O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, devolveu parte dos ganhos recentes e encerrou o pregão desta quarta-feira (7) em queda de 1,03%, aos 161.975,24 pontos, após ter alcançado na véspera o segundo maior fechamento da história da B3. O pregão foi marcado por realização de lucros e maior cautela dos investidores diante de sinais vindos do exterior.
O principal gatilho do movimento foi o relatório ADP, que apontou desaceleração na criação de vagas no setor privado dos Estados Unidos. O indicador é visto como um termômetro antecipado do payroll, o relatório oficial de emprego norte-americano, que será divulgado na sexta-feira (9) e pode influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária do Federal Reserve (Fed).
No radar internacional, também pesaram as tensões geopolíticas envolvendo a invasão norte-americana à Venezuela e a sinalização de aumento da oferta de petróleo ao mercado dos EUA.
Para Marcos Vinícius Oliveira, economista e analista sênior da ZIIN Investimentos, a perspectiva de maior disponibilidade da commodity pressiona os preços no médio prazo, com reflexos diretos sobre ações do setor de energia.
Esse cenário limitou o desempenho da Petrobras, que teve ganhos discretos no dia, com leve alta de 0,09% (ON) e de 0,64% (PN). Já a Vale, fechou em alta de 0,59%, mas o avanço não compensou a forte pressão sobre o setor financeiro.
Os bancos lideraram as perdas da sessão, com destaque para o Santander, que caiu 2,27%, enquanto o Itaú recuou 1,6%. Entre as maiores altas, destaque para Cogna, que disparou 7,51%, e CSN, com ganho de 5,69%. Do lado oposto, o Assaí liderou as quedas do dia, com desvalorização de 6,33%.
No câmbio, o dólar interrompeu a sequência de quatro quedas consecutivas e fechou com valorização de 0,13% frente ao real, cotado a R$ 5,39, refletindo um ajuste técnico no mercado doméstico de câmbio, segundo operadores.
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No cenário internacional, às vésperas do que promete ser o dia mais decisivo da semana, o mercado inicia esta quinta-feira (8) em compasso de espera, com os investidores calibrando posições antes da divulgação do payroll nos EUA.
Enquanto isso, o destaque fica para os pedidos semanais de auxílio-desemprego, dado acompanhado de perto por servir como termômetro do mercado de trabalho às vésperas do relatório oficial de empregos.
A principal aposta do mercado segue sendo o início da flexibilização monetária pelo Federal Reserve em abril, caso os dados confirmem arrefecimento da inflação e do mercado de trabalho.
No Brasil, o IBGE apresenta a produção industrial de novembro, com expectativa de desempenho fraco, o que tende a reforçar a leitura de desaceleração da atividade econômica.
Esse conjunto de números pode consolidar a percepção de que o Banco Central (BC) terá espaço para iniciar um ciclo de cortes da Selic já em março.
No campo político, cresce a expectativa em torno de um possível veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da dosimetria, durante a solenidade que marca os três anos dos ataques golpistas de 8 de janeiro.
Além disso, investidores seguem monitorando o desdobramento do caso Master, que colocou o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU) em embate. A disputa institucional tem gerado ruído adicional e elevado o nível de incerteza, especialmente entre investidores estrangeiros.
Segundo reportagem do Broadcast, bancos globais e investidores internacionais intensificaram contatos com interlocutores no Brasil, preocupados com o risco de que uma eventual ingerência do TCU comprometa a autonomia do Banco Central.
A avaliação do mercado é de que o aumento das dúvidas e da desconfiança pode resultar em saída mais intensa de capital externo. Segundo o último informe da B3, os investidores estrangeiros retiraram R$ 212,4 milhões do mercado brasileiro na última segunda-feira (5).
No acumulado de 2026, o fluxo externo já é negativo em R$ 1,1 bilhão, evidenciando um início de ano mais defensivo para os ativos locais.
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Manchetes desta manhã
- Caso do Banco Master começa a contaminar o risco Brasil (Valor)
- PF vai investigar se influenciadores foram pagos para defender Master nas redes (Folha)
- Agricultores protestam com tratores em Paris contra o acordo da UE e do Mercosul (Estadão)
- papéis de extinto banco de SC usados em operações com fundos aparecem em cartilha do Tesouro sobre fraudes (O Globo)
- Lula vai assinar veto ao PL da dosimetria em ato pelo 8 de janeiro (Valor)
Mercado global
As Bolsas da Europa operam majoritariamente em queda diante do aumento das preocupações geopolíticas após declarações de Trump sobre o possível uso de força militar para adquirir a Groenlândia.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que se reunirá na próxima semana com autoridades da Dinamarca. O tema chama atenção porque EUA e Dinamarca são aliados na OTAN, e uma eventual ocupação militar da Groenlândia por Washington colocaria em risco a continuidade da aliança.
