A inflação nos Estados Unidos voltou a acelerar em maio e atingiu o maior nível dos últimos três anos, reforçando os desafios do Federal Reserve (Fed) no combate à alta dos preços. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,5% no mês e acumulou avanço de 4,2% em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA nesta quarta-feira (10).
A aceleração foi impulsionada principalmente pelo aumento dos custos de energia, em meio aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. O resultado veio exatamente em linha com as projeções do mercado, que já esperava alta de 0,5% na comparação mensal e de 4,2% na base anual.
Apesar da desaceleração da inflação mensal em relação a abril, quando o CPI avançou 0,6%, a persistência das pressões inflacionárias amplia os argumentos para que o Fed mantenha sua taxa básica inalterada até 2027.
Custos de energia lideram pressão inflacionária nos EUA
A pressão inflacionária no resultado de maio foi impulsionada principalmente pelos custos de energia, em meio aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços da gasolina e de outros combustíveis. O índice de energia avançou 3,9% em maio, após alta de 3,8% no mês anterior. Em 12 meses, a categoria acumula alta de 23,5%.
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Já os preços dos alimentos registraram aumento de 0,2% em maio, desacelerando em relação à alta de 0,5% observada em abril. No acumulado de um ano, os alimentos ficaram 3,1% mais caros.
Núcleo da inflação fica abaixo do esperado
O núcleo do CPI, indicador que exclui alimentos e energia por serem itens mais sujeitos a oscilações temporárias, avançou 0,2% em maio, após alta de 0,4% em abril. O resultado ficou abaixo da expectativa de mercado, que apontava crescimento de 0,3%.
No acumulado de 12 meses, o núcleo da inflação atingiu 2,9%, ligeiramente acima dos 2,8% registrados em abril e em linha com as projeções dos analistas.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, destaca como ponto positivo o núcleo da inflação ter ficado abaixo das estimativas do mercado para maio e metade do que foi o mês anterior, evidenciando que os impactos da inflação estão mais restritos aos preços de energia, que subiram em 23,5% nos 12 meses, e não tanto aos custos dos alimentos.
O especialista salienta ainda que o item moradia, que é um ponto-chave para a política monetária do Fed e responde por mais de 1/3 no peso do CPI, cresceu 0,6% no mês de abril e agora em maio ficou a 0,3%. Apesar de ainda crescer a uma taxa de 3,4%, acima da meta do Fed, Alves observa que esse abrandamento frente ao dado de abril, foi positivo.
Outro ponto importante nessa leitura é que os serviços de transporte tiveram queda de 0,6% nos preços, enquanto o esperado era um aumento dos preços por conta dos combustíveis e custos de energia. Com esse comportamento atípico do setor, Alves interpreta que talvez os mecanismos de transmissão dessa inflação ainda sejam limitados.
Nesse cenário, o especialista salienta o impacto do CPI de maio na cotação do dólar, que cede levemente US$ 0,15, diante dos yields mais baixos, o que deve trazer nesse momento um alívio em relação à cotação do dólar frente ao real.
Impacto da inflação sobre as famílias
Maio marcou o terceiro mês consecutivo de forte avanço dos preços ao consumidor. Segundo o relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho norte-americano, há sinais de que mais famílias estão utilizando suas reservas financeiras para sustentar os gastos.
Além disso, a inflação superou o aumento dos salários pelo segundo mês seguido, um fator que deve reduzir o poder de compra das famílias e afetar o ritmo de expansão da economia americana.
O aumento do custo de vida também ganha relevância no cenário político dos Estados Unidos. O tema surge como um desafio para o presidente Donald Trump e para o Partido Republicano, que buscam manter o controle do Congresso às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.











