A produção industrial brasileira registrou queda de 1,2% em dezembro de 2025 na comparação com novembro, aponta a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3).
O resultado representa a queda mais intensa desde julho de 2024, quando o indicador havia recuado 1,5%. Em novembro, a produção industrial já havia registrado retração de 0,2% frente a outubro, após revisão de dado que inicialmente indicava estabilidade.
Apesar da perda de fôlego no último mês do ano, a indústria fechou 2025 com crescimento acumulado de 0,6%. O avanço foi menor que o registrado em 2024 (3,1%) e superior ao observado em 2023 (0,1%).
No quarto trimestre de 2025, na comparação com igual período do ano anterior, o setor industrial acumulou queda de 0,5%, interrompendo uma sequência de resultados positivos iniciada no fim de 2023.
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Na leitura do economista Maykon Douglas, o avanço tímido de 0,6% da indústria em 2025 evidencia heterogeneidade temporal e setorial.
O especialista enfatiza que o setor reportou um crescimento nulo a partir da segunda metade do ano passado.
“Além disso, esse resultado se deve apenas ao setor extrativo (+4,9% no ano), especialmente à produção de petróleo, visto que a indústria de transformação caiu 0,2% no agregado do ano”, explica.
Produção industrial segue distante do pico histórico
Com o resultado de dezembro, a produção industrial ficou 0,6% acima do nível pré-pandemia de Covid-19, registrado em fevereiro de 2020. No entanto, permanece 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
Na passagem de novembro para dezembro, as quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados apresentaram queda na produção.
Setores com maior impacto negativo
Entre as atividades, os principais impactos negativos vieram de:
- veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,7%)
- produtos químicos (-6,2%)
- metalurgia (-5,4%)
Os dois primeiros setores acumularam quedas de 10,4% e 7,4%, respectivamente, em dois meses consecutivos. Já a metalurgia anulou a expansão de 3,5% registrada entre agosto e novembro de 2025.
Outras contribuições negativas relevantes vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-9,2%), produtos de minerais não metálicos (-6,6%), máquinas e equipamentos (-4,6%), produtos têxteis (-9,0%) e confecção de artigos do vestuário (-4,1%).
Setores que sustentaram o avanço da indústria em dezembro
Entre as oito atividades que apresentaram crescimento em dezembro, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (5,4%) exerceu o principal impacto positivo sobre a média da indústria, interrompendo três meses consecutivos de queda.
Também contribuíram para o resultado positivo os setores de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,7%) e de indústrias extrativas (0,9%).
Bens de capital e duráveis lideram quedas
Na análise por grandes categorias econômicas, bens de capital (-8,3%) e bens de consumo duráveis (-4,4%) registraram as quedas mais intensas em dezembro, considerando a série com ajuste sazonal.
Bens de capital interromperam três meses seguidos de crescimento, enquanto bens de consumo duráveis aprofundaram a retração observada em novembro.
Os Bens intermediários (-1,1%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também apresentaram recuo.
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Média móvel recua no trimestre
A média móvel trimestral da indústria, indicador que suaviza oscilações de curto prazo, caiu 0,5% no trimestre encerrado em dezembro, aprofundando a perda registrada em novembro (-0,2%).
Bens de capital (-2,5%), bens de consumo duráveis (-1,6%) e bens intermediários (-0,9%) apresentaram recuos. O único avanço foi observado em bens de consumo semi e não duráveis (0,2%).
Indústria perde ritmo no último trimestre
No quarto trimestre de 2025, a indústria recuou 0,5% frente ao mesmo período de 2024. A desaceleração foi observada em três das quatro grandes categorias econômicas, com destaque para bens intermediários e bens de capital.
A menor produção de combustíveis e lubrificantes elaborados e de bens de capital para equipamentos de transporte foi determinante para o desempenho negativo.
Produção industrial tem leve avanço na comparação anual
Na comparação com dezembro de 2024, a produção industrial avançou 0,4%. O resultado positivo foi registrado em uma das quatro grandes categorias econômicas e em 10 dos 25 ramos pesquisados.
Segundo o IBGE, dezembro de 2025 contou com um dia útil a mais que o mesmo mês do ano anterior, influenciando o resultado.
Indústria fecha o ano em alta moderada
No acumulado de 2025, a indústria cresceu 0,6%, com resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas.
As principais contribuições positivas vieram de indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%). Também se destacaram máquinas e equipamentos, manutenção industrial, metalurgia e produtos químicos.
Por outro lado, bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e bens de capital (-1,5%) encerraram o ano em queda, pressionados pela menor produção de álcool etílico e de equipamentos de transporte.
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Maykon Douglas avalia que o setor industrial tem caminhado em “dois trilhos”, considerando que a parcela mais sensível às condições de crédito sofre mais com o aperto monetário do Banco Central.
O economista afirma ainda que “mesmo o ciclo iminente de cortes da taxa Selic não deve ajudar muito o setor no curto prazo, pelo efeito defasado da política monetária e porque este deve ser um ciclo mais cauteloso e projeta a inflação em 12,50% no fim de 2026, com corte de 25 bps em março.
Nesse contexto, Douglas prevê que a indústria de transformação continue performando mal nos próximos meses.






