráfico de drogas.
Nesse processo, o dinheiro ilícito era registrado como receita das empresas fictícias por meio de contabilidade manipulada.
Após circular pelas firmas de fachada, os valores eram direcionados para aquisição de bens de luxo e criptoativos, o que dificultava o rastreamento pelas autoridades.
Para os investigadores, o compartilhamento dessa estrutura indica a existência de um “ecossistema criminoso”, envolvendo empresários, operadores financeiros e integrantes de facções.
Como funcionava o modelo de fraude
Segundo a Polícia Federal, o esquema operava a partir de seis pilares:
- criação em massa de empresas fictícias
- captação de pessoas para ceder dados pessoais
- contabilidade manipulada
- movimentações financeiras simuladas
- participação de funcionários de bancos
- inadimplência planejada
O ponto de partida era a abertura de diversas empresas com características semelhantes. Em muitos casos, essas companhias eram registradas com sócio único, capital social fictício e descrição genérica de atividade econômica.
Para aparentar regularidade, algumas dessas empresas chegavam a cumprir obrigações fiscais nos primeiros meses de funcionamento.
A criação dessas pessoas jurídicas era viabilizada com o recrutamento de indivíduos dispostos a ceder documentos e dados pessoais, muitas vezes sem conhecimento do objetivo real da operação.
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Manipulação de documentos contábeis
Depois de abertas, as empresas passavam a ter registros contábeis fabricados. Entre os documentos manipulados estavam a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) — relatório que apresenta receitas, custos e lucros de uma empresa, a ECF (Escrituração Contábil Fiscal) e outras declarações tributárias.
Esses registros indicavam faturamento elevado, criando a impressão de que as empresas possuíam atividade econômica relevante e capacidade financeira para contratar crédito.
Paralelamente, operadores do esquema realizavam diversas operações financeiras sem origem real. Entre elas estavam pagamentos cruzados de boletos, transferências entre contas ligadas às empresas e registros de aportes de capital inexistentes.
Essa movimentação simulada produzia um histórico bancário inflado, que podia levar instituições financeiras a conceder limites maiores de crédito.
Além disso, o fluxo artificial também servia para permitir a circulação de recursos ilícitos sem despertar suspeitas imediatas.
Participação de funcionários das instituições financeiras
Segundo a PF, o funcionamento da estrutura dependia da participação direta de funcionários de bancos. Gerentes inseriam informações falsas em sistemas internos, facilitavam saques e transferências e aceleravam processos de concessão de crédito com base em dados manipulados.
Para os investigadores, essa cooptação era fundamental para conferir aparência de legalidade às operações e permitir que grandes valores transitassem rapidamente entre as empresas fictícias.
Entre os presos na operação estão dois gerentes da Caixa Econômica Federal e uma ex-gerente do Banco do Brasil.
O modelo era estruturado para funcionar por um período limitado. As empresas operavam normalmente entre 12 e 18 meses. Nesse intervalo, movimentavam grandes quantias, obtinham crédito e construíam um histórico financeiro aparentemente positivo.
Depois disso, as companhias deixavam de honrar compromissos financeiros, caracterizando a inadimplência planejada.
A Polícia Federal afirma que instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra sofreram prejuízos milionários com as fraudes investigadas.
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Ex-sócio do Grupo Fictor também é alvo da PF
A operação realizada na quarta-feira (25) resultou na prisão de ao menos 15 pessoas.
No total, a Justiça Federal de São Paulo expediu 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, cumpridos em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
O ex-sócio do Grupo Fictor, Luiz Rubini, também foi alvo de mandado de busca. Além disso, a Justiça Federal determinou a quebra de sigilo bancário do ex-executivo.






