O Índice Nacional de Confiança (INC)*, elaborado pela PiniOn para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), atingiu 100 pontos em janeiro, revelando uma queda de 2% em relação a dezembro e também na comparação anual.
Com esse desempenho, o indicador interrompe uma sequência de quatro altas consecutivas e retorna ao nível considerado neutro.
Pela metodologia do índice, leituras acima de 100 pontos indicam confiança em patamar otimista, enquanto valores abaixo desse nível sinalizam percepção pessimista.
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O economista da ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa, analisa que “o mercado de trabalho continua gerando aumentos de renda e emprego, o que, unido ao novo consignado e a outras transferências de renda governamentais, continuam a sustentar o ânimo e o consumo das famílias”.
Segundo ele, no entanto, “os prováveis efeitos positivos dessa dinâmica da renda sobre a confiança parecem ser mais do que compensados pelos efeitos negativos decorrentes do alto grau de endividamento das famílias e da desaceleração econômica provocada pelos juros elevados”.
Confiança do consumidor mostra diferenças regionais e sociais
A análise regional voltou a apresentar resultados heterogêneos, com aumento da confiança do consumidor nas regiões Centro-Oeste, Sul e Nordeste. Em contrapartida, o índice recuou nas regiões Norte e Sudeste.
Na segmentação por classes socioeconômicas, os dados também mostraram comportamento misto. A confiança aumentou entre as famílias das classes AB e DE, enquanto houve queda entre os consumidores pertencentes à classe C.
Já os resultados por gênero indicaram aumento da confiança entre os entrevistados do sexo masculino, enquanto entre as mulheres, foi registrada redução do índice no mês de janeiro.
Situação atual é otimista, mas expectativas pioram
O levantamento da ACSP apontou melhora relativa na percepção das famílias em relação à situação financeira atual. Em contrapartida, as expectativas relacionadas à renda e ao emprego apresentaram piora.
A avaliação sobre a segurança no emprego permaneceu estável no período analisado.
A piora das expectativas em relação ao emprego e à renda resultou em uma redução da disposição das famílias para a compra de itens de maior valor, como automóveis e imóveis. Também foi observada menor intenção de consumo de bens duráveis, como geladeira e fogão.
Além disso, a sondagem indicou diminuição da propensão das famílias a realizar investimentos.
*A sondagem foi realizada com uma amostra de 1.679 famílias em âmbito nacional, incluindo moradores de capitais e cidades do interior.











