A Compass colocou fim ao jejum de quase cinco anos sem novas listagens via IPOs (oferta pública inicial de ações) na B3 — o maior jejum em mais de quatro décadas — ao levantar R$ 3,2 bilhões em sua estreia na Bolsa. No mercado, a operação é encarada como um possível teste para novas retomadas, segundo o Valor Econômico.
A companhia estreará avaliada em cerca de R$ 20 bilhões e terá seus papéis negociados a partir da próxima segunda-feira (11), sob o ticker “PASS3”. A listagem ocorrerá no Novo Mercado, segmento da B3 voltado às empresas com padrões mais elevados de governança corporativa.
A operação ocorreu em meio a um cenário de volatilidade global provocado pelas tensões envolvendo a guerra no Irã e exigiu semanas de negociações com investidores até alcançar demanda suficiente para ser lançada.
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Além disso, a oferta foi totalmente secundária, formato no qual os recursos arrecadados ficam com os acionistas vendedores e não entram no caixa da empresa.
A Cosan foi a principal vendedora da operação e levantou uma parcela relevante dos recursos, em linha com sua estratégia de redução de endividamento. Também venderam participações os acionistas Atmos, Bradesco Previdência, Brasil Capital, Manaslu e Manzat.
Ações da Compass estreiam com preço mais baixo
As ações foram precificadas em R$ 28, valor correspondente ao piso da faixa inicialmente estimada para o IPO, que chegava a R$ 35 por papel.
No total, foram distribuídas 89.285.714 ações, equivalentes à oferta-base. A operação também contou com colocação de R$ 375 milhões referentes ao lote suplementar e outros R$ 325 milhões do lote adicional, correspondente a 25% do volume inicialmente ofertado.
A coordenação da oferta ficou a cargo de BTG Pactual, Bank of America (BofA), Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, J.P. Morgan, XP, BNP Paribas e UBS BB.
Estrangeiros lideram demanda pela oferta da Compass
Segundo fontes citadas pelo Valor, a operação registrou forte participação de investidores estrangeiros interessados em ampliar exposição ao mercado brasileiro.
Entre os compradores, houve presença de investidores institucionais de longo prazo, incluindo fundos soberanos e gestores globais, além dos fundos especializados em mercados emergentes.
As fontes também apontam que a operação marca uma mudança no perfil recente do fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira. Nos últimos meses, boa parte dos recursos internacionais vinha entrando no país de maneira passiva, principalmente por meio de ETFs — fundos de índice que replicam carteiras de ações. No caso da Compass, os investidores optaram por adquirir participação diretamente na empresa.
Guerra no Irã elevou dificuldade da operação
A operação foi estruturada em meio à volatilidade dos mercados globais causada pelas tensões relacionadas à guerra no Irã. Por isso, o IPO permaneceu durante semanas em negociações e reuniões com investidores até que houvesse demanda suficiente para o lançamento.
A oferta acabou sendo levada ao mercado já “coberta”, expressão utilizada quando a procura pelos papéis já garante a conclusão da operação logo na abertura do processo de distribuição.
Reorganização societária antecedeu IPO
Além do ambiente externo desafiador, a Compass também precisou superar entraves societários antes da abertura de capital. A operação só foi lançada após um acordo entre Cosan e Bradesco, sócios na Cosan Dez, veículo que detinha 88% da Compass.
Antes do IPO, o Bradesco concordou com a cisão dessa estrutura. Com isso, a Cosan passou a deter diretamente uma fatia de aproximadamente 20% da empresa.
Após a venda das ações na oferta, a participação da Cosan na Compass caiu para cerca de 10%.
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IPO da Compass quebra jejum iniciado na pandemia
Os últimos IPOs realizados na B3 ocorreram em 2021, ainda durante o período de isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19.
Desde então, o mercado de capitais brasileiro enfrentou uma combinação de juros elevados, redução do apetite por risco e volatilidade internacional, fatores que travaram novas aberturas de capital.
Nesse contexto, a estreia da Compass passa a ser observada pelo mercado como um possível sinal de retomada gradual das ofertas públicas de ações no país.











