O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta super quarta (28) em forte alta de 1,52%, aos 184.691,05 pontos, renovando tanto o recorde de fechamento quanto o intradiário, quando alcançou 185.064,76 pontos.
O avanço foi sustentado pela rotação de investimentos para mercados emergentes, como o Brasil, mesmo após o Federal Reserve (Fed) manter inalteradas as taxas de juros nos Estados Unidos. A decisão, amplamente esperada, acabou abrindo espaço para fluxos direcionados a ativos de países com prêmio de risco mais elevado, aponta análise publicada pelo Valor Econômico.
No Brasil, após o fechamento da Bolsa, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, preservando os juros no maior patamar desde 2006 e reforçando a leitura de cautela do Banco Central diante do cenário inflacionário.
O rali do Ibovespa foi liderado por Petrobras, que encerrou o dia com ganhos de 2,9% (ON) e de 3,35% (PN), com destaque também para a Vale, que avançou 2,44%.
No setor financeiro, o Banco do Brasil subiu 2,88%, quanto o Santander ganhou 2,32% e o Itaú avançou 2,25%; além do Bradesco, que fechou com alta de 1,08% (ON) e de 1,35% (PN).
Entre os maiores destaques do dia, a Raízen disparou 20%, seguida pela C&A, que avançou 8,60%. Na ponta oposta, a Embraer figurou entre as principais quedas, com recuo de 3,53%.
No câmbio, o dólar encerrou o pregão estável, cotado a R$ 5,20, em meio à realização pontual de lucros, após a recente sequência de valorização do real frente à moeda norte-americana.
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No cenário internacional repercute a decisão do Fed em manter as taxas básicas de juros sob forte apoio e apenas dois votos dissidentes, de Miran e Christopher Waller, que defenderam um corte de 25 pontos-base.
As sinalizações do Fed foram avaliadas como moderadas e não alteraram a principal aposta do mercado: o início do ciclo de cortes apenas em junho, probabilidade estimada em 47,5% pela ferramenta do CME, quando Jerome Powell já não estará mais à frente da instituição, deixando o cargo em maio.
No debate sobre a sucessão de Powell, as apostas em Christopher Waller avançaram, com suas chances subindo de 12% para 16% no Polymarket. Ainda assim, ele permanece como terceiro mais cotado. Rick Rieder segue como favorito, com 36% das apostas, seguido por Kevin Warsh, com 29%.
No front geopolítico, as tensões entre EUA e Irã seguem no radar e pressionam os mercados globais. Em resposta às ameaças do presidente Donald Trump, que voltou a mencionar a possibilidade de um ataque militar, o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que as forças do país estão prontas para reagir, com o “dedo no gatilho”.
Reportagem do New York Times indica que não há sinais de disposição do governo iraniano em ceder às exigências de Washington. Segundo o jornal, Estados Unidos e União Europeia apresentaram três condições ao Irã: o fim permanente do enriquecimento de urânio, restrições ao número de mísseis balísticos e o encerramento do apoio a grupos aliados no Oriente Médio.
Durante a madrugada, o petróleo chegou a subir quase 2%, refletindo o aumento do risco de um conflito na região.
No Brasil, o principal destaque segue sendo o “day after” da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado foi surpreendido pelo tom do comunicado, que antecipou o início do ciclo de cortes da Selic já na próxima reunião.
Apesar da sinalização de um ritmo cauteloso para a flexibilização, os investidores avançaram de forma agressiva nas apostas, ignorando o apelo por “serenidade” do Banco Central e precificando um primeiro corte entre 50 e até 75 pontos-base.
No texto, o BC afirmou que, em um ambiente de inflação mais baixa e com efeitos mais evidentes da política monetária, chegou o momento de “calibrar o nível de juros”, indicando que pretende iniciar a flexibilização na próxima reunião. Ao mesmo tempo, o comunicado buscou impor um freio às expectativas, ao reforçar o compromisso com a manutenção de uma “restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.
A leitura do mercado é de que a volatilidade na curva de juros deve ser elevada ao longo do dia, em meio à divulgação de dados relevantes para a condução da política monetária. À tarde, entram no radar o resultado do Caged e o resultado fiscal do Governo Central.
No caso do mercado de trabalho, a expectativa é de um número mais fraco em dezembro, refletindo a demissão de trabalhadores temporários contratados para atender à demanda de fim de ano. A mediana das estimativas coletadas pelo Broadcast aponta para o fechamento de 481,3 mil vagas com carteira assinada, após a criação de 85.864 postos formais em novembro.
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Manchetes desta manhã
- BC abre investigação interna sobre caso Master (Valor)
- Estoque de crédito no Brasil sobe 1,8% em dezembro, diz BC (Folha)
- PF faz operação para apurar desvios de emendas Pix de deputado federal do Acre usada para pagar show (Estadão)
- Nvidia, Microsoft e Amazon negociam financiamento de até US$ 60 bi para a OpenAI, diz jornal (O Globo)
Mercado global
Bolsas da Europa operam sem direção única, mas com viés positivo após a cautela da véspera relacionada à decisão do Fed.
