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Intenção de consumo melhora em SP, mas juros altos ainda limitam compras, aponta estudo

Por Gabriela Santos
11/mar/2026
Em Mercados, Notícias
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

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A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou alta de 0,7% em fevereiro, alcançando 116,1 pontos na comparação com janeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, o avanço foi de 5,7%, com base nos dados do levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) obtidos com exclusividade pelo Monitor do Mercado.

A melhora ocorre apesar do ambiente de juros elevados, sustentada principalmente por um mercado de trabalho aquecido e pela desaceleração gradual da inflação.

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O indicador mede a disposição das famílias para realizar compras no curto prazo. Quando o índice fica acima de 100 pontos, indica predominância de otimismo entre os consumidores.

Para a FecomercioSP, esse é um sinal de que a política monetária restritiva começa a gerar efeitos graduais sobre os preços. A entidade avalia que esse processo pode abrir espaço para flexibilização da política monetária no segundo semestre, caso as expectativas de inflação permaneçam controladas e o cenário fiscal continue estável.

“Para o varejo paulistano, o cenário é mais favorável do que em 2025, mas com crescimento seletivo, dependente da trajetória dos juros, da renda real e da estabilidade macroeconômica”, afirma.

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Outro indicador que ajuda a entender o comportamento das famílias é o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que mede a percepção sobre a economia atual e as expectativas para o futuro.

Em fevereiro, o índice atingiu 127,4 pontos (quanto mais próximo de 200, maior o nível de otimismo dos consumidores em relação à economia), permanecendo estável em relação a janeiro e registrando alta de 5,7% na comparação anual.

Expectativas impulsionam a confiança do consumidor

Segundo análise da FecomercioSP, o principal motor da confiança do consumidor tem sido a melhora das expectativas econômicas.

O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que capta as projeções das famílias para os próximos meses, avançou 2,4% na comparação mensal, alcançando 131,7 pontos, e registrou alta de 7,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Esse resultado, segundo o levantamento, reflete uma percepção mais positiva sobre renda futura, perspectivas do mercado de trabalho e ambiente econômico nos próximos meses.

Já o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que mede como os consumidores avaliam a situação econômica no presente, recuou 3,7% frente a janeiro, chegando a 121 pontos.

A queda foi observada na maior parte dos grupos analisados, com exceção de consumidores com renda superior a 10 salários mínimos e pessoas com 35 anos ou mais, que apresentaram leve melhora na avaliação do cenário atual.

Apesar da retração no mês, o indicador segue 2,3% acima do nível registrado há um ano, indicando percepção mais favorável que em 2025.

Mercado de trabalho sustenta intenção de consumo

Entre os componentes da Intenção de Consumo das Famílias, o indicador de emprego atual permaneceu em nível elevado. O subíndice atingiu 139,6 pontos, com crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado indica que a percepção sobre o mercado de trabalho continua positiva. A combinação de níveis de ocupação ainda elevados e expansão da massa de rendimentos reais, mesmo que moderada, segue sustentando a intenção de consumo.

A renda atual também permanece em patamar elevado, registrando 140,3 pontos, mas sem variação relevante em relação ao mês anterior ou ao ano passado.

Segundo a FecomercioSP, como a inflação de serviços ainda apresenta resistência (componente que pesa diretamente no orçamento das famílias), a melhora do consumo tem sido sustentada mais pela segurança no emprego do que por um aumento efetivo do poder de compra.

Crédito melhora, mas consumo de duráveis segue fraco

O maior avanço mensal entre os subíndices foi observado na perspectiva profissional, que subiu 2,5%, chegando a 123,8 pontos. Apesar da melhora recente, o indicador ainda está abaixo do nível registrado no mesmo período do ano passado, de 125,2 pontos.

O indicador de acesso ao crédito alcançou 114,1 pontos, com alta de 0,3% no mês e avanço de 16,9% em relação ao ano anterior, o que indica uma melhora na percepção das famílias sobre a possibilidade de realizar compras parceladas, mesmo com o custo do crédito ainda elevado.

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A perspectiva de consumo, que mede a intenção de compras futuras, atingiu 112 pontos, com crescimento de 8,6% na comparação anual. Apesar disso, dois indicadores seguem abaixo de 100 pontos, revelando maior cautela do consumidor.

Em relação ao nível de consumo atual, este alcançou a marca de 92,8 pontos, enquanto o indicador que mede o momento para compra de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, registrou 90,3 pontos.

Segundo a entidade, esses números mostram que uma recuperação do consumo de forma gradual, com maior cautela nas compras de maior valor devido aos juros elevados.

Recuperação do consumo segue desigual entre rendas

A pesquisa também estabelece uma comparação entre as faixas de renda, que indica uma retomada heterogênea do consumo. Em fevereiro, o ICF das famílias de maior renda superou o das famílias com renda de até 10 salários mínimos em 5 pontos.

A maior diferença aparece no nível de consumo atual, com vantagem de 17,3 pontos para o grupo de renda mais alta.

Entre consumidores com renda de até dez salários mínimos, o ICF atingiu 114,9 pontos, com crescimento de 8,4% em 12 meses. Nesse grupo, o destaque foi o indicador de acesso ao crédito, que alcançou 112,4 pontos e registrou avanço anual de 23,3%.

Por outro lado, os indicadores de momento para compra de duráveis (88,8 pontos) e nível de consumo atual (88,4 pontos) permanecem em território de pessimismo.

A renda atual nesse grupo apresentou leve queda de 0,6% no mês e de 0,3% no ano, indicando que a melhora da confiança está mais associada ao crédito e às expectativas do que ao aumento efetivo da renda.

Entre consumidores com renda acima de 10 salários mínimos, o ICF chegou a 119,9 pontos, com leve queda de 0,9% na comparação anual.

Nesse grupo, a renda atual atingiu 146,7 pontos, com crescimento de 1,9% tanto no mês quanto no ano. O acesso ao crédito avançou para 119,1 pontos, enquanto o indicador de momento para duráveis recuou para 94,9 pontos, refletindo maior cautela nas compras de maior valor.

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Fatores que podem influenciar o consumo em 2026

Segundo a FecomercioSP, a continuidade da recuperação do consumo dependerá de fatores como a desaceleração consistente da inflação, especialmente no setor de serviços, a preservação do poder de compra das famílias e o equilíbrio das contas públicas.

Eventos ao longo de 2026, como a Copa do Mundo, feriados prolongados e o calendário eleitoral, também devem influenciar o comportamento do consumo.

Além disso, tensões geopolíticas recentes podem afetar a economia de forma ampla, uma vez que conflitos internacionais costumam promover choque de custos global com alta dos preços de energia e combustíveis, dos custos de transporte, logística e produção, pressionando toda a cadeia produtiva.

Esses fatores podem impactar tanto o poder de compra das famílias quanto os custos operacionais das empresas, com reflexos diretos sobre o desempenho do comércio e a dinâmica do consumo, aponta a FecomercioSP.

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