A escalada do conflito no Oriente Médio, com foco nas tensões envolvendo o Irã e o fechamento estratégico de rotas de exportação como o Estreito de Ormuz, provocou perdas expressivas no mercado asiático no mês de março. O movimento já é perceptível no desempenho das bolsas internacionais e no valor de mercado de empresas, especialmente no Sudeste Asiático.
Desde o início da intensificação militar, no fim de fevereiro, companhias da região perderam ao menos US$ 216 bilhões em valor de mercado. O movimento ocorre em meio ao aumento da aversão ao risco, custos de energia maiores e preocupações com o risco inflacionário global.
Dados da Quick FactSet, divulgados pelo Valor, revelam que a capitalização de cerca de 3.500 empresas não financeiras listadas em Indonésia, Tailândia, Malásia, Singapura, Filipinas e Vietnã caiu 10,2% desde 27 de fevereiro (no cálculo já convertido em dólares).
Os impactos da guerra também pressionam as bolsas asiáticas, que tiveram um mês de março marcado por fortes quedas.
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Bolsas da Ásia amargam perdas em março
Os mercados acionários da Ásia-Pacífico encerraram o mês majoritariamente em baixa, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Entre os principais índices, o sul-coreano Kospi liderou as perdas desta segunda-feira (31) após registrar perda de 4,26%, aos 5.052,46 pontos, marcando o segundo pregão em baixa. O movimento refletiu saída de capital estrangeiro e a maior exposição da economia sul-coreana ao comércio global.
No Japão, o Nikkei recuou 1,58%, para 51.063,72 pontos, enquanto o Taiex, de Taiwan, caiu 2,45%, encerrando aos 31.722,99 pontos.
No acumulado de março, o Kospi registra queda de 19,1%, enquanto o Nikkei acumula perdas de 13,2%, com o pior desempenho no mês, ambos os índices afetados principalmente por perdas nas techs.
Mercados da China recuam apesar da recuperação industrial
Na China, o índice oficial de gerentes de compras (PMI industrial) subiu para 50,4 em março, superando a projeção de 49,9 e o resultado anterior de 49,1.
Apesar do dado positivo, os mercados acionários chineses recuaram. O Xangai Composto caiu 0,8%, para 3.891,86 pontos, enquanto o Shenzhen registrou queda de 1,71%, para 2.535,36 pontos.
A exceção foi o Hang Seng, em Hong Kong, que avançou 0,15%, para 24.788,14 pontos. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da bolsa australiana, subiu 0,25%, encerrando aos 8.481,80 pontos.
Sudeste Asiático tende a sentir o impacto mais rápido
O Sudeste Asiático tem sentido os efeitos da crise antes de outras economias da Ásia. Um dos fatores é a dependência da região em relação às importações de petróleo e os níveis relativamente baixos de reservas.
No fim de março, de acordo com anúncios de governos e reportagens da mídia local, a Indonésia possuía reservas suficientes para cerca de 30 dias, considerando estoques públicos, privados e derivados de petróleo, enquanto as Filipinas tinham reservas próximas de 45 dias e o Vietnã, assim como a Malásia contavam com cerca de 50 dias de suprimento.
A Tailândia apresentava o maior volume da região, com cerca de 103 dias de reservas, número ainda inferior ao de países como Japão e Coreia do Sul, que possuem estoques suficientes para mais de 200 dias.
Entre os países analisados, a Indonésia concentrou a maior perda de valor de mercado, com queda de US$ 115,5 bilhões. A Tailândia registrou recuo de US$ 48,9 bilhões, enquanto Filipinas e Vietnã perderam pouco mais de US$ 16 bilhões cada.
Índices regionais acumulam perdas expressivas
Dados da Quick FactSet revelam ainda que além das perdas em valor de mercado, os principais índices acionários do Sudeste Asiático também registraram quedas relevantes desde o início da crise.
Em 26 de março, tanto o Índice VN, do Vietnã, quanto o Índice Composto de Jacarta, da Indonésia, estavam 13% abaixo dos níveis registrados antes do conflito com o Irã.
A ponto de comparação, o índice japonês Nikkei cedeu 9%, enquanto o S&P 500, dos Estados Unidos, acumulou queda de 6% no mesmo período.
Petroquímicas lideram perdas, impactadas pelas tensões no Oriente Médio
Empresas do setor petroquímico estão entre as mais afetadas pela crise energética decorrente das tensões no Oriente Médio.
A Chandra Asri Pacific, maior petroquímica da Indonésia, registrou queda de 27% em valor de mercado entre 27 de fevereiro e 26 de março, para cerca de US$ 25,2 bilhões.
Na Tailândia, a PTT recuou 12%, para US$ 30 bilhões, enquanto a Siam Cement perdeu 18%, reduzindo sua capitalização para US$ 7,1 bilhões.
A Chandra Asri e o Grupo Siam Cement anunciaram declarações de força maior, instrumento jurídico que permite suspender obrigações contratuais em situações excepcionais.
Segundo as empresas, a decisão foi motivada pela dificuldade em obter insumos petroquímicos como nafta e etileno, matérias-primas importantes para a produção industrial.
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Turismo também sofre com crise energética
O setor de turismo, um dos pilares econômicos de vários países do Sudeste Asiático, também apresenta perdas relevantes em decorrência da escalada dos conflitos no Oriente Médio e crise energética.
A estatal Vietnam Airlines viu sua capitalização de mercado cair 21%, para cerca de US$ 2,6 bilhões. A companhia informou que reduzirá voos em rotas domésticas a partir de abril, citando preocupações com o fornecimento de combustível.
Já a Airports of Thailand, responsável pela operação dos principais aeroportos do país, registrou queda superior a 10%, para aproximadamente US$ 22 bilhões.
O governo tailandês estima que o número de turistas estrangeiros poderá cair até 25% neste ano, em relação às projeções anteriores, com um cenário de guerra prolongado.
Empresas japonesas monitoram impactos do conflito no Oriente Médio
Mais de 10 mil empresas japonesas possuem presença no Sudeste Asiático, com operações industriais e comerciais na região.
Muitas dessas multinacionais instalaram fábricas para produção de automóveis, eletrônicos e outros bens, além de expandirem negócios de varejo e restaurantes com foco no crescimento da demanda local. Algumas dessas companhias já começaram a perceber impactos da crise em suas operações.
Segundo Noriaki Yamashita, presidente da Toyota Motor Thailand, a extensão total do impacto da guerra ainda é desconhecida, mas tem potencial para afetar todos os setores, inclusive o automobilístico.
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Moedas asiáticas recuam frente ao dólar
No mercado cambial, as principais moedas asiáticas apresentaram desvalorização frente ao dólar nas últimas 24 horas, reflexo da busca global por ativos considerados mais seguros.
Nesse cenário, o iene e o yuan tiveram oscilações mais moderadas, enquanto moedas de economias emergentes sofreram pressões mais intensas.











