A inflação do Reino Unido, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI), avançou 3,3% em março na comparação anual, acima dos 3% registrados em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Escritório de Estatísticas Nacionais nesta quarta-feira (22).
O resultado reflete os primeiros efeitos do conflito no Irã sobre os preços dos combustíveis, além da perspectiva de aumento nas contas de energia doméstica.
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Economistas afirmam que a alta na inflação geral foi impulsionada principalmente por componentes relacionados à energia, enquanto estimativa do ING aponta que combustíveis automotivos e óleo de aquecimento mais altos adicionaram cerca de 40 pontos-base à inflação geral.
Com os últimos dados, a inflação britânica segue acima de outras economias europeias. O CPI britânico supera a média da União Europeia, de 2,8%, além dos níveis registrados na Alemanha (2,8%) e na França (2%).
Apesar desse cenário, avaliam que a alta dos combustíveis não deve pressionar o Banco da Inglaterra (BoE) a aumentar a taxa de juros na reunião da próxima semana.
Combustíveis lideram pressão sobre a inflação do Reino Unido
De acordo com a apuração do Escritório de Estatísticas Nacionais, os preços dos combustíveis subiram 8,7% em março, no maior avanço desde junho de 2022, período posterior à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Na comparação anual, os combustíveis automotivos passaram de uma queda de 4,6% para uma alta de 4,9%, o nível mais elevado desde janeiro de 2023. Entre fevereiro e março, a gasolina teve alta de 8,6 pence por litro, enquanto o diesel registrou aumento de 17,6 pence.
Inflação sobre transporte e alimentos também avança
Os custos de transporte subiram 4,7% na base anual, com as tarifas aéreas em alta de 10% na comparação mensal, marcando o maior aumento entre fevereiro e março desde 2016, impulsionado por rotas de longa distância durante o período da Páscoa.
Também foi registrada alta da inflação sobre os preços dos alimentos, passando de 3,3% para 3,7% no mesmo período.
Núcleo da inflação recua, enquanto serviços avançam
O IPC subjacente, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco, recuou levemente de 3,2% para 3,1%.
Já a inflação de serviços subiu de 4,3% para 4,5%. Segundo analistas, a alta foi influenciada por tarifas aéreas mais voláteis, enquanto a medida considerada principal de serviços permaneceu próxima de 4,2%.
Apesar da aceleração do índice cheio, economistas afirmam que as pressões subjacentes seguem relativamente contidas.
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Projeções para a inflação no Reino Unido e política monetária
O ING projeta que a inflação deve continuar avançando nos próximos meses, com estimativas entre 3,5% e 4%. Parte desse movimento deve ser impulsionada pelo reajuste no teto de preços de energia, a ser atualizado pela Ofgem em julho.
Por outro lado, a queda nos preços do gás no atacado pode limitar esse aumento a uma faixa entre 10% e 15%, mantendo a inflação mais próxima de 3,5%.
A corretora avalia que o limite para um aperto monetário adicional ainda não foi atingido. A expectativa é de que o Banco da Inglaterra não eleve os juros neste ano, a menos que a inflação ultrapasse de forma relevante o patamar de 4%.











