O Banco Popular da China (PBoC) manteve inalteradas as principais taxas de referência para empréstimos nesta terça-feira (20), apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica. A decisão ocorre em um contexto de crise prolongada no setor imobiliário e sinais persistentes de fraqueza da demanda interna.
A autoridade monetária manteve a taxa preferencial de empréstimo (LPR) de um ano em 3% e a de cinco anos em 3,5%, completando o oitavo mês consecutivo sem alterações nas taxas.
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A LPR de um ano é a principal referência para a maioria dos novos empréstimos e contratos em aberto no país. Já a taxa de cinco anos tem impacto direto sobre os financiamentos imobiliários, segmento que segue pressionado pela crise no setor de construção e incorporação.
Estratégia com juros prioriza estímulos direcionados
A manutenção das taxas reforça a estratégia das autoridades chinesas de adotar estímulos direcionados a setores específicos, em vez de promover um afrouxamento monetário amplo.
A decisão ocorre em um momento de perda de fôlego da segunda maior economia do mundo. No quarto trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,5% na comparação anual.
O resultado representa o ritmo mais fraco desde o fim de 2022, quando o país iniciou a reabertura após as restrições mais severas impostas durante a pandemia.
Consumo e confiança seguem pressionados na China
Em meio à desaceleração da economia, os indicadores de consumo permanecem fracos. As vendas no varejo cresceram apenas 0,9% em dezembro, marcando o menor ritmo em três anos.
O desempenho reflete a perda de confiança das famílias, influenciada pela crise prolongada no setor imobiliário, pelo enfraquecimento do mercado de trabalho e pela deflação persistente.
China adota medidas pontuais de estímulo à economia
Apesar de manter as taxas básicas inalteradas, o Banco Popular da China tem adotado medidas específicas de estímulo. Na semana passada, a instituição reduziu em 0,25 ponto percentual as taxas de suas ferramentas estruturais de política monetária.
Com isso, as tarifas de algumas linhas de refinanciamento de um ano passaram para 1,25%. O PBoC também sinalizou a criação de um programa específico de crédito para empresas privadas.
Além disso, foi indicado o aumento das cotas de financiamento voltadas à inovação tecnológica e a pequenas e médias empresas, setores considerados estratégicos para sustentar o crescimento no médio prazo.
Há espaço para novos cortes nos juros
O vice-governador do Banco Popular da China, Zou Lan, afirmou recentemente que “ainda há espaço” para novos cortes tanto no depósito compulsório quanto nas taxas de juros ao longo deste ano.
O depósito compulsório é a parcela dos recursos que os bancos são obrigados a manter retida no banco central. Reduções nessa exigência tendem a aumentar a liquidez do sistema financeiro e a capacidade de concessão de crédito.
Economistas do Goldman Sachs projetam uma redução de 0,5 ponto percentual no compulsório e de 0,1 ponto percentual na taxa básica já no primeiro trimestre.
Crédito e investimento reforçam fraqueza da demanda
Os dados de crédito reforçam o cenário de demanda enfraquecida. Em 2025, os novos empréstimos bancários somaram 16,27 trilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 2,33 trilhões, recuando em relação ao ano anterior.
O investimento em ativos fixos nas áreas urbanas recuou 3,8% no ano. Foi a primeira contração anual em décadas.
O movimento foi pressionado pelo aprofundamento da crise imobiliária e pelas restrições impostas por Pequim ao endividamento de governos locais e ao excesso de capacidade em alguns setores da economia.
Crescimento da China fica dentro da meta, mas traz riscos
A manutenção dos juros nesta terça-feira ocorreu um dia após dados do PIB mostrarem que a economia chinesa cresceu em linha com a meta oficial de Pequim de 5% em 2025. As exportações foram o principal impulso para o resultado.
Analistas, no entanto, alertaram que o impulso das exportações tende a diminuir em 2026. Outros fatores relevantes para o crescimento, como os gastos empresariais e o sentimento do consumidor, permanecem amplamente fracos.
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Pequim vinha reduzindo a LPR de forma constante desde 2021, na tentativa de sustentar a economia após o impacto da pandemia de Covid-19. Segundo analistas, taxas mais baixas forneceram suporte limitado ao crescimento, o que levou o governo a ampliar o uso de estímulos fiscais nos últimos anos.
Ainda assim, analistas afirmam que a China deve realizar novas rodadas de flexibilização monetária em 2026, em um esforço para apoiar a atividade econômica sem comprometer a estabilidade financeira.






