A Brava Energia divulgou nesta segunda-feira (6) um fato relevante para negar que esteja em negociações com a Ecopetrol, após reportagem publicada pelo Monitor do Mercado apontar a existência de uma proposta em discussão. O “timing” escolhido para publicar o comunicado mostra, no mínimo, descaso com investidores. No limite, aponta para um interesse em manter assimetria de informações no mercado.
Segundo a reportagem, baseada em fonte próxima às tratativas, a estatal colombiana “deve assinar, nos próximos dias, uma oferta de compra das ações da Brava Energia”, com preço estimado em R$ 26 por ação.
No comunicado publicado horas após a notícia, a Brava afirma que “não se encontra, neste momento, em negociações com a Ecopetrol S.A. envolvendo eventual aquisição de participação societária na Companhia”. Não nega, entretanto, possíveis negociações envolvendo apenas acionistas de referência.
A sequência dos fatos mostra descaso da Brava em relação a seus investidores, ao mercado e à imprensa ou, pior, sugere que há interesse por parte dela em gerar assimetria de informações.
Desde o dia 31 de março, a Brava havia sido procurada pela reportagem, com a possibilidade clara de confirmar ou negar a informação. Assim como a Ecopetrol e a JiveMauá, optou por não se manifestar.
O silêncio foi mantido até a publicação e, então, veio a negativa — não em resposta à imprensa, mas por meio de um fato relevante ao mercado.
Empresas listadas não são obrigadas a mandar e-mails para jornalistas sobre negociações em andamento, mas há uma diferença relevante entre não comentar e escolher quando comentar. Ao optar por não responder aos questionamentos diretos antes da publicação e, em seguida, vir a público negar a informação já divulgada, a companhia cria um desalinhamento na forma como se comunica com investidores, mercado e imprensa.
Na prática, o posicionamento só ocorreu depois que a informação já circulou — e, potencialmente, já influenciou decisões.
Há ainda um ponto adicional. O comunicado da companhia nega negociações “envolvendo eventual aquisição de participação societária na Companhia”, mas não necessariamente elimina a possibilidade de conversas estruturadas diretamente com acionistas relevantes, como o bloco de acionistas de referência (JiveMauá, Yellowstone e Somah Printemps Quantum) — dinâmica comum em operações desse tipo.
Nesse contexto, a negativa formal não encerra completamente as dúvidas levantadas pela reportagem, mas desloca a discussão.
Um questionamento permanece aberto no mercado: por que a companhia escolheu falar apenas depois que a informação já estava em circulação?











