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Americanas pede saída da recuperação judicial após reduzir prejuízo em mais de 90%

Por Redação
26/mar/2026
Em Empresas e ações, Notícias
Imagem: divulgação

Imagem: divulgação

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A Americanas (AMER3) entrou com pedido na Justiça para encerrar seu processo de recuperação judicial, iniciado após a descoberta de um esquema de fraude bilionário da ex-diretoria em 2023, que levou a empresa a acumular R$ 42,5 bilhões em dívidas concursais — valor que figura entre os maiores já registrados em processos de recuperação judicial no Brasil.

A solicitação foi protocolada nesta quarta-feira (25) na 4ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro e ocorre cerca de dois anos após a homologação do plano de recuperação judicial, aprovado no fim de fevereiro de 2024. Se autorizado pela Justiça, o encerramento marcará uma etapa importante na crise enfrentada pela companhia.

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O pedido também inclui outras empresas do grupo: B2W Digital Lux S.À.R.L., JSM Global S.À.R.L. e ST Importações Ltda.

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“Tivemos capacidade de transformar o negócio, fazendo escolhas difíceis ao longo desse tempo, e suportando o acertado no plano, e por isso decidimos antecipar o período [de saída]”, disse Fernando Soares, CEO da Americanas.

Segundo ele, manter as unidades em funcionamento ajudou a sustentar a operação durante o processo.

Mesmo com o eventual fim do processo, o cronograma de pagamento das dívidas renegociadas continuará válido. Ou seja, os compromissos financeiros assumidos com credores permanecem em vigor.

Prejuízo da Americanas reduz no 4º trimestre 

A Americanas também divulgou seu balanço financeiro referente ao quarto trimestre de 2025. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 44 milhões, resultado inferior ao prejuízo de R$ 586 milhões registrado no mesmo período do ano anterior, o que representa redução superior a 90%.

O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 276 milhões, crescimento de 1,9% na comparação anual.

Já a receita líquida do trimestre ficou em R$ 3,69 bilhões, queda de 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, as vendas no conceito mesmas lojas (indicador que considera apenas unidades abertas há mais de um ano) avançaram 7,8% no quarto trimestre.

Por reestruturação, Americanas ajusta modelo de negócios

Durante o processo de reestruturação, a empresa adotou medidas para reduzir custos e ajustar o modelo de negócios.

Uma das decisões foi reduzir a participação do canal digital, que exigia elevados investimentos e vinha consumindo capital da companhia há anos. Ao mesmo tempo, a estratégia priorizou a manutenção das lojas físicas, consideradas importantes para geração de vendas e caixa.

“Abrimos mão de um negócio de custo de aquisição alto [on-line], mantivemos a maior parte das lojas da Americanas, repensamos a forma de trabalhar ambos os canais, e pedimos apoio dos fornecedores. Isso ainda não acabou, mas é um exemplo para o mercado de que dá para sair de uma recuperação”, afirmou o CEO.

Redução da rede de lojas

Apesar da manutenção da operação física, o número de unidades diminuiu ao longo do processo. Cerca de um mês após pedir recuperação judicial, a empresa contava com 1.855 lojas. Em fevereiro de 2026, o total havia sido reduzido para 1.499 unidades.

Nos resultados divulgados pela companhia, o ano de 2025 terminou com 1.470 lojas, sendo 906 no formato convencional e 564 no modelo express. Em 2024, eram 1.587 unidades.

Dívidas convertidas em ações

Outro componente importante da reestruturação foi a conversão de parte das dívidas em participação acionária. Bancos credores transformaram cerca de R$ 12 bilhões em dívida em equity, mecanismo que reduz o passivo financeiro ao trocar créditos por participação no capital da empresa.

A companhia também realizou uma emissão de R$ 1,8 bilhão em debêntures. Os juros desses papéis começarão a ser pagos a partir de outubro deste ano.

Segundo o diretor-financeiro da Americanas, Sebastien Durchon, apenas em 2028 haverá uma parcela mais relevante desses títulos a ser quitada, somando cerca de R$ 1,3 bilhão entre principal e juros.

Pagamentos a credores da Americanas e renegociação fiscal

A empresa também utilizou recursos de caixa para regularizar outras obrigações fora do plano principal.

De acordo com Durchon, a Americanas pagou R$ 150 milhões neste ano a credores que não estavam enquadrados na categoria de colaboradores.

Além disso, desembolsou R$ 125 milhões em uma renegociação de passivos com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), aproveitando uma oportunidade de acordo disponível e a disponibilidade de caixa.

Ao final de setembro de 2025, a companhia registrava R$ 404 milhões em caixa e equivalentes. Segundo a administração, esse valor tende a aumentar após o período de vendas de fim de ano.

Saída da RJ deve impactar acesso ao crédito

Para o mercado, a saída da recuperação judicial pode facilitar a retomada das relações financeiras da empresa. Durante o processo, o acesso a crédito costuma ser limitado por restrições legais ou por maior percepção de risco por parte de bancos e fornecedores.

A expectativa da companhia é que, com o encerramento do processo, seja possível negociar condições mais favoráveis de financiamento, o que pode melhorar o fluxo financeiro do negócio.

Nos últimos anos, a empresa afirma ter mantido os pagamentos previstos no plano com recursos gerados pela própria operação. Não houve novos aportes dos acionistas além dos R$ 12 bilhões injetados inicialmente por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.

Venda da Uni.Co

Paralelamente ao pedido de encerramento da recuperação judicial, a Americanas informou a venda da UPI Uni.Co, subsidiária responsável por marcas como Imaginarium e Puket.

O ativo foi adquirido pelo grupo BandUP!, proprietário da marca Piticas. A transação foi definida em um processo competitivo conduzido na própria recuperação judicial. A proposta vencedora foi a apresentada pela Fan Store Entretenimento S.A. (BandUP!), no valor de R$ 152,9 milhões.

Durante a disputa surgiu uma oferta concorrente da Solver Soluções Críticas Ltda., no valor de R$ 155 milhões, incluindo pagamento de R$ 70 milhões à vista e o restante parcelado em cinco prestações.

No entanto, o juíz responsável pelo processo considerou a proposta inválida por não atender às regras estabelecidas no edital da recuperação judicial. Com isso, a oferta da BandUP! foi declarada vencedora após manifestações favoráveis do Ministério Público e da administração judicial.

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A formalização da venda ocorrerá por meio de contrato de compra e venda de ações. A conclusão da operação depende do cumprimento de condições previstas, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com a aquisição, a BandUP! passará a controlar negócios como Imaginarium, Puket e Casa Mind, entre outros.

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