O mercado de fundos imobiliários (FIIs) da Bolsa de Valores brasileira (B3) registrou três recordes simultâneos em janeiro de 2026: número de investidores, estoque financeiro e volume médio diário negociado.
A base de investidores com posição em custódia (com cotas mantidas em carteira) chegou a 3,03 milhões, enquanto em janeiro de 2025, eram 2,78 milhões.
O crescimento ocorreu em um intervalo de 12 meses, marcado principalmente pela entrada de novos recursos. Apenas no mês de janeiro, o segmento de FIIs somou 434 fundos disponíveis para negociação, com cinco novos ativos em relação ao mês anterior.
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Segundo Bianca Maria, gerente de Produtos de Cash Equities da B3, esses números refletem a consolidação do segmento no país.
“A conquista simultânea desses três recordes demonstra que os fundos imobiliários cada vez mais são vistos como peça indispensável na carteira dos investidores, assim como o crescimento contínuo da confiança do investidor, especialmente do varejo, na estratégia de geração de renda passiva e diversificação por meio de ativos imobiliários listados”, afirmou.
Liquidez de FII amplia participação institucional
O volume médio diário negociado (ADTV, sigla em inglês para Average Daily Trading Volume) atingiu a marca recorde de R$ 537 milhões em janeiro, que representa alta de 67% em relação aos R$ 321 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
No total, o mercado à vista movimentou R$ 11,3 bilhões no mês, distribuídos em cerca de 15 milhões de negócios.
Em relação ao volume financeiro negociado, os investidores institucionais foram responsáveis por 39,7% da movimentação, enquanto as pessoas físicas responderam por 39% e os investidores estrangeiros correspondem a 17,8%.
Segundo a B3, os investidores não residentes têm papel relevante como formadores de mercado nas operações de giro, ou seja, nas transações de compra e venda frequente de ativos.
Investidor pessoa física lidera custódia de FIIs
Em janeiro, o estoque financeiro dos FIIs atingiu a marca inédita de R$ 200 bilhões. Apesar da divisão mais equilibrada no volume negociado, as pessoas físicas seguem liderando a custódia dos FIIs, com 72,9% do estoque financeiro, enquanto os investidores institucionais detêm 21,6%, e os não residentes, 4,2%.
De acordo com Bianca Maria, a principal característica do investidor pessoa física é a estratégia conhecida como “buy and hold”, que consiste em comprar cotas e mantê-las em carteira com foco na geração de renda por meio da distribuição de dividendos.
Entre outros fatores apontados como atrativos para esse público estão a liquidez para venda no curto prazo, o baixo custo unitário das cotas e os benefícios tributários.
A executiva também ressaltou que investidores institucionais já representam 40% do volume negociado diariamente, enquanto os estrangeiros respondem por 18%.
Segundo ela, ainda há espaço para crescimento percentual na posição do segmento institucional em custódia. Já em relação ao volume negociado, as estimativas apontam para maior participação do investidor estrangeiro.
IFIX também avança em janeiro
O IFIX, índice que reúne os fundos imobiliários mais negociados da Bolsa, registrou valorização de 2,3% no primeiro mês do ano. E no acumulado de 12 meses, a alta é de 27,8%.
Segundo Bianca Maria, o crescimento observado em janeiro foi tanto estrutural quanto refletiu o movimento de juros. No mês, houve aumento de volume em todo o mercado de renda variável da Bolsa, incluindo ações, ETFs, BDRs e FIIs, repetindo movimento já visto no ano anterior.
Saiba quais foram os FIIs mais negociados em janeiro
Entre os FIIs com maior volume médio diário negociado (ADTV) no mês, a B3 destaca:
- CPOF11 (Capitânia Office): R$ 41,2 milhões (7,7% do total)
- TRXF11 (TRX Real Estate): R$ 22,3 milhões (4,2%)
- KNCR11 (Kinea Rendimentos): R$ 19,3 milhões (3,6%)
- MXRF11 (Maxi Renda): R$ 19,2 milhões (3,6%)
- BTLG11 (BTG Pactual Logística): R$ 18,9 milhões (3,5%)
- GSF111 (General Shopping e Outlets): R$ 17,0 milhões (3,2%)
- CPLG11 (Capitânia Logística): R$ 16,5 milhões (3,1%)
- GARE11 (Guardian Real Estate): R$ 16,5 milhões (3,1%)
- XPML11 (XP Malls): R$ 15,3 milhões (2,9%)
- HGLG11 (Patria Log): R$ 14,4 milhões (2,7%)
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B3 mira novos produtos ligados a fundos imobiliários
Para ampliar a participação de investidores institucionais e estrangeiros, a B3 planeja desenvolver mais derivativos ligados a fundos imobiliários e ampliar a negociação de grandes lotes.
“A grande questão agora é: como desenvolvemos os derivativos de fundo imobiliário? É isso que atrai cada vez mais o investidor não residente e o institucional, pois permite que eles façam estratégias mais complexas com o produto”, afirmou Bianca Maria em entrevista à Forbes.