No noticiário corporativo, a francesa Sodexo caiu 3,91% em Paris após divulgar crescimento orgânico de 1,8% na receita do primeiro trimestre. Já a britânica Greggs recuou 6,88% em Londres, mesmo após registrar alta de 7,4% nas vendas totais do quarto trimestre.
Na Ásia, os índices fecharam majoritariamente em baixa com a queda das ações de tecnologia e redução do apetite por risco dos investidores que apostaram em ações do setor de defesa no início da semana.
No Japão, o destaque negativo ficou com o SoftBank Group, cujas ações recuaram quase 8%. O índice Nikkei recuou 1,63%, enquanto na China o Xangai caiu 0,07% e o Shenzhen teve baixa de 0,51%.
Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,17%, enquanto, em Taiwan, o Taiex recuou 0,25%. A exceção ficou por conta da Coreia do Sul, onde o Kospi praticamente ficou estável, com leve alta de 0,03%.
Em Nova York, os índices futuros caem nesta quinta-feira (8), enquanto investidores aguardam o relatório de empregos dos EUA (payroll), previsto para sexta-feira, após dados recentes do mercado de trabalho pouco alterarem as expectativas sobre os juros do Fed.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro -0,2%
• FTSE 100 -0,3%
• CAC 40 -0,3%
• Nikkei 225 -1,6%
• Hang Seng -1,2%
• Shanghai SE Comp. -0,1%
• MSCI World -0,1%
• MSCI EM -0,7%
• Bitcoin -1% a US$ 90.140,06
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Commodities
- Petróleo: se recupera com investidores avaliando tensões geopolíticas e dados dos EUA. Autoridades americanas afirmaram que o país precisa controlar as vendas e receitas de petróleo da Venezuela para apoiar a estabilização econômica e a reconstrução do setor petrolífero local, alinhando o país aos interesses dos EUA.
Apesar disso, as preocupações com excesso de oferta limitam ganhos mais fortes. Por outro lado, a queda maior do que a esperada nos estoques de petróleo dos EUA, de 3,8 milhões de barris, oferece algum suporte aos contratos futuros.
O Brent/mar valoriza 1%, cotado a US$ 60,56 e o WTI/fev avança 1,05%, a R$ 56,58 - Minério de ferro: fechou em leve queda de 0,37% em Dalian, na China, cotado a US$ 116,19/ton.
Em Singapura, os contratos futuros caem 1,1%, cotados a US$ 107,85/ton e o mercado à vista recua 0,83%, cotado a US$ 107,90/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda do dia traz às 10h30 os pedidos semanais de auxílio-desemprego e os dados da balança comercial, números que ajudam a calibrar as expectativas para a atividade econômica e para os próximos passos do Fed.
Na véspera, o relatório Jolts já havia sinalizado arrefecimento no mercado de trabalho americano. O número de vagas abertas caiu para 7,14 milhões no último dia útil de novembro, abaixo da projeção de 7,65 milhões, reforçando a leitura de perda gradual de fôlego da economia.
No cenário geopolítico, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington trabalha com um plano de três etapas para o país: estabilização, recuperação econômica e, por fim, uma transição de poder acompanhada de um processo de reconciliação nacional.
Rubio também confirmou que deve se reunir com líderes da Dinamarca na próxima semana e voltou a afirmar que os EUA mantêm aberta a possibilidade de buscar seus objetivos na Groenlândia por meios militares.
Na China, às 22h30, saem os dados de inflação de dezembro. A expectativa é de que o índice de preços ao consumidor (CPI) encerre 2025 com alta de 0,8%, acima dos 0,1% registrados em 2024 e da deflação observada em 2023, mas ainda distante da meta oficial de 3%.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda doméstica ganha destaque nesta quinta-feira com a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de novembro, indicador-chave para avaliar o ritmo da atividade econômica no país. A expectativa do BTG é de queda de 0,8% na comparação interanual, resultado que reflete um desempenho desigual entre os segmentos da indústria.
A projeção aponta crescimento na indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação tende a mostrar estabilidade no agregado.
No campo institucional, o mercado segue atento aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master. Após o Tribunal de Contas da União autorizar uma inspeção em caráter de máxima urgência no Banco Central para analisar o episódio, informações do Valor Econômico indicam que o processo deve ser suspenso, o que reduz, ao menos por ora, o ruído institucional em torno do tema.
Ainda no noticiário político-econômico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nomeação acompanhada de perto por investidores diante do papel estratégico do órgão na regulação e fiscalização do mercado de capitais brasileiro.
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Destaques do mercado corporativo
- Petz: informou mudança relevante na participação acionária da XP, que passou a deter 1,62% do capital por meio de fundos sob sua gestão.
- Espaçolaser: foi notificada pela B3 sobre oscilações do papel abaixo de R$ 1 e terá prazo para reenquadramento para evitar desenquadramento de listagem.
- EDP Brasil: teve aprovado o cancelamento voluntário de sua listagem na B3, sem impacto sobre o registro de emissora na CVM.


