A economia dos Estados Unidos registrou forte desaceleração no quarto trimestre de 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) sendo revisado para baixo e crescendo apenas 0,5% na comparação anual, segundo o Escritório de Análises Econômicas (BEA), ligado ao Departamento de Comércio. No trimestre anterior, o avanço foi de 4,4%.
Segundo os números divulgados nesta quinta-feira (9), o PIB dos EUA cresceu 2,1% no acumulado de 2025, enquanto em 2024 a alta foi de 2,9%. A revisão na leitura final foi atribuída principalmente à redução dos investimentos privados em estoques, especialmente no setor de comércio atacadista, determinante para o ajuste do dado, segundo o BEA.
Ainda assim, o crescimento do trimestre foi sustentado pelo aumento dos gastos dos consumidores, embora parcialmente compensado pela retração dos gastos do governo e das exportações.
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Serviços privados sustentam PIB dos EUA
Na análise por setores, o avanço da economia foi impulsionado pelos serviços privados, cujo valor agregado cresceu 2,3% no período.
Em sentido oposto, o setor público apresentou retração de 7,8%, enquanto as indústrias produtoras de bens recuaram 1,8%.
Entre os segmentos que mais contribuíram positivamente para o crescimento estão comércio atacadista, informação e saúde e assistência social.
Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, sinaliza, além das revisões nas três leituras do PIB, uma leve queda também na revisão de consumo, além de toda a parte de balanço comercial, que trouxe um impacto negativo para o crescimento, assim como os gastos do governo, junto ao impacto de shutdown.
Por outro lado, analisando o número ainda cheio de 2025, o especialista destaca que a economia americana cresceu um pouco acima de 2%, o que apesar dos desafios ao longo do ano passado, relacionados ao tarifaço e ao shutdown, os Estados Unidos ainda conseguiram crescer mais que outras economias, como a Europa.
Produção e demanda mostram sinais de enfraquecimento
A produção bruta da economia recuou 0,5% no quarto trimestre, refletindo quedas de 3,2% nas indústrias produtoras de bens e de 4,7% no setor governamental, parcialmente compensadas pela alta de 1,1% nos serviços privados.
O consumo das famílias continuou sendo um dos pilares da atividade econômica no quarto trimestre. Em conjunto com o investimento fixo privado, sustentou o crescimento das vendas finais para compradores domésticos, indicador que busca capturar a demanda interna ao excluir estoques e comércio exterior, que foi de1,8%, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de 1,9%.
Exportações e gastos públicos pressionam PIB dos EUA
As exportações e os gastos governamentais registraram queda no período e atuaram como fatores de pressão sobre o resultado do PIB.
No setor público, a paralisação parcial do governo federal entre outubro e novembro de 2025 teve impacto direto. Segundo o BEA, o evento retirou cerca de 1 ponto percentual do crescimento do PIB real no trimestre.
Por outro lado, as importações diminuíram no período e contribuíram positivamente para o resultado do PIB. Isso ocorre porque, na metodologia de cálculo, as importações são subtraídas; logo, sua queda tende a elevar o indicador.
Crescimento regional da economia e renda em alta
Regionalmente, o PIB avançou em 35 estados, com variações que vão de alta de 3,8% na Dakota do Norte à queda de 8,3% no Distrito de Columbia, onde se concentra a administração federal.
A renda pessoal aumentou 3,4% em taxa anualizada, totalizando US$ 217,9 bilhões, com crescimento registrado em 47 estados.
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Perspectivas para a economia dos EUA
Diante das incertezas em torno do conflito no Oriente Médio, Yamashita aponta que o principal ponto que o mercado deve acompanhar é como a demanda agregada americana vai continuar, uma vez que o consenso de mercado ainda mostra um crescimento um pouco acima de 2% para a economia em 2026.
Além disso, Yamashita pontua a importância de acompanhar a trajetória de inflação, para entender se a pressão será de curto prazo, dado o choque do petróleo, ou se pode ser um fator persistente, a ponto de alterar a dinâmica de política monetária dos Estados Unidos.
“Aqui vai ser bastante importante acompanhar tanto os dados mais qualitativos do lado de consumo, mas também os dados quantitativos, que vão mostrar como tem sido a evolução de mercado de trabalho, de inflação e também de crescimentos salariais para tentar suprir um pouco do problema que os Estados Unidos vêm passando em relação à pressão de custos”, finaliza.
O BEA deve divulgar a estimativa antecipada do PIB do primeiro trimestre de 2026 no dia 30 de abril.











