A aplicação de mecanismos de proteção comercial pela China sobre a carne bovina importada do Brasil deve diminuir em cerca de 2% a oferta brasileira em 2026, volume equivalente a cerca de 200 mil toneladas, segundo informações do relatório do Itaú BBA, divulgadas pelo Globo Rural nesta terça-feira (6).
O banco avalia que a política adotada por Pequim define limites quantitativos para as compras externas e impõe cobrança adicional quando esses tetos são ultrapassados.
Na prática, o instrumento eleva o custo do produto acima da cota e reduz a previsibilidade dos embarques, afetando diretamente países com forte exposição ao mercado chinês.
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Exportações de carne bovina para a China em 2025
O relatório destaca que, ao longo de 2025, a China absorveu aproximadamente 1,7 milhão de toneladas da carne bovina exportada pelo Brasil, o que reforça a elevada dependência do setor em relação a um único destino.
Diante desse quadro, o Itaú BBA aponta a ampliação do leque de compradores internacionais como uma estratégia necessária para mitigar riscos comerciais.
A instituição também observa que a retração estimada da produção pode funcionar como um fator de equilíbrio. Com menos volume disponível, parte do excedente que teria de ser deslocado para outros mercados, caso as vendas à China não se repitam em 2026 no mesmo patamar de 2025, deixaria de existir. Esse ajuste, na avaliação do banco, pode reduzir o impacto direto das salvaguardas sobre preços e estoques.
“O Brasil poderia, por exemplo, abastecer o mercado doméstico da Argentina, permitindo que uma parcela maior da produção argentina seja direcionada às exportações para a China”, aponta o Itaú BBA.
A cota definida pelas autoridades chinesas para a Argentina soma 511 mil toneladas, número superior às 436 mil toneladas embarcadas pelo país no acumulado até novembro de 2025.
Situação semelhante é observada no Uruguai, que recebeu autorização para exportar até 324 mil toneladas, mas vendeu 188 mil toneladas no mesmo intervalo.
EUA surgem como alternativa ao mercado de carne bovina brasileira
O estudo do Itaú BBA também aponta possibilidade de expansão das vendas externas de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos. Conforme o relatório, a previsão de aumento do déficit norte-americano do produto em 2026 pode favorecer o crescimento dos embarques brasileiros, sobretudo enquanto houver espaço disponível dentro das cotas de importação vigentes.
Na avaliação do banco, a redução da oferta interna somada à perspectiva de maior demanda dos EUA tende a suavizar os impactos da restrição imposta pela China sobre as exportações brasileiras.
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Segundo o Itaú BBA, caso a China mantenha a atual distribuição de cotas entre os países produtores e o Brasil não consiga acessar volumes que não sejam utilizados por outros exportadores, será necessário acompanhar de perto a capacidade do país de redirecionar seus embarques. Atualmente a oferta ainda permanece elevada em função do ciclo pecuário.




