O ouro renovou sua máxima histórica nesta quarta-feira (28) ao ultrapassar US$ 5,3 mil por onça, impulsionado pela queda do dólar no menor nível em quase quatro anos e pela busca de investidores por ativos mais conservadores após falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a desvalorização da moeda.
O metal chegou a subir até 2% ao longo do dia, depois de ter avançado 3,4% na sessão anterior, a maior alta diária desde abril.
Com o desempenho atual, o ouro acumula valorização de cerca de 22% no ano e conseguiu superar a marca de US$ 5 mil por onça pela primeira vez nesta semana.
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Declarações de Trump empurram investidores para o ouro
A disparada do ouro ganhou força após declarações de Donald Trump indicando que não há preocupação com a desvalorização do dólar.
Trump afirmou que o “dólar está ótimo” e que não há motivo para preocupação com o nível da moeda, mesmo operando nos patamares mais fracos em quase quatro anos.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, aprofundou as perdas após o fechamento do mercado em Nova York nesta terça-feira (27).
Neste dia, o índice do dólar caiu 1,1%, a maior queda diária desde abril. A desvalorização torna o ouro mais barato para compradores que utilizam outras moedas, o que tende a ampliar a demanda pelo metal.
Trump também disse a repórteres, em Iowa, que o dólar estava “indo muito bem” e que esperava flutuações nos valores das moedas. “Não, eu acho que está ótimo”, afirmou, ao ser questionado se estava preocupado com perdas da moeda.
Tensões globais e mercado de títulos ampliam busca por proteção
A queda do dólar, somada ao aumento das tensões no cenário internacional, levou investidores a buscar proteção no ouro e em outros metais preciosos. No mesmo período, a prata acumulou alta de cerca de 60%.
Um movimento intenso de venda de títulos públicos no Japão também elevou as preocupações com o nível de gastos do país.
Além disso, cresce a expectativa de que os Estados Unidos possam intervir para apoiar o iene, o que tem pressionado ainda mais o dólar no mercado internacional.
Política monetária dos EUA no radar
No mercado de juros, operadores vêm ampliando apostas em uma postura mais branda do Federal Reserve (Fed). A expectativa é influenciada pela possibilidade de que Rick Rieder, diretor de investimentos da BlackRock, suceda Jerome Powell na presidência da instituição.
Rieder defende uma abordagem mais agressiva para reduzir os custos de empréstimos. Um ambiente de juros mais baixos tende a favorecer o ouro, já que o metal não oferece rendimento, diferentemente de ativos como títulos públicos.
“As expectativas de um Fed mais brando e menos independente, assim como os riscos geopolíticos, provavelmente estão impulsionando alocações mais rápidas em ouro, lideradas por investidores de varejo”. “Salvo correções de curto prazo, continuamos vendo risco adicional de alta”, afirma Suki Cooper, chefe global de pesquisa em commodities do Standard Chartered.
Ouro está mais abundante nos cofres dos bancos centrais
A valorização do ouro também vem sendo sustentada pelas compras realizadas por bancos centrais ao redor do mundo e pelo aumento dos investimentos em fundos negociados em bolsa (ETFs) que acompanham o preço do metal.
A volatilidade implícita dos contratos futuros negociados na Comex (divisão da Bolsa de Nova York voltada a metais) subiu ao maior nível desde março de 2020, período marcado pelo pico das incertezas durante a pandemia de Covid-19.
Nesse cenário, poucos investidores estão dispostos a apostar na queda dos preços, e o mercado já trabalha com a possibilidade de novas altas.
Até o setor de criptomoedas ampliou exposição ao ouro
Empresas do setor de criptomoedas também passaram a aumentar a exposição ao metal. A Tether, emissora da stablecoin mais utilizada do mundo, detém cerca de 140 toneladas de ouro.
O volume faz da empresa a maior detentora privada do metal fora bancos e governos. A maior parte do ouro é mantida como reservas próprias, informou o CEO da Tether, Paolo Ardoino, em entrevista à Bloomberg News.


