A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) aumentou 0,52% em março, revertendo a queda de 0,73% registrada em fevereiro, apontam dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), divulgados nesta segunda-feira (30).
No acumulado de 2026, o índice apresenta alta de 0,19%, enquanto no mesmo período do ano anterior, o indicador registrava queda de 0,34%, acumulando variação de 8,58% em 12 meses.
As leituras preliminares do índice já apontavam mudança de trajetória ao longo do mês. Na primeira prévia, o IGP-M havia recuado 0,19%, enquanto na segunda prévia havia registrado alta de 0,15%.
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Matheus Dias, economista do FGV Ibre, avalia que o comportamento do índice foi influenciado principalmente pelos preços no atacado relacionados à agropecuária, com destaque para as contribuições de bovinos, ovos, leite, feijão e milho.
Cenário externo puxa inflação de derivados do petróleo
O economista também destaca os impactos do cenário internacional sobre os preços de energia. Dias destaca que o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio já se reflete nos preços de derivados de petróleo, indicando a disseminação dessas pressões para outros segmentos.
Ele observa ainda uma mudança recente no comportamento dos preços de derivados de petróleo dentro do índice:
“Apesar de a taxa acumulada em 12 meses permanecer em patamar bastante baixo (-14,13%), o subgrupo Produtos Derivados do Petróleo no IPA-M apresentou inflexão relevante na margem, ao passar de -4,63% em fevereiro para 1,16% em março de 2026, sinalizando mudança no sinal da variação e possível reversão da trajetória recente.”
Segundo Dias, esse movimento está relacionado ao aumento da percepção de risco sobre a oferta global de petróleo, diante da intensificação do conflito no Oriente Médio, o que tem pressionado as cotações.
Preços no atacado sobem em diferentes estágios de produção
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou alta de 0,61% em março, após recuar 1,18% em fevereiro, invertendo o movimento observado no mês anterior.
O indicador acompanha a variação de preços em diferentes estágios da cadeia produtiva. Entre os componentes:
- Bens Finais: subiu 0,80% em março, acelerando frente à alta de 0,12% em fevereiro
- Bens Finais (ex): (exclui alimentos in natura e combustíveis para consumo) passou de 0,2% em fevereiro para -0,09% em março
No grupo de Bens Intermediários, a taxa avançou 0,32% em março, após 0,01% no mês anterior. Já o índice de Bens Intermediários (ex) (exclui combustíveis e lubrificantes para a produção) registrou alta de 0,32% em março, após 0,42% em fevereiro.
No estágio das Matérias-Primas Brutas, houve aceleração para 0,67% em março, depois de queda de 2,88% no mês anterior.
Preços ao Consumidor ficam estáveis
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação para as famílias, registrou alta de 0,3% em março, repetindo o resultado de fevereiro.
Entre as oito classes de despesas analisadas, cinco apresentaram aumento na taxa de variação:
- Alimentação: de 0,17% para 0,95%
- Despesas Diversas: de 0,37% para 1,30%
- Vestuário: de -0,43% para 0,14%
- Transportes: de 0,53% para 0,61%
- Comunicação: de 0,01% para 0,14%
Por outro lado, três grupos registraram desaceleração:
- Educação, Leitura e Recreação: de 0,72% para -1,71%
- Habitação: de 0,33% para 0,28%
- Saúde e Cuidados Pessoais: de 0,12% para 0,08%
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Mão de obra impulsiona custos da construção
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,36% em março, acima da alta de 0,34% registrada em fevereiro.
Entre os três grupos que compõem o indicador, os movimentos foram distintos:
- Materiais e Equipamentos: desaceleraram de 0,30% para 0,28%
- Serviços: passaram de 0,36% para 0,24%
- Mão de Obra: acelerou de 0,39% para 0,47%











