O Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 12,28 bilhões no primeiro trimestre, valor que representa queda de 0,3% em relação ao trimestre anterior, mas um avanço de 10,4% na comparação anual. O resultado ficou em linha com as estimativas dos analistas, de R$ 12,2 bilhões.
De acordo com o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, sem a antecipação de R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários no quarto trimestre, que normalmente ocorreria no início do ano, o resultado teria sido maior.
Segundo ele, o lucro do banco no primeiro trimestre deste ano teria sido recorde, de R$ 12,7 bilhões.
“Falando sobre recorde ou não recorde, eu acho que a criação de valor no trimestre foi recorde, que é algo pelo qual a gente se pauta bastante, dado o nível de rentabilidade nessa última série”, completou.
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O vice-presidente financeiro do banco, Gabriel Moura, completa: “Os acionistas tiveram esse rendimento porque eles aplicaram no mercado. Então, de alguma maneira, você vai ter menos R$ 600 milhões de receita no banco nesse [primeiro] trimestre por causa dessa saída de caixa quando a gente compara com outros trimestres”, afirmou Moura.
Ele também atribui a leve queda no lucro na base trimestral a fatores sazonais: “O quarto trimestre, normalmente, é onde você tem, no setor financeiro do país como um todo, maior atividade econômica. Então isso se reflete em gastos do cartão de crédito, a receita do banco tende a ser maior”, explicou.
Rentabilidade do Itaú atinge maior nível desde 2015
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede a rentabilidade sobre o capital próprio, ficou em 24,8% no primeiro trimestre. Houve alta de 0,4 ponto percentual frente ao trimestre anterior e de 2,3 pontos na comparação anual.
Durante teleconferência, Moura afirmou que o patamar é o mais elevado desde o segundo trimestre de 2015. O executivo explicou ainda o ajuste do indicador ao nível de capital do banco:
“A gente está com capital de 12%, mas, se a gente tivesse a 11,5%, que é mais comparável com o que a gente vê no mercado, esse 24,8% seria 25,8%”, afirmou.
Margem financeira aumenta ano a ano
A margem financeira gerencial somou R$ 32,32 bilhões, ficando estável na comparação trimestral e com alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025.
A margem com clientes, relacionada às operações de crédito, foi de R$ 31,5 bilhões, com queda de 0,7% no trimestre e alta de 4,5% em um ano. A margem com o mercado atingiu R$ 820 milhões, com alta de 37,4% no trimestre e recuo de 11,2% na base anual.
Estratégia indica cautela no crédito
A carteira de crédito do Itaú totalizou R$ 1,48 trilhão em março, com queda de 0,5% frente a dezembro e crescimento de 7,2% na comparação anual. Desconsiderando efeitos cambiais, houve alta de 1,2% no trimestre e de 9% em 12 meses.
Flávio Conde, head de ações da Levante, salienta o impacto dos Negócios do Varejo no aumento do custo de crédito do Itaú. A concentração dos gastos das famílias nesse período gera um aumento das despesas de perda esperadas no segmento.
Além disso, o especialista também destaca a sazonalidade típica do primeiro trimestre, que afetou de forma negativa a recuperação de crédito do segmento.
Para o CEO do banco, esse cenário exige cautela na concessão de crédito: “Mantivemos nossa estratégia de crescer de forma responsável, garantindo que a qualidade da nossa carteira siga os padrões que historicamente nos definem”
Segundo Maluhy, nos últimos ciclos, o banco fez ajustes para proteger os clientes nos momentos mais complexos.
Inadimplência permanece estável
O custo do crédito foi de R$ 9,95 bilhões, com alta de 2,5% em relação ao trimestre anterior e de 4,5% na comparação anual.
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,9%, estável tanto no trimestre quanto em relação ao mesmo período do ano passado.
Num recorte por segmento, a taxa de calotes de pessoa física no Brasil ficou em 3,6% até o fim de março, enquanto no segmento de grandes empresas o indicador estava em 0,1%. Já as micro, pequenas e médias empresas registraram 1,9%, ante 1,8% e 1,6%, respectivamente.
A partir desses dados, o CEO Milton Maluhy Filho disse que não antevê nenhuma ruptura no ciclo de crédito, pelo menos na carteira do banco, e que a expectativa é de estabilidade nos indicadores de inadimplência nos próximos trimestres.
Itaú aposta em flexibilidade diante de incertezas no cenário de inadimplência
Em vídeo divulgado na página de relações com investidores Gabriel Moura comentou o comportamento da inadimplência no trimestre. Segundo ele, a inadimplência veio dentro da sazonalidade esperada para o primeiro trimestre e, em alguns casos, até melhor.
O executivo também destacou a capacidade de adaptação do banco ao cenário: “Em um cenário com mais incerteza, especialmente pela dinâmica geopolítica e a perspectiva de juros mais elevados por mais tempo, nossa solidez garante flexibilidade para operar ao longo do ciclo.”
Provisões e grandes empresas
Durante apresentação dos resultados, Maluhy afirmou ainda que o banco acompanha o cenário no segmento corporativo e mantém provisões adequadas.
“Nosso guidance já tinha implícito muitos dos casos mais conhecidos [de grandes empresas], com evolução das provisões ao longo do ano”, comentou.
Ele também explicou que pelas novas regras do Banco Central, quando uma empresa entra em recuperação extrajudicial, por exemplo, o crédito já é classificado no estágio 3, considerado de maior risco.
PMEs e redução de risco
No segmento de pequenas e médias empresas, o CEO apontou um possível impacto pontual na inadimplência:
Maluhy afirmou que o fim de carência em programas governamentais pode ter efeito de 0,2 ponto porcentual no indicador, mas ressaltou que se trata de um movimento pontual.
O banco também destacou mudanças no perfil da carteira. Em PMEs, a participação de operações com garantia aumentou de 36% no fim de 2019 para 55% atualmente.
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Levante recomenda compra para ações do Itaú
Flávio Conde avalia que, apesar do lucro líquido um pouco abaixo do esperado, as ações do Itaú a R$ 42,46 (preço do último fechamento) estão baratas, com um P/L (preço/lucro) para dezembro de 9,3x, considerando um lucro líquido projetado de R$ 50 bilhões no ano.
O analista explica que, historicamente, as ações do Itaú negociam a P/L 11x, o que daria um preço-justo de R$ 50, considerado um preço-justo pela Levante para ITUB4 em dez/26, com potencial de valorização de 18% até esta data. A partir dessa análise, a Levante recomenda compra dos papéis do banco.











