Com os preços do agro altamente impactados pela guerra no Oriente Médio, é importante fazer uma análise histórica para entender onde estão as distorções nos preços dos insumos. A partir desta análise, Guto Gioielli, analista de investimentos (CNPI) e fundador do Portal das Commodities, assina o artigo de estreia da parceria entre o Portal das Commodities e o site O Antagonista, publicado neste sábado (25).
Segundo Gioielli, a alta recente dos preços do petróleo ocorre em um ambiente de forte incerteza, no qual produtores e investidores tendem a reagir antecipando cenários extremos.
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Petróleo pode repetir dinâmica da bolha do trigo
O especialista avalia que o petróleo se encontra em um ponto de inflexão, com o barril próximo de US$ 110 e projeções que chegam a US$ 200. Diante desse cenário questiona se “estamos criando uma bolha, como aconteceu com o mercado de trigo durante o conflito entre Rússia e Ucrânia”.
Ele destaca que “a história mostra que os mercados, frequentemente movidos pelo medo, criam distorções que, com o tempo, se corrigem”, referindo-se ao movimento do mercado de trigo em 2022, quando a guerra na Ucrânia levou a uma disparada nos preços do cereal e o receio de interrupção no fornecimento global fez o mercado reagir como se houvesse uma escassez generalizada.
Naquele momento, o temor de interrupção na produção ucraniana — denominada “celeiro da Europa” — levou a uma disparada nos preços. No entanto, uma análise posterior dos dados indicou que, embora relevante, a participação da Ucrânia não era determinante a ponto de justificar aquele nível de preço. Com o tempo, ajustes logísticos e novas rotas de escoamento permitiram a normalização do abastecimento. Como resultado, os preços recuaram e passaram a refletir de forma mais fiel a relação entre oferta e demanda.
A leitura de Gioielli sugere que o petróleo pode estar seguindo trajetória semelhante, com projeções elevadas sustentadas mais por expectativas do que por fundamentos de oferta e demanda.
Em meio às tensões geopolíticas, surgiram projeções de que o barril poderia atingir US$ 200. Ele observa que essa estimativa passou a funcionar como um fator de pressão psicológica no mercado, sendo tratada como uma possibilidade concreta. No entanto, questiona se essa expectativa não estaria baseada em premissas frágeis, comparando-a a um “castelo de cartas”.
Pressão sobre fertilizantes e risco ao agro
O impacto de uma possível distorção no petróleo se estende ao agronegócio. Isso porque a commodity é base para a produção de insumos químicos, como fertilizantes. O gás natural, diretamente influenciado pelo petróleo, é um dos principais componentes desses produtos. Assim, uma alta especulativa pode elevar os custos agrícolas, observa Gioielli.
Segundo o analista, esse cenário pode gerar uma “armadilha” para os produtores. Caso comprem fertilizantes com preços inflados, poderão enfrentar perdas caso o mercado de petróleo se corrija posteriormente, mantendo os custos elevados no curto prazo.
Risco está na sobreprecificação, não no pico dos preços do petróleo
Gioielli reforça que episódios anteriores mostram a capacidade de ajuste dos mercados. No caso do petróleo, ele avalia que uma eventual correção pode ser negativa para quem entrou no mercado durante o pico de preços e alerta que “a correção pode ser dolorosa para aqueles que compraram o ‘medo’ do mercado”.
Ele destaca que o principal risco atual não está necessariamente em uma alta extrema do petróleo, mas na sobreprecificação impulsionada por expectativas. Para investidores e agentes do agronegócio, a recomendação implícita é priorizar análise fundamentada. “Os mercados são volúveis, mas a verdade dos fundamentos sempre prevalece”, destaca.
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O conselho do especialista nesse contexto é que “os investidores que mantiverem a prudência e a análise crítica terão uma vantagem significativa”, reforçando que movimentos de correção são comuns quando há desalinhamento entre preços e realidade de mercado.











