As ações da Ambev (ABEV3) registraram forte valorização de 16,14%, cotadas a R$ 16,77 nesta terça-feira (5), após a divulgação do balanço do primeiro trimestre com resultados acima do esperado. A companhia reportou lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no período, alta de 2,1% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
O desempenho foi sustentado principalmente pela operação de cerveja no Brasil, que apresentou crescimento acima das expectativas do mercado.
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O lucro líquido ajustado, que desconsidera efeitos não recorrentes, avançou 0,3%, para R$ 3,82 bilhões, impulsionado pelo crescimento do resultado operacional, parcialmente compensado por maior despesa financeira líquida.
Já o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 7,55 bilhões, crescimento de 1,5% na comparação anual. A margem Ebitda atingiu 33,6%, equivalente a um avanço de 0,5 ponto percentual.
Por outro lado, a receita líquida da Ambev sofreu uma queda de 0,8% frente ao mesmo período anterior, totalizando R$ 44,97 bilhões no primeiro trimestre. O resultado contrasta com o lucro bruto de R$ 11,58 bilhões, marcando alta de 0,3% na mesma base de comparação.
Vendas de cerveja no Brasil destacam desempenho da Ambev
Análise da XP Investimentos pontua o segmento de cerveja no Brasil como o principal destaque do trimestre, com desempenho sólido em termos relativos frente a pares e expectativas do mercado.
Os volumes cresceram 1,2% na comparação anual, atingindo um recorde para primeiros trimestres e indicando ganho de participação no sell-in. O resultado superou projeções da própria XP e do consenso, que esperava retração entre 1% e 2%.
O avanço de 8,3% na receita líquida por hectolitro na base anual, refletindo iniciativas de gestão de receita e melhora no mix de produtos, também ficou acima das estimativas da corretora.
Além disso, houve crescimento na casa dos 20% nos segmentos premium e super premium, parcialmente compensado por queda de um dígito baixo nas categorias core e value.
Ambev mantém guidance
A Ambev manteve inalterada sua projeção de custo do produto vendido (CPV) por hectolitro no segmento de cerveja no Brasil, desconsiderando depreciação, amortização e marketplace.
A expectativa segue de alta entre 4,5% e 7,5% ao longo do ano.
Expectativas e recomendação da XP para a Ambev
Mesmo em mercados mais desafiadores, como Canadá e América Latina Sul (LAS), a XP Investimentos destaca sinais positivos. Segundo a instituição, a Ambev ampliou suas margens nessas regiões, e o cenário para o segundo trimestre apresenta viés mais favorável, com potencial de alta impulsionado, no curto prazo, pela Copa do Mundo.
Apesar dessa leitura, a instituição mantém recomendação de venda para a Ambev, com preço-alvo de R$ 13.
Revisões de lucro no radar
O Bradesco BBI avalia que os resultados do primeiro trimestre podem levar a revisões positivas nas estimativas de lucro da Ambev.
Segundo o banco, havia dúvidas sobre o desempenho da receita de cervejas no Brasil, diante da falta de crescimento consistente em volume e preços, limitando o potencial de valorização da companhia em um cenário agravado pela maior exposição da empresa ao segmento de cervejas tradicionais, que enfrenta tendência de queda.
No entanto, o BBI destaca que houve uma inflexão relevante, com crescimento dos volumes apesar das bases comparativas mais exigentes, enquanto os preços foram ajustados sem perda de participação de mercado.
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Ambev anuncia proventos aos acionistas
O Conselho de Administração aprovou o pagamento da segunda parcela de juros sobre capital próprio (JCP) referentes a 2025.
O valor bruto será de R$ 0,0755 por ação (R$ 0,0642 líquidos), com pagamento previsto para 6 de julho de 2026.
As datas-base foram mantidas em 18 de dezembro de 2025 para ações negociadas na B3 e 22 de dezembro de 2025 para ADRs na New York Stock Exchange, com os papéis negociados ex-JCP desde 19 de dezembro de 2025.
A companhia também aprovou nova distribuição de JCP com base no balanço de 31 de março de 2026, no valor bruto de R$ 0,449 por ação.
O pagamento ocorrerá até 31 de dezembro de 2026, considerando a posição acionária de 22 de junho de 2026 na B3 e 24 de junho de 2026 na NYSE. A data ex será 23 de junho de 2026, e o cronograma exato ainda será definido.











