A criação de empregos no setor privado dos Estados Unidos (EUA) perdeu força em junho e veio abaixo das expectativas do mercado. Dados divulgados pela Automatic Data Processing (ADP) nesta quarta-feira (1º), em parceria com o Stanford Digital Economy Lab, mostram que foram abertas 98 mil vagas.
Com o resultado inferior às 118 mil esperadas por economistas consultados pela Reuters, o levantamento reforça a desaceleração das contratações no país. Ao mesmo tempo, a ADP destacou que a redução nas demissões planejadas indica que as condições do mercado de trabalho permaneceram estáveis durante o mês.
Segundo a economista-chefe da ADP, Nela Richardson, o ritmo das contratações revela uma dinâmica que envolve tanto a oferta quanto a demanda.
“Sabemos que as pessoas estão levando mais tempo para encontrar emprego, mas também há sinais de restrições na oferta de mão de obra em certos setores. Por enquanto, o efeito geral é uma desaceleração na criação de vagas”, afirmou Richardson.
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Os salários dos trabalhadores que permaneceram no mesmo emprego avançaram 4,4% em junho na comparação anual, repetindo o mesmo ritmo observado em abril e maio.
Entre os profissionais que trocaram de emprego, a remuneração aumentou 6,6% em relação ao ano anterior, ligeiramente acima dos 6,5% registrados no mês anterior.
Serviços concentram quase todas as novas vagas no setor privado
A maior parte dos empregos criados em junho veio do setor de serviços, responsável por 96 mil novas vagas. Já a indústria — que engloba manufatura, construção e mineração — adicionou 2 mil postos.
Entre os segmentos industriais, a manufatura abriu 5 mil vagas, a construção criou 2 mil postos, enquanto o setor de extração e mineração eliminou 5 mil empregos.
Na divisão por atividades econômicas, educação e saúde lideraram a geração de empregos, com 48 mil novas vagas. Em seguida aparecem comércio, transporte e serviços públicos, com 15 mil postos, e atividades financeiras, que adicionaram 14 mil empregos.
Em sentido contrário, o segmento de recursos naturais e mineração registrou redução de 5 mil vagas.
Pequenas empresas lideram contratações
Apesar da perda de ritmo na criação de empregos, empresas de todos os portes ampliaram seus quadros de funcionários em junho.
As empresas com 1 a 19 empregados lideraram as admissões, com 38 mil novas vagas. Na sequência ficaram as companhias com mais de 500 funcionários, responsáveis por 25 mil contratações.
Os negócios com 20 a 49 empregados abriram 15 mil postos, enquanto as empresas com 50 a 249 trabalhadores criaram 19 mil vagas. Já as companhias com 250 a 499 empregados adicionaram 10 mil profissionais.
Mercado aguarda relatório oficial de emprego
A ADP informou ainda que o resultado de maio permaneceu inalterado em 122 mil vagas, sem revisão. Separadamente, uma pesquisa da Reuters aponta que economistas esperam que o setor privado tenha criado 110 mil empregos em junho, após 120 mil registrados em maio.
Como não é prevista expansão do emprego público, depois do forte crescimento observado no mês anterior, a estimativa é de que o relatório oficial de empregos fora do setor agrícola (payroll) mostre a abertura de 110 mil vagas, abaixo das 172 mil registradas em maio.
A expectativa dos economistas consultados pela Reuters também é de manutenção da taxa de desemprego em 4,3%, nível que seria mantido pelo quarto mês consecutivo.











