O preço das áreas agrícolas para arrendamento no Brasil sofreu uma baixa relevante no segundo semestre de 2025, em um movimento associado à queda das cotações das commodities agrícolas e ao aperto das margens dos produtores rurais. O cenário reduziu a disposição por novos contratos de arrendamento em diversas regiões do país.
Segundo levantamento da S&P Global Commodity Insights divulgado pelo Globo Rural, o preço médio do arrendamento rural foi de R$ 1.931 por hectare no segundo semestre de 2025, o que representa queda de 2,5% na comparação com igual período de 2024.
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“Estamos em um momento de enfraquecimento dos preços globais de soja e milho, em função de ofertas elevadas. Com isso, caso os preços se mantenham acomodados, com a ausência de um forte catalisador de alta, os preços do arrendamento também devem se manter arrefecidos”, diz Leydiane Brito, analista da S&P Global.
Preços do arrendamento por região
Na análise regional, o Sudeste foi a exceção no segundo semestre de 2025. A região registrou alta de 4,3% nos preços do arrendamento, impulsionada principalmente pelas áreas de café e de pastagens.
As áreas de pasto nessa região costumam ser arrendadas para conversão em lavouras ou para sistemas de integração lavoura-pecuária; modelo que combina a produção agrícola com a criação de gado na mesma área.
No Sul do país, onde o hectare arrendado é o segundo mais caro do Brasil, atrás apenas do Sudeste, o preço médio do arrendamento ficou em R$ 2.342 por hectare no último semestre, que corresponde à queda de 9,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Contratos antigos de arrendamento pressionam produtores
A queda nos preços atuais do arrendamento não beneficia produtores que firmaram contratos em períodos mais favoráveis para os grãos.
Esses contratos foram fechados quando as cotações estavam mais elevadas e seguem como referência para o custo da terra.
Além dos custos mais altos com o arrendamento, esses produtores enfrentam um cenário de pressão sobre as commodities agrícolas; contexto que resulta em margens mais estreitas e, em alguns casos, negativas.
Cenário é de cautela no mercado de compra e venda de terras
No mercado de compra e venda de terras agrícolas, o cenário também é de cautela. A S&P Global Commodity Insights revela que houve uma leve alta nos preços no último trimestre de 2025.
O preço médio das áreas agrícolas no Brasil ficou em R$ 27.412 por hectare no período, equivalente a uma alta de 1,63% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Nas áreas destinadas à produção de grãos, o preço médio chegou a R$ 56.323 por hectare, avanço de 0,89% na comparação anual.
“A possibilidade de manter preços com variações moderadas é provável devido à baixa liquidez que o mercado enfrenta há algum tempo. O contexto global é de aumento de estoques de grãos e preços de soja e milho no Brasil mais acomodados, caso não tenhamos um fator de suporte, como quebras produtivas ou retração de área”, estima Leydiane Brito.
Perspectivas para 2026
Segundo a analista da S&P Global, juros elevados, margens pressionadas e restrições de crédito dificultam a concretização de negócios em maior escala no mercado de terras. Com poucos negócios, os preços tendem a permanecer estáveis.
Para 2026, a expectativa é de continuidade desse cenário, tanto no mercado de arrendamentos quanto no de compra e venda de terras, com liquidez ainda reduzida.
“A possibilidade de converter áreas de pastagem degradadas em áreas de lavouras tem sido vista como umas das principais opções de investimento a longo prazo, pelo elevado ganho de capital com a venda do ativo no futuro”, afirma Brito.
Segundo avaliação da S&P Global, a conversão dessas áreas envolve investimentos em correção de solo e infraestrutura, mas pode ampliar o valor da terra ao longo do tempo.


