O Brasil registrou déficit de US$ 6 bilhões nas contas externas em março, valor que corresponde a mais que o dobro do observado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 2,9 bilhões, aponta o relatório “Estatísticas do setor externo”, divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (24).
Esse também é o maior resultado para meses de março desde 2024, quando o déficit atingiu US$ 6,5 bilhões. No acumulado em 12 meses, o rombo nas contas externas chega a US$ 64,3 bilhões, acima dos US$ 61,2 bilhões registrados até fevereiro.
- Investir sem estratégia custa caro! Garanta aqui seu plano personalizado grátis e leve seus investimentos ao próximo nível.
Segundo o BC, a piora do resultado foi puxada principalmente pela redução de US$ 1,6 bilhão do superávit comercial de bens e pelo aumento dos déficits nas contas de serviços (US$ 0,6 bilhão) e renda primária (US$ 1,1 bilhão).
Comércio exterior perde força com alta das importações
O superávit da balança comercial (diferença entre exportações e importações de bens) caiu para US$ 5,6 bilhões em março, ante US$ 7,2 bilhões no mesmo período do ano passado.
O resultado reflete o avanço mais intenso das importações. Enquanto as exportações somaram US$ 31,7 bilhões, marcando um crescimento de 9,5% na comparação anual, as importações atingiram US$ 26,1 bilhões, com alta de 19,9% em março.
Déficit em serviços aumenta com gastos no exterior
A conta de serviços registrou déficit de US$ 4,8 bilhões em março, alta de 14,5% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 4,2 bilhões.
O resultado foi influenciado, sobretudo, pelo aumento das despesas com viagens internacionais. O saldo dessa rubrica ficou negativo em US$ 1,1 bilhão.
Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 2 bilhões, configurando um avanço de 27,8% na comparação anual, frente a US$ 1,6 bilhão registrado em março do ano passado.
Renda primária pressiona contas externas
A conta de renda primária registrou déficit de US$ 7,4 bilhões em março, ante US$ 6,3 bilhões no mesmo período de 2025. O aumento de 17,8% foi influenciado pela elevação das despesas com juros e com envio de lucros e dividendos ao exterior.
As despesas líquidas com juros somaram US$ 2,6 bilhões, crescimento de 33,5%, com destaque para maiores gastos brutos em operações intercompanhia.
Já as despesas líquidas com lucros e dividendos, relacionadas a investimentos diretos e em carteira, totalizaram US$ 4,8 bilhões, acumulando alta de 10,7%.
No detalhamento, houve redução de US$ 0,3 bilhão nas receitas, que ficaram em US$ 1,6 bilhão, e aumento de US$ 0,2 bilhão nas despesas, que atingiram US$ 6,4 bilhões.
Investimento direto revela atratividade para estrangeiros
Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 6 bilhões em março, levemente abaixo dos US$ 6,3 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
Os ingressos líquidos em participação no capital totalizaram US$ 4,3 bilhões. Desse valor, US$ 1,2 bilhão correspondeu à participação no capital (exceto reinvestimento de lucros) e US$ 3,2 bilhões a reinvestimento de lucros. Já as operações intercompanhia registraram ingressos líquidos de US$ 1,7 bilhão.
No acumulado em 12 meses até março, o IDP somou US$ 75,7 bilhões, equivalente a 3,18% do Produto Interno Bruto (PIB). Em fevereiro, o montante era de US$ 75,9 bilhões (3,24% do PIB) e, em março de 2025, de US$ 74,1 bilhões (3,45% do PIB).
Investimentos em carteira têm saída no mês
Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram saída líquida de US$ 2,9 bilhões em março. Do total, US$ 0,4 bilhão saiu de ações e fundos de investimento, enquanto US$ 2,5 bilhões correspondem a retiradas em títulos de dívida.
Apesar do fluxo negativo no mês, o acumulado em 12 meses segue positivo, com entrada líquida de US$ 28,4 bilhões. Em fevereiro, esse saldo era de US$ 29,5 bilhões, enquanto em março de 2025 havia saída líquida de US$ 6,8 bilhões.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações.
Reservas internacionais recuam em março
As reservas internacionais somaram US$ 362 bilhões ao fim de março de 2026, com queda de US$ 9,1 bilhões em relação ao mês anterior.
A redução foi explicada por diferentes fatores: variação por paridades cambiais (US$ 5,2 bilhões), variação de preços dos ativos (US$ 3 bilhões) e vendas no mercado à vista (US$ 2 bilhões).
Por outro lado, a receita de juros das reservas totalizou US$ 801 milhões no período.