Os investidores avaliam o índice de sentimento econômico de janeiro na zona do euro e repercutem o lucro do Deutsche Bank no quarto trimestre, acima das estimativas.
Na Ásia, os índices fecharam sem direção única, influenciadas por medidas de estímulo, realização de lucros após a forte alta do ouro, prata e cobre, e pelo aumento das incertezas geopolíticas.
O setor financeiro repercutiu a decisão de Hong Kong de manter os juros em 4%, em linha com a postura recente do Fed.
Na China, o Shanghai subiu 0,16% e o Shenzhen caiu 0,30%, enquanto na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,98% em novo recorde, impulsionado pelos fortes resultados do setor de semicondutores.
Em Nova York, os índices futuros de Wall Street avançam nesta quinta-feira (29), em um pregão marcado pela análise dos resultados das big techs e pela repercussão da decisão de política monetária do Fed.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro: +0,18%
• FTSE 100: +0,35%
• CAC 40: +0,6%
• Nikkei 225: +0,12%
• Hang Seng: +0,51%
• Shanghai SE Comp:+0,16%
• Ouro (fev): +3,77%, a US$ 5.503,4 por onça troy
• Índice do dólar (DXY): -0,12%, aos 96,326 pontos
• Bitcoin: -1,65% a US$ 87.929,7
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Commodities
- Petróleo: os preços do petróleo Brent alcançaram US$ 70 o barril pela primeira vez desde setembro, impulsionados por novas tensões entre Estados Unidos e Irã.
Declarações de Donald Trump sobre uma possível ação militar elevaram o risco geopolítico e aumentaram o temor de interrupções no fluxo de petróleo na região.
O Brent/março avança 1,65%, cotado a US$ 70,05 e o WTI/março valoriza 1,6%, a US$ 64,81. - Minério de ferro: fechou em forte alta de 1,78% na bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 114,82/ton.
Analistas atribuem a alta à expectativa de que siderúrgicas acelerem a recomposição de estoques da commodity, após quedas recentes.
Cenário internacional
Nos EUA, o mercado financeiro segue digerindo a decisão de política monetária do Fed, que optou por manter a taxa de juros na faixa entre 3,5% e 3,75%, reforçando uma postura de cautela diante do atual cenário econômico.
No comunicado, o Fed adotou um tom mais confiante ao afirmar que a atividade econômica tem se expandido de forma sólida, em substituição à avaliação anterior de crescimento moderado.
Para o BTG, a mudança na linguagem reforça a leitura de que o banco central americano não vê urgência em iniciar o ciclo de cortes.
Ao longo do dia, os investidores acompanham novos dados da economia dos Estados Unidos, com destaque para os pedidos semanais de auxílio-desemprego e o resultado da balança comercial, que podem influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária.
No campo corporativo, as atenções se voltam para a divulgação do balanço trimestral da Apple, um dos eventos mais aguardados da temporada de resultados e com potencial de impacto relevante sobre o humor dos mercados globais.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica concentra uma série de indicadores capazes de mexer com os preços dos ativos ao longo do dia. O principal destaque é a divulgação do IGP-M de janeiro, que deve mostrar desaceleração da inflação mensal, passando de 0,38% para 0,27%. Na comparação em 12 meses, a expectativa é de deflação de 1,05%, reforçando a leitura de arrefecimento das pressões de preços.
O mercado de trabalho também entra no radar com a divulgação do Caged de dezembro. A projeção aponta para uma perda líquida de 550,2 mil empregos formais, reflexo do desligamento de trabalhadores temporários contratados para atender à demanda do fim de ano.
No campo fiscal, o resultado primário do governo central em dezembro deve registrar superávit de R$ 26,6 bilhões, impulsionado pelo desempenho da arrecadação federal e pela entrada de receitas extraordinárias.
Ainda assim, no acumulado de 2025, o déficit do governo central (pela metodologia do Tesouro Nacional) deve alcançar R$ 57,2 bilhões, mantendo a trajetória fiscal como um dos principais pontos de atenção dos investidores.
Além dos dados, o mercado acompanha a entrevista ao vivo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao jornal Metrópoles, em busca de sinalizações sobre política fiscal, arcabouço econômico e os próximos passos da equipe econômica.
Destaques do mercado corporativo
- PicPay: levantou US$ 500 milhões em IPO em Nova York, com demanda mais de 12 vezes superior à oferta.
- PetroRecôncavo: promoveu mudanças na diretoria após renúncia, com nova vice-presidência a partir de março.
- Brava Energia: Goldman Sachs passou a deter 8,68% do capital, somando posições físicas e via derivativos.
- Sabesp: concluiu aquisição de ações da Emae e elevou participação para 70,1% do capital total.
- Copasa: confirmou privatização via follow-on, com possibilidade de manutenção de até 5% pelo governo de Minas.







