O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão desta quinta-feira (8) em alta de 0,59%, aos 162.936,48 pontos, na máxima do dia, sustentado pelo forte desempenho da Petrobras. As ações da estatal avançaram com a valorização do petróleo no mercado internacional: os papéis ON subiram 2,50% e os PN, 1,24%, garantindo o saldo positivo do índice.
O avanço compensou as perdas de Vale, que recuou 0,97% após a queda de 0,37% do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China. O movimento refletiu realização de lucros e o aumento das preocupações com uma possível intervenção chinesa nos preços da commodity.
No setor financeiro, o pregão foi misto. O Bradesco registrou perdas de 1,7% (PN) e de 1,19% (ON), enquanto Itaú (+1,55%), Santander (+1,75%) e Banco do Brasil (+0,55%) fecharam em alta.
Em destaque no Ibovespa, Brava disparou 5,7% e Axia Energia avançou 4,07%, liderando os ganhos do dia, enquanto na ponta oposta, Hapvida liderou as perdas, com queda de 4,77%.
No câmbio, o dólar encerrou praticamente estável, com leve alta de 0,04%, a R$ 5,39. refletindo a postura cautelosa do mercado à espera do payroll dos Estados Unidos, previsto para esta sexta-feira (9), dado-chave para as expectativas sobre os juros americanos.
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Os mercados iniciam esta sexta-feira (9) atentos a uma sequência de indicadores e decisões capazes de influenciar diretamente o rumo dos juros. Se o payroll dos Estados Unidos e o IPCA brasileiro de dezembro não trouxerem surpresas negativas, a tendência é de manutenção das apostas atuais: retomada do ciclo de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed) a partir de abril e o primeiro corte da Selic projetado para março.
No cenário internacional, a Suprema Corte dos Estados Unidos pode divulgar ainda hoje um veredicto sobre a legalidade das tarifas comerciais impostas durante o governo Donald Trump sem consultar o Congresso e com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa), de 1977.
A decisão tem potencial de afetar a inflação e, por consequência, a política monetária americana. Washington, no entanto, já sinalizou que pode recompor as receitas tarifárias caso sofra uma derrota judicial, o que reduziria os impactos econômicos imediatos.
No Brasil, a atenção se volta para o IPCA de dezembro. A inflação oficial deve acelerar de 0,18% em novembro para 0,33%, na mediana das projeções do Broadcast, pressionada principalmente pelas passagens aéreas. As estimativas variam de 0,27% a 0,45%, todas apontando para alta.
Analistas avaliam que, apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica, o comportamento do câmbio e as incertezas fiscais ainda impõem cautela ao Banco Central (BC). Esses fatores podem servir de argumento para o Copom postergar o início do ciclo de cortes da Selic para março.
A notícia mais favorável é que o IPCA deve encerrar 2025 em 4,27%, segundo a mediana das projeções, abaixo do teto da meta de 4,5% e inferior aos 4,46% acumulados em 12 meses até novembro. Em 2024, a inflação fechou em 4,83%, acima do limite estabelecido pelo regime de metas.
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Manchetes desta manhã
- Emissão de dívida em dólar deve somar até US$ 10 bi no início do ano (Valor)
- UE aprova acordo com Mercosul; França prepara reação (Folha)
- Lula sanciona lei do devedor contumaz, com cinco vetos (Estadão)
- Master: investigação apura empréstimo do banco, transações de fundos da Reag e alta rentabilidade (O Globo)
- Trump cancela segunda onda de ataques à Venezuela (Valor)
Mercado global
As Bolsas da Europa sobem com negociações entre mineradoras e renovam máximas históricas, impulsionadas pela disparada de 8,49% das ações da Glencore, que levou o STOXX 600 a subir 0,42%, a caminho de sua maior sequência de ganhos semanais desde maio.
O movimento ocorre apesar de balanços corporativos fracos e do aumento das tensões geopolíticas envolvendo os EUA e a Venezuela.
No front corporativo europeu, Glencore atinge o maior valor desde julho de 2024, enquanto Rio Tinto cai 0,81%. A Rio Tinto afirmou que está em negociações preliminares para comprar a Glencore, um negócio que criaria a maior mineradora do mundo.
Na Ásia, os índices encerram a semana em alta, impulsionadas por novo rali das ações do setor de defesa.
No Japão, o índice Nikkei subiu 1,6%, enquanto o Kospi avançou 0,75% na Coreia do Sul. Já em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,32%.
Na China, após dados de inflação ao consumidor indicarem leve alta em dezembro (+0,8%), Xangai avançou 0,92% e Shenzhen, 1,15%.
