A estatal mineira de saneamento Copasa (CSMG3) protocolou o pedido de oferta pública secundária de ações em uma operação de privatização que pode movimentar até R$ 10 bilhões. O prospecto da operação foi divulgado nesta terça-feira (19) e detalha a venda inicial de 171,1 milhões de ações da companhia.
Com base no preço de fechamento dos papéis na última terça-feira, de R$ 53,77 por ação, a operação alcançaria R$ 9,02 bilhões. O modelo também prevê um lote adicional de 19,13 milhões de ações, o que poderá elevar o valor total da transação.
- Investir sem estratégia custa caro! Garanta aqui seu plano personalizado grátis e leve seus investimentos ao próximo nível.
A estrutura adotada pelo Governo de Minas Gerais segue modelo semelhante ao utilizado na privatização da Sabesp. A proposta prevê a escolha de um acionista de referência, que deverá adquirir inicialmente 30% do capital da companhia antes da realização da oferta pública.
Depois disso, esse investidor poderá ampliar sua participação até o limite de 45% dos direitos de voto da empresa.
A notícia repercutiu de forma positiva no mercado. Às 11h58 (horário de Brasília), as ações da Copasa (CSMG3) valorizavam 1,45%, negociadas a R$ 51,88 na B3.
Estado quer reduzir participação na Copasa
O plano do governo mineiro é reduzir sua participação na Copasa dos atuais 50,03% para 5,03%. Caso o lote adicional seja integralmente vendido, o Estado poderá sair totalmente da estrutura acionária da companhia.
A operação não resultará em capitalização da Copasa. Isso significa que os recursos obtidos com a venda das ações não serão destinados ao caixa da empresa, mas diretamente ao acionista vendedor, o Governo de Minas Gerais.
Segundo a modelagem da desestatização, a intenção é usar os recursos para ajudar no abatimento das dívidas do Estado com a União. Ao mesmo tempo, o governo argumenta que a privatização pode preparar a companhia para ampliar investimentos e acelerar a universalização dos serviços de água e esgoto.
Criada em 1963, a Copasa atende 893 municípios mineiros, o equivalente a 75% das cidades do estado. A companhia alcança mais de 39 milhões de habitantes.
Pelo porte da empresa, especialistas do setor consideram a Copasa o último grande ativo disponível no mercado brasileiro de saneamento.
Sabesp desiste da disputa pela Copasa
Até terça-feira, o mercado trabalhava com a expectativa de que a disputa pela Copasa seria travada entre as duas maiores companhias privadas de saneamento do país atualmente: Aegea e Sabesp.
A companhia paulista, porém, anunciou que não participará do processo. A justificativa apresentada foi o direcionamento de investimentos para sua própria operação. A saída da Sabesp alterou as projeções do mercado sobre a concorrência pela estatal mineira.
Mesmo assim, a Equatorial, controladora da Sabesp, não descartou completamente acompanhar oportunidades no setor. Procurada, a empresa declarou que “está sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições”.
Aegea concentra expectativa do mercado
Com a desistência da Sabesp, a atenção do mercado passou a se concentrar na Aegea, líder do setor de saneamento no Brasil.
O CEO da companhia, Radamés Casseb, já havia afirmado anteriormente que a empresa seguia avaliando uma eventual participação no processo de privatização da Copasa.
A expectativa em torno da Aegea aumentou após movimentos recentes de capitalização da companhia. Em março, a empresa recebeu aporte de R$ 1,2 bilhão de seus acionistas de referência: Equipav, GIC — fundo soberano de Singapura — e Itaúsa.
Na semana passada, a Bloomberg informou que esse grupo poderia injetar mais US$ 1 bilhão na Aegea. Segundo pessoas que acompanham as negociações no setor de saneamento, parte desses recursos poderia ser usada para financiar uma eventual aquisição da Copasa.
- Os bastidores do mercado direto no seu e-mail! Assine grátis e receba análises que fazem a diferença no seu bolso.
Oferta da Copasa terá bancos nacionais e estrangeiros
A oferta de ações será coordenada pelo BTG Pactual, com participação de Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB.
A estrutura da operação também prevê esforços para distribuição de ações no mercado internacional, ampliando o alcance da oferta para investidores estrangeiros. De acordo com o prospecto divulgado pela companhia, o capital social da Copasa soma R$ 5 bilhões, distribuídos em 380,25 milhões de ações ordinárias.
O cronograma prevê o recebimento de propostas até a próxima segunda-feira (25). O anúncio do investidor de referência selecionado ocorrerá dois dias depois, na quarta-feira (27). Já a definição do preço final por ação da oferta está prevista para 2 de junho.











