O Banco Central do Japão (BoJ) decidiu nesta terça-feira (28) manter a taxa básica de juros em 0,75%, como era amplamente esperado pelo mercado. Apesar da manutenção, a autoridade monetária revisou para cima suas projeções de inflação e reduziu as estimativas de crescimento, destacando o impacto da alta nos preços de energia no contexto do conflito no Oriente Médio.
A decisão foi tomada por maioria de 6 votos a 3. A minoria, composta pelos diretores Naoki Tamura, Junko Nakagawa e Hajime Takata, defendeu a elevação da taxa para 1%, evidenciando o aumento da pressão interna por aperto monetário.
Esse foi o maior número de dissidências desde janeiro de 2016, quando o BoJ adotou juros negativos em uma decisão apertada de 5 a 4.
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O presidente do BoJ, Kazuo Ueda, declarou que a decisão de manter os juros foi tomada para permitir uma análise mais detalhada dos efeitos do conflito no Oriente Médio e da natureza ainda considerada temporária da inflação.
No entanto, ele sinalizou a possibilidade de aumentar os juros para evitar que o choque de energia resulte em uma inflação mais ampla.
“Se os riscos inflacionários conseguirem se materializar ou se eles aumentarem significativamente, poderemos elevar a taxa de juros, desde que os riscos econômicos negativos ou o risco de uma piora econômica acentuada sejam limitados”, declarou Ueda em coletiva de imprensa.
Projeções de inflação no Japão são revisadas para cima
No relatório trimestral, o banco revisou suas estimativas e também divulgou, pela primeira vez, projeções até o ano fiscal de 2028 (que termina em março de 2029).
A expectativa é que o índice de preços ao consumidor (excluindo alimentos frescos) atinja 2,8% no ano fiscal até março de 2027, acima dos 1,9% projetados anteriormente.
Para os anos seguintes, o banco projeta inflação de 2,3% até março de 2028 e de 2% no período subsequente.
Iene fraco pode intensificar pressão inflacionária
O conselho de política monetária do BoJ considera ainda que, além do impacto da energia, a busca global por ativos considerados mais seguros, como o dólar, tem pressionado o iene.
A desvalorização da moeda japonesa encarece importações e pode contribuir para uma aceleração adicional da inflação.
Nesse contexto, o Banco Central revisou para baixo suas projeções de crescimento para a economia, estimando que deve avançar 0,5% no atual ano fiscal, abaixo da estimativa anterior de 1%.
Para os anos seguintes, a expectativa é de expansão de 0,7% e 0,8%, refletindo o impacto dos custos mais elevados de energia sobre a atividade econômica.
Japão considera possibilidade de alta de juros
Apesar da decisão de manter a taxa, o banco reiterou que poderá promover novos aumentos caso a economia evolua conforme suas projeções. A autoridade monetária afirmou que seguirá avaliando o momento e o ritmo de eventuais ajustes, com atenção aos impactos do cenário externo.
Diante desse contexto, parte dos economistas projeta uma elevação dos juros para 1% já na próxima reunião, prevista para junho.
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Cenário global segue em compasso de espera
No exterior, a maior parte dos Bancos Centrais também adota postura cautelosa. A expectativa é de que o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE) mantenham suas taxas nesta semana.
Na Ásia, outras autoridades monetárias aguardam maior clareza sobre os efeitos da guerra, enquanto Austrália, Cingapura e Filipinas optaram pelo aperto monetário.