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade, enquanto investidores aguardam o relatório de emprego (payroll) de dezembro, que pode influenciar as expectativas para a política monetária nos EUA.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro +0,1%
• FTSE 100 +0,4%
• CAC 40 +0,6%
• Nikkei 225 +1,6%
• Hang Seng +0,3%
• Shanghai SE Comp. +0,9%
• MSCI World +0,1%
• MSCI EM -0,1%
• Bitcoin -0,9% a US$ 90.348,13
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Commodities
- Petróleo: se estabiliza após forte alta na véspera, com o mercado atento a riscos de oferta envolvendo Rússia, Irã e Venezuela. O presidente Trump afirmou que Caracas pode enviar até US$ 3 bilhões em petróleo aos EUA, enquanto o Congresso avalia um projeto que pode limitar a intervenção.
Na Europa Oriental, os confrontos entre Rússia e Ucrânia seguem sem avanço rumo a um cessar-fogo, e Trump pressiona por sanções mais duras a países que negociam com Moscou.
Já no Oriente Médio, o Iraque aprovou a nacionalização do campo de West Qurna 2, um dos maiores do mundo, para evitar interrupções ligadas às sanções americanas contra a Rússia.
O Brent/mar sobe 0,45%, cotado a US$ 62,27 e o WTI/fev avança 0,42%, a US$ 58. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,73% em Dalian, na China, cotado a US$ 116,63/ton.
Em Singapura, os contratos futuros avançam 0,23%, cotados a US$ 108,50/ton e o mercado à vista sobe 0,51%, cotado a US$ 108,40/ton.
Cenário internacional de olho no payroll
Nos EUA, a atração desta sexta-feira é o relatório de emprego (payroll), previsto para as 10h30. A expectativa é de leve melhora no mercado de trabalho, com a taxa de desemprego recuando para 4,5%, após a alta anterior atribuída, em grande parte, a demissões temporárias. Pelo consenso, a criação de vagas deve acelerar para 70 mil postos.
No campo geopolítico, a Venezuela voltou ao radar após o presidente dos EUA afirmar ter cancelado um segundo ataque militar ao país, alegando que os dois governos estão “trabalhando bem” juntos. A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, deve viajar a Washington na próxima semana.
Segundo o presidente americano, a prioridade no momento é “reconstruir” a Venezuela, sem a realização de eleições no curto prazo, e os embarques de petróleo venezuelano para os EUA devem ser retomados imediatamente. Os investimentos no setor petroleiro do país são estimados em até US$ 100 bilhões.
Na China o índice de preços ao consumidor subiu 0,2% em dezembro ante novembro e acumulou alta de 0,8% em 12 meses. Já os preços ao produtor mantiveram trajetória deflacionária, com queda anual de 1,9%.
Na Europa, o Eurostat informou que as vendas no varejo da zona do euro avançaram 0,2% em novembro na comparação mensal e 2,3% em relação a um ano antes, números que confirmaram as projeções do mercado.
Ainda hoje, os países da União Europeia devem assinar o maior acordo de livre comércio da história com o Mercosul, mais de 25 anos após o início das negociações, com exceção da França, que prometeu reação em breve.
Cenário nacional com foco em dados de inflação
No Brasil, a agenda doméstica gira em torno da divulgação do IPCA de dezembro. A expectativa é de que a inflação acumule alta de 4,26% em 12 meses, com avanço de 0,35% na comparação mensal, dado que pode influenciar diretamente as apostas para o início do ciclo de cortes da Selic.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve conversas com o primeiro-ministro do Canadá e com os presidentes da Colômbia e do México para discutir a situação na Venezuela, em meio ao aumento da atenção internacional sobre o país vizinho.
No Congresso, o veto integral do presidente Lula ao projeto que reduz penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro abriu a primeira crise política do ano entre o Planalto e o Legislativo. Centrão e oposição já se articulam para derrubar a decisão presidencial.
A manutenção do veto exigirá forte articulação do governo, e parlamentares ouvidos pelo Valor apontam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como peça-chave para definir o destino do tema. Ainda sem data definida para a votação, cresce a pressão para que a análise ocorra logo após o recesso, em fevereiro, enquanto a base governista tenta adiar a deliberação.
Já no noticiário corporativo, a Justiça dos Estados Unidos impôs uma derrota ao empresário Daniel Vorcaro ao reconhecer, nesta quinta-feira (8), o processo de liquidação da instituição financeira e determinar o bloqueio de seus ativos no país. Os recursos poderão ser utilizados para o pagamento de credores.
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Destaques do mercado corporativo
- Azul: Despencou fora do Ibovespa após forte diluição dos acionistas com a oferta de R$ 7,4 bilhões em ações no processo de reestruturação financeira.
- GPA: Anunciou mudanças na diretoria, com renúncia do CFO e novo arranjo interino na vice-presidência financeira e na área de RI.
- União Pet (Petz + Cobasi): Ajustou marginalmente o valor unitário das ações preferenciais resgatadas no processo de fechamento da fusão.
- Motiva: Concluiu, com a Ecorodovias, a criação da plataforma digital Inovap para gestão de pedágios free flow e teve redução de participação da Capital International Investors.
- Ecorodovias: Finalizou a operação conjunta com a Motiva para a plataforma de pagamentos de pedágio sem cancelas, após aval do Cade.
