O Banco Central (BC) determinou nesta quinta-feira (16) a liquidação extrajudicial da Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros (Creditag), após a identificação de problemas financeiros considerados graves pela autoridade monetária.
Na prática, a medida retira a instituição do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e interrompe imediatamente suas atividades.
De acordo com o Banco Central, a liquidação foi motivada pelo “grave comprometimento da situação econômico-financeira” da cooperativa, que sujeitava a risco anormal os credores quirografários.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”, informou a autoridade.
O Banco complementa ainda que “o resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.”
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A liquidação extrajudicial é um processo conduzido pelo BC quando uma instituição financeira não tem condições de continuar operando. Nesses casos, o objetivo é encerrar as atividades de forma organizada, apurar dívidas e tentar pagar credores conforme a disponibilidade de recursos.
Liquidação da Creditag deve ter impacto limitado no sistema financeiro
Segundo o BC, a Creditag era uma cooperativa independente de pequeno porte, enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial, que reúne instituições financeiras de pequeno porte e perfil de risco simplificado.
Em dezembro de 2025, a cooperativa detinha aproximadamente 0,0000226% do total de ativos do SFN. Esse dado indica que os efeitos da liquidação tendem a ser restritos do ponto de vista sistêmico.
Com a liquidação, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens dos ex-administradores da cooperativa: Acebíades Diogo, Alcindo Borges de Oliveira, Clarimundo José de Resende Neto, Cleuma Santos Rodrigues, Telma Oliveira Mendonça Dias, Valdine Silva Oliveira e Wolmir Ribeiro Flores.
A medida está prevista em lei e busca preservar recursos para eventual ressarcimento de credores.
Antônio Luiz Jardim, da J&J Consultoria em Gestão e Controles Ltda., foi nomeado como responsável pela condução do processo de liquidação. Ele já atuou em funções semelhantes nas liquidações da Um Investimentos S.A., do Banco Neon S.A. e da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores de Porto Alegre (Municred).
Medidas cautelares e caso da suspensão no Pix
A instituição já foi alvo de medidas cautelares pelo Banco Central anteriormente. Em julho do ano passado, a Creditag foi suspensa do sistema Pix no contexto de um ataque cibernético envolvendo a C&M Software.
Na ocasião, o BC interrompeu temporariamente o acesso de instituições que poderiam ter sido destino de recursos desviados e que apresentaram falhas em seus mecanismos de identificação de movimentações atípicas.
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Histórico de reclamações sobre atuação da Creditag
Fundada em 2003 na cidade de Mineiros (GO), a Creditag atuava na oferta de crédito e financiamento, além de serviços como seguros, consórcios e desconto de recebíveis. A cooperativa também mantinha uma linha voltada à agricultura familiar.
Nos últimos meses, a instituição vinha sendo alvo de reclamações em redes sociais e plataformas digitais. Entre os principais relatos, estavam contratações indevidas e pagamentos não reconhecidos.











