O Banco do Japão (BoJ) abriu a temporada de decisões de política monetária ao anunciar nesta terça-feira (16) o aumento de sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 0,75% para 1% ao ano. Com a decisão, o custo do crédito no país alcança o maior nível desde 1995.
A taxa cobrada nos empréstimos concedidos pelo próprio Banco Central também subirá, passando de 1% para 1,25% ao ano. Essa foi a primeira alta desde dezembro e consolida um novo passo no processo de normalização da política monetária japonesa.
A decisão foi aprovada por sete votos a um. O conselheiro Toichiro Asada foi o único a defender a manutenção dos juros, argumentando que os riscos de desaceleração da produção e do emprego ainda superam as pressões inflacionárias observadas na economia.
Ao anunciar a decisão, o BoJ apontou a alta do petróleo provocada pela guerra no oriente Médio como um dos principais fatores de preocupação para a inflação. Segundo a autoridade monetária, o avanço dos custos da energia vem se espalhando pela economia e poderá continuar pressionando os preços nos próximos meses. Por isso, o banco indicou que seguirá acompanhando atentamente a evolução da inflação e da atividade econômica, mantendo aberta a possibilidade de novas elevações dos juros.
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A decisão coloca o Japão em linha com a postura mais restritiva adotada por outros bancos centrais ao redor do mundo, que também vêm reagindo à escalada dos preços do petróleo desde o início do conflito.
Inflação segue abaixo da meta, mas riscos aumentam
O núcleo da inflação ao consumidor, indicador que exclui alimentos frescos, está em cerca de 1,5%, abaixo da meta oficial de 2% perseguida pelo Banco Central.
Apesar disso, a instituição avalia que o aumento do petróleo está sendo rapidamente repassado aos preços praticados entre empresas, o que aumenta a probabilidade de que esses custos cheguem a uma variedade maior de bens e serviços nos próximos meses.
Os sinais dessa pressão já aparecem nos preços ao produtor. Segundo dados citados pelo jornalista Lim Hui Jie, da CNBC, o índice de preços ao produtor avançou 6,3% em maio na comparação anual, registrando o maior aumento dos últimos três anos. O resultado foi impulsionado principalmente pela alta dos custos de energia.
Em seu comunicado, o BoJ alertou que existe o risco de a inflação subjacente acelerar para além da meta de 2% devido ao encarecimento da energia.
A instituição afirmou ainda que, mesmo após a elevação dos juros, as condições financeiras deverão continuar estimulando a economia: “Espera-se que as condições financeiras acomodatícias sejam mantidas após a alteração na taxa de juros de referência, continuando a apoiar firmemente a atividade econômica”.
Economia mostra recuperação, apesar de sinais de fraqueza
Na avaliação do BoJ, a economia japonesa continua em recuperação moderada, embora alguns setores apresentem sinais de enfraquecimento.
O banco reconhece que a alta dos preços do petróleo tem reduzido parte da atividade econômica. Em contrapartida, os lucros corporativos, a melhora do mercado de trabalho e o avanço da renda seguem sustentando o crescimento.
A instituição também destacou que medidas adotadas pelo governo para reduzir o peso dos custos de energia sobre as famílias ajudaram a diminuir os riscos de uma desaceleração mais forte. Além disso, a busca das empresas por fornecedores alternativos de matérias-primas contribuiu para reduzir parte dos impactos provocados pelo conflito no Oriente Médio.
Iene fraco amplia desafio para o Banco do Japão
Outro elemento que preocupa as autoridades japonesas é a persistente fraqueza do iene. Mesmo após intervenções recordes do governo no mercado cambial, a moeda segue próxima do patamar considerado crítico de 160 ienes por dólar. Após a decisão desta terça-feira, a divisa japonesa era negociada a ¥160,22 por dólar, enquanto o rendimento dos títulos públicos japoneses de 10 anos avançou 3 pontos-base, para 2,615%.
A desvalorização cambial encarece importações e aumenta os custos de energia e matérias-primas compradas no exterior, ampliando as pressões inflacionárias sobre empresas e consumidores.
Japão mantém plano de reduzir compras de títulos
Além da elevação dos juros, o Banco do Japão manteve seu programa de redução gradual das compras mensais de títulos públicos. O cronograma prevê:
- De abril a junho: aquisições de 2,7 trilhões de ienes, equivalente a cerca de R$ 85,3 bilhões
- De julho a setembro: o volume cairá para 2,5 trilhões de ienes, cerca de R$ 79 bilhões
- De outubro a dezembro: 2,3 trilhões de ienes, cerca de R$ 72,7 bilhões
- De janeiro a março de 2027: 2,1 trilhões de ienes, cerca de R$ 66,4 bilhões
- A partir de abril de 2027: 2 trilhões de ienes, cerca de R$ 63,2 bilhões
A redução seguirá um ritmo aproximado de 200 bilhões de ienes por trimestre. O BoJ ressaltou, porém, que poderá ampliar temporariamente as compras caso os juros de longo prazo avancem de forma acelerada, buscando preservar o funcionamento adequado do mercado de renda fixa japonês.











